O Universo ou o ímpio?

A maior obra de Deus

PARIS, 1256. Plena Idade Média. Do solo fértil da Cristandade brotam virtudes, artes, universidades. A vida estudantil e acadêmica é intensa. Alguns estudantes precisam fazer uma redação respondendo a pergunta simples, que talvez contenha certa complexidade. Vejamos como eles se posicionam.

Um deles, em pouco tempo julga já ter resolvido a questão com uma curta resposta, e pronto.

Outro, cauteloso e com boa cota de humildade, vai à procura dos mestres, formula a pergunta, e estes – mostrando-se também humildes – lhe indicam:

Pergunte ao Frei Tomás

– Olhe, é melhor indagar ao Frei Tomás.

– Desculpe-me incomodá-lo, Frei Tomás, mas o Sr. poderia esclarecer-me uma questão?

– Jovem, formule-a.

– É uma pergunta curta, mas aqueles mestres ali disseram para eu procurar o Sr.. Preciso saber qual é a maior obra de Deus.

Aquele que futuramente seria chamado de Doutor Angélico responde prontamente, fazendo uma sutil distinção ao indicar que a grandeza de uma obra pode ser determinada debaixo de dois pontos de vista: pelo modo de obrar e pela magnitude do resultado obtido. Sob o primeiro aspecto a criação é a Sua maior obra, pois foi do nada que Ele criou o Universo.

A justificação do ímpio – Porém, de acordo com o segundo, a maior obra é a justificação do ímpio, pois o seu término é o bem eterno da bem-aventurança, que é ainda mais excelente do que a criação do Céu e da Terra (cf. S. Th. I-II, q. 113, a. 9).

Percebendo uma ponta de surpresa no consulente, Frei Tomás de Aquino refuta uma possível objeção de que a conversão de um incrédulo seria fruto de raciocínios que movem a pessoa a mudar de vida, e acrescenta:

– “O homem não pode de modo algum levantar-se por si mesmo do pecado sem o auxílio da graça” (I-II, q. 109, a. 7).

E para reforçar tão lógicos argumentos, recorre a Santo Agostinho (354-430), um dos convertidos mais célebres da História, que experimentou em si mesmo a excelência da graça da conversão e como a misericórdia de Deus realmente é superior a todas as Suas obras:

– Julgue quem puder se é mais criar Anjos justos ou justificar [homens] ímpios. Certamente se as duas coisas supõem o mesmo poder, a segunda requer mais misericórdia.

Vivendo e aprendendo

– E ainda: é mais excelente tornar justo um pecador do que criar o Céu e a Terra, porque estes passarão, mas a justificação dos predestinados permanecerá para sempre.

Nem seria preciso dizer que os mestres acima referidos não perderam a oportunidade de ouvir as explicitações do já famoso teólogo dominicano.

E se o imaginário estudante ficou contente com a nota obtida, nós nos exultamos com tão angélica e real argumentação do Doutor Angélico. Argumentação esta que nos coloca numa clave elevada, posicionando nossas almas para considerar as coisas celestes.

Texto consultado: Qual a maior obra de Deus?http://blog.praecones.org/category/perguntas-e-respostas/

 

Grupo de Estudos e Pesquisas

Leigos que professam a religião católica, apostólica, romana, e se consagram a Nossa Senhora segundo o método de São Luís Grignion. Há bacharéis em teologia, missionários, escritores, professores, estudantes. Alguns colaboram em revistas, boletins e sites, ou exercem voluntariado em entidades beneficentes.

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