Grande lição de uma pequena

Procedimento esquecido, mesmo na pandemia

APESAR de garota ainda, Estelita é muito esperta. Ouvindo falar sobre os poucos dias de vida que restam ao avô, procura se informar, por su cuenta, sobre os procedimentos nestes casos. E nota que sua família, que é católica, já previu tudo, ou melhor, quase tudo: os documentos, a funerária.

Entra na conversa e pergunta se já contataram o padre José para dar ao vô a unção dos enfermos. Notando desinteresse pelo assunto, ela não desanima: assume ares de catequista e explica que esse sacramento da Igreja Católica — também conhecido como extrema unção — tem por objetivo salvar a alma da pessoa que esteja em risco de vida.

A juvenil Estelita se expressa com muita convicção, e ninguém ousa levantar a voz contra essa prática tradicional católica, tão incompreendida hoje em dia.

Nestes tempos de covid19, quanta falta fazem as Estelitas nas famílias, nos hospitais!

Com efeito, todo mundo quer felicidade terrena, e o desejo de que a alma de um parente vá para a felicidade eterna, está cada vez mais distante das cogitações.

São José, falecido entre Jesus e Maria, é poderoso protetor dos moribundos.

Entretanto, São Tiago, exprimindo o pensamento de Cristo, afirma: Alguém dentre vós está doente? Mande chamar um padre da Igreja Católica para que ore sobre ele, ungindo-o com o óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé; se tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados (cf Tg 5, 14-15).

E conclui: “Pela sagrada unção dos enfermos e pela oração dos presbíteros, a Igreja toda entrega os doentes aos cuidados do Senhor sofredor e glorificado, para que os alivie e salve (cf. 16).

É o que confirma o Catecismo, nº 1527: “O sacramento da unção dos enfermos tem por finalidade conferir uma graça especial ao cristão que está passando pelas dificuldades inerentes ao estado de enfermidade grave ou de velhice”.

Esse sacramento traz salvação e alívio na fraqueza física e espiritual; une o doente à paixão de Cristo, para seu bem e de toda a Igreja; e confere o perdão dos pecados, se o doente não puder confessar.

Sem medo nem constrangimento, os católicos devem pedir para si e para seus familiares, o conforto desse sacramento, em tempo oportuno, para que possam participar conscientemente da sua celebração. Deve-se evitar quanto possível chamar o padre quando o doente já entrou em coma.

As dioceses e paróquias católicas geralmente têm normas específicas a respeito desse importante mas tão esquecido sacramento. #