Prece de 7 bilhões

 

Enfrentando o desafio da

pandemia

Deus Pai Onipotente, fostes Vós que fizestes o universo visível e o invisível. Criastes os humanos “à Sua imagem e semelhança” (cf Gn 1, 26-27), destinando-lhes uma morada paradisíaca, com as diversas criaturas convivendo em paz.

Com o pecado de Adão entraram nesse paraíso a revolta, o trabalho, a doença, a morte. Vieram a agressividade das feras, o veneno das serpentes, dos escorpiões ─ inimigos externos relativamente fáceis de se evitar. E chegaram as pragas!…

Agora veio também um batalhão de criaturinhas invisíveis ao olho humano, os vírus, que especialistas e autoridades globais não chegam a um acordo para eliminá-los, mal conseguindo colocar rótulos: novo coronavírus? gripezinha? vírus chinês? covid19?… 

Portanto, sobre cada um dos sete bilhões de habitantes, paira a perspectiva de ficarmos mascarados e/ou confinados, lamentando o cortejo fúnebre de entes queridos, e à espera da nossa vez… Até quando? 

Ó Senhor Deus Uno e Trino — Pai, Filho e Espírito Santo —, pedindo perdão por nossas faltas, Vos suplicamos, confiantes na intercessão da Santíssima Virgem Maria:

Senhor, salvai-nos para não perecermos!

(cf Mateus 8, 25). #

Estrelas e Anjos: incontáveis?

Sim. A quantidade de astros e de espíritos celestes

refletem a grandeza do Criador

  JÁ nos albores da infância, Celestino começa a se interessar por realidades que ficam acima de nossas cabeças. No sítio do avô o contato com os vagalumes desperta seu interesse pelas luzinhas brilhando no céu. Ele aprende que são os olhinhos dos Anjos observando o procedimento das crianças.

 Assim, o menino cresce, mantendo admiração e respeito para com os “anjinhos” que brilham lá no alto. Ele adquire o costume de contá-los, mesmo depois de saber que não são Anjos mas estrelas. E garante que são mais de duzentas.

 Nas aulas de catecismo toma contato com a estrela dos Reis Magos, e aprende que eles eram assíduos observadores dos corpos celestes. Ao seguirem, admirados, aquela luz, encontram o Messias, Luz dos povos.

 Por ocasião de seu aniversário, recebe um presente especial: visita ao planetário, que o põe em contato com os horizontes do mundo sideral, tirando-lhe da cabeça, entretanto, a ideia de, um belo dia, conseguir contar todas as estrelas…

  Nem Abraão – Tal como Celestino, todos nós somos desejosos de conhecer sempre mais sobre o vastíssimo Universo material. Sabemos o peso da Terra e as distâncias entre o Sol e os seus planetas. A existência de constelações e galáxias não nos é estranha.

Estrelas
Quantas estrelas tem no céu?

 Mas esta indagação – quantos astros tem no céu? – continua sem resposta, desde o desafio do Criador a Abraão: “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!” (Gênesis 15, 5). Celestino não se julga mais capaz que o Patriarca, tanto mais que nem os astrônomos com seus potentes telescópios conseguem dar a volta no assunto.

  Agora, os Anjos – Ciente de que a Sabedoria “é mais bela que o sol e ultrapassa o conjunto dos astros” (Sb 7, 29), o estudante Celestino dirige suas investigações ao mundo dos Anjos. Para isso, bate à porta da exegese e da teologia, sendo bem recebido por ambas.

 Dois evangelistas e um teólogo fornecem pistas bem interessantes. São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja, aplica a parábola evangélica (cf. Mateus 18, 12 e Lucas 15, 4-7) da ovelha que se perde enquanto as outras 99 permanecem no campo, à proporção existente entre Anjos e homens: cada ser humano corresponderia a 99 Anjos bons.

 Logo, sabendo-se quantos homens e mulheres nasceram desde o primeiro casal até hoje, é só multiplicar por 99. E esta informação Celestino já conseguiu, fornecida por uma entidade de estudos demográficos, que estima em 106.000.000.000 (cento e seis bilhões) o número de pessoas que já viveram na Terra. Ele já fez a conta: o total dos espíritos celestes seria então de 10.494.000.000.000 (dez trilhões e quatrocentos e noventa e quatro bilhões)!

 Tudo isso? Só isso?

 Tem mais. Se alguém achasse que a cifra acima é exagerada, estaria querendo impor limites ao Deus Onipotente, criador de um Universo tão vasto que os especialistas não conseguem abarcar. Mas fazem estimativas como estas: um trilhão de galáxias, com cem trilhões de bilhões de estrelas!

 Tudo isso disposto em perfeita ordem, em espaços tão grandes que nossos raquíticos quilômetros não abarcam, e foi preciso inventar uma medida baseada na velocidade da luz. Um ano luz equivale a mais de nove trilhões de quilômetros. A galáxia vizinha de nossa Via Láctea fica a 2,54 milhões de anos luz. Ainda bem que o Sol dista da Terra apenas 150 milhões de quilômetros (8 minutos-luz).Terra

  Miríades de miríades – Mas os estudos de Celestino não param aí. Se o Universo material tem tal magnitude, o que dizer do espiritual? Ele tenta, então, através de aproximações e comparações, estabelecer patamares compatíveis com a grandeza de Deus.

 Nesse sentido, os dados citados acima podem ajudar muito. Se, novamente segundo São Tomás (cf Suma Teológica. I, q. 61, a. 4), os astros são governados por Anjos, o número desses espíritos celestes seria pelo menos a soma dos Anjos da Guarda pessoais (10 trilhões) mais os governadores dos corpos celestes. Sem falar nos guardiães de países, regiões, cidades, bairros, instituições, famílias etc.

 São dados que colocam nosso estudante na rota da Angeologia. Pois está impressionado com o número de Anjos que Deus criou. Ele, que já desistiu de contar os corpos celestes, sabe agora que aqueles são muitíssimo mais numerosos do que estes. São incontáveis, portanto.

Anjos
Junto com os bem-aventurados, os Anjos louvam a Deus e executam Suas ordens

 “Na minha visão ouvi (…) a voz de muitos Anjos, em número de miríades de miríades e de milhares de milhares (…)”, é o que consegue observar São João Evangelista no Apocalipse (cf 5, 11-12).

  Angeologia – Com efeito, os Anjos são constituídos hierarquicamente por ordens ou coros com a missão de glorificar a Santíssima Trindade. Servidores e mensageiros, executam as ordens divinas, entre as quais governar o Universo e proteger os seres humanos com vistas à salvação eterna.

 Para cada um de nós, ao nascer, Deus designa um Anjo da Guarda. Poderosíssimo amigo, zeloso e sábio, pode nos ajudar em cada instante do dia e da noite, desde que peçamos. Mas, ele é tão discreto, que quase nos esquecemos de sua presença contínua ao nosso lado.

 Celestino passa, então, de contador de estrelas a admirador, propagador e devoto dos Anjos. E acostuma-se a considerar, na rotina de sua vida, a presença constante do Anjo custódio, com a certeza de que nunca está só, e que ele vai ajudá-lo a transpor os umbrais do Paraíso. Aí poderá, inclusive, fazer maravilhosas excursões pelo universo sideral, na companhia de Anjos e Santos (Obra consultada: A Criação e os Anjos. Conheça a sua Fé. São Paulo: 2014, págs. 3, 14-17, 73-77 e 84).

O Universo ou o ímpio?

A maior obra de Deus

PARIS, 1256. Plena Idade Média. Do solo fértil da Cristandade brotam virtudes, artes, universidades. A vida estudantil e acadêmica é intensa. Alguns estudantes precisam fazer uma redação respondendo a pergunta simples, que talvez contenha certa complexidade. Vejamos como eles se posicionam.

Um deles, em pouco tempo julga já ter resolvido a questão com uma curta resposta, e pronto.

Outro, cauteloso e com boa cota de humildade, vai à procura dos mestres, formula a pergunta, e estes – mostrando-se também humildes – lhe indicam:

Pergunte ao Frei Tomás

– Olhe, é melhor indagar ao Frei Tomás.

– Desculpe-me incomodá-lo, Frei Tomás, mas o Sr. poderia esclarecer-me uma questão?

– Jovem, formule-a.

– É uma pergunta curta, mas aqueles mestres ali disseram para eu procurar o Sr.. Preciso saber qual é a maior obra de Deus.

Aquele que futuramente seria chamado de Doutor Angélico responde prontamente, fazendo uma sutil distinção ao indicar que a grandeza de uma obra pode ser determinada debaixo de dois pontos de vista: pelo modo de obrar e pela magnitude do resultado obtido. Sob o primeiro aspecto a criação é a Sua maior obra, pois foi do nada que Ele criou o Universo.

A justificação do ímpio – Porém, de acordo com o segundo, a maior obra é a justificação do ímpio, pois o seu término é o bem eterno da bem-aventurança, que é ainda mais excelente do que a criação do Céu e da Terra (cf. S. Th. I-II, q. 113, a. 9).

Percebendo uma ponta de surpresa no consulente, Frei Tomás de Aquino refuta uma possível objeção de que a conversão de um incrédulo seria fruto de raciocínios que movem a pessoa a mudar de vida, e acrescenta:

– “O homem não pode de modo algum levantar-se por si mesmo do pecado sem o auxílio da graça” (I-II, q. 109, a. 7).

E para reforçar tão lógicos argumentos, recorre a Santo Agostinho (354-430), um dos convertidos mais célebres da História, que experimentou em si mesmo a excelência da graça da conversão e como a misericórdia de Deus realmente é superior a todas as Suas obras:

– Julgue quem puder se é mais criar Anjos justos ou justificar [homens] ímpios. Certamente se as duas coisas supõem o mesmo poder, a segunda requer mais misericórdia.

Vivendo e aprendendo

– E ainda: é mais excelente tornar justo um pecador do que criar o Céu e a Terra, porque estes passarão, mas a justificação dos predestinados permanecerá para sempre.

Nem seria preciso dizer que os mestres acima referidos não perderam a oportunidade de ouvir as explicitações do já famoso teólogo dominicano.

E se o imaginário estudante ficou contente com a nota obtida, nós nos exultamos com tão angélica e real argumentação do Doutor Angélico. Argumentação esta que nos coloca numa clave elevada, posicionando nossas almas para considerar as coisas celestes.

Texto consultado: Qual a maior obra de Deus?http://blog.praecones.org/category/perguntas-e-respostas/