No século de São Tomás

O contexto, os contemporâneos, as obras

  NESTAS breves notas sobre São Tomás de Aquino, já estamos em 1248, ano em que ele é ordenado sacerdote. E o momento não poderia ser mais propício:

 O rei São Luís IX acaba de inaugurar a Capela Santa – joia do estilo gótico – para abrigar um espinho da coroa de Cristo no Calvário.

 A estrutura pétrea de um grandioso monumento do mesmo estilo já pode ser vista de toda Paris: é a catedral de Notre Dame.

 Mosteiros e conventos surgem por toda parte. Até a irmã do rei está fundando um em Longchamp, a oeste de Paris. Vai ser a abadessa. Hoje é Santa Isabel da França.

Universidade de Paris – Sorbonne

  Universidade, criação da Igreja Com a ajuda do rei, uma escola está sendo fundada (em 1253) pelo franciscano Frei Roberto Sorbon, para a qual empresta seu nome, doa seu patrimônio e escreve o regimento interno, que vigora séculos afora. Além de teólogo, ele é capelão da corte e confessor do rei. Trata-se da famosa Universidade de Paris, que começam a chamar de Sorbonne.

 Em breve, esta instituição filha da Igreja Católica e aprovada pelo Papa, terá 20.000 alunos! Eles afluem de vários países, pois está se tornando o mais importante centro de cultura e de estudos da Cristandade. E por falar em estudos, a língua latina garante a unidade neste conjunto bastante cosmopolita.

 Aí Tomás recebe o título de doutor, juntamente com Boaventura de Bagnoregio: teólogo, filósofo, doutor da Igreja, superior dos franciscanos, bispo, cardeal, santo (1219-1274).

 De aluno que era, passa a professor nesta universidade, mas só por 10 anos, porque dois Papas e os superiores requerem a presença dele em outros lugares.

Aliás, universidade é uma instituição inventada

e criada pela Igreja Católica. Esta de Paris é a segunda,

pois a ‘primogênita’ fica em Bolonha, na Itália.

  Almoçando com o rei Difícil é saber como Frei Tomás arranja tempo para escrever tanto. Só a lista de suas obras ocuparia algumas páginas. Pudera! Não é homem de perder tempo. Veja o que ele faz na presença do rei São Luís, durante um almoço.

 Antes é bom situarmos o contexto: tanto a Igreja como a coroa estão empenhadas em extirpar as heresias. Nosso teólogo é a peça chave para fornecer a boa lenha doutrinária a fim de alimentar a fogueira do amor de Deus.

 Como dizíamos, Frei Tomás, subitamente, bate na mesa e exclama: “Isto vai liquidar os maniqueus!” Alguns convivas estranham a atitude, mas o rei entende seu alcance: manda que copistas anotem o raciocínio do frade, para que não se perca uma palavra sequer. É mais uma importante munição para tão santa guerra! Pois, nestes tempos de cruzadas, até os teólogos combatem… com a caneta na mão. É preciso defender dos lobos o rebanho.

 E não faltam adversários, como Síger de Brabante, que tenta fazer aceitar pelos estudantes de Paris os erros de Averróis. Erros estes que, devido aos argumentos tomistas, acabam sendo condenados pelo Papa, salvando-se assim a boa filosofia.

  8.000.000 de palavras Suas inúmeras obras, portanto, são calcadas na realidade. Não é por acaso que um dos trabalhos do Doutor Angélico é “Suma contra os Gentios”.

 Da pena do autor da “Suma Teológica” vão saindo também: “O Ente e a Essência”, “Sermão sobre o Credo”, “Compêndio de Teologia”, “Sermões sobre o Pai Nosso e a Oração Angelical” e muito mais. São 118 obras, totalizando quase oito milhões de palavras!

 Entretanto, em 1274, na viagem para Lyon a fim de participar do Concílio, a morte o surpreende, tendo 49 anos.

 Apesar de sua pouca idade, pode-se dizer com São Paulo que ele combateu o bom combate e mereceu o prêmio da glória. O Papa João XXII o canonizou em 1323 e o Papa São Pio V, em 1567, declarou-o Doutor da Igreja, sob o título de Angélico. #