O eixo da misericórdia

 

A mecânica na explicação de

princípio teológico

AS FACILIDADES extras que a tecnologia traz à tiracolo são inúmeras. No tempo da infância de meu avô, para se saber com profundidade o significado das palavras e das expressões, era preciso, penosamente, consultar pesados livrões, escrever direitinho cada informação, para se chegar à conclusão desejada. Atualmente, basta pegar o celular, que as informações esguicham. Difícil é escolher. E muitas vezes as pesquisas nos convidam a ir — para o bem ou para o mal — aonde não imaginávamos.

Assim, a expressão eixo. Tem origem no termo latino axis. Todo menino sabe o que é, pois trata-se de uma peça indispensável a seus carrinhos de brinquedo, embora não saiba dizer quais são os incontáveis sinônimos destas duas sílabas… Tendo origem na Mecânica, transita livremente em vários ramos da atividade humana. A Geografia ensina que a própria Terra roda em torno de um eixo imaginário.

Em sentido figurado, eixo é o ponto principal, o centro, a essência de um acontecimento.

Para a História — principalmente nestes tempos de conflitos armados —, a expressão remete à Segunda Guerra Mundial, nos idos de 1939-1945, em que os países Aliados enfrentaram e venceram as potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

Uma expressão popular muito usada é ‘entrar nos eixos’, que significa voltar ao normal, seguir a regra.

Ademais, são numerosas outras analogias, utilizadas inclusive pela Filosofia e pela Teologia.

SANTO Alberto Magno (1206-1280) — professor na Sorbonne no tempo de São Tomás de Aquino —, comenta que há no Céu dois polos em torno dos quais todo o Céu gira. Um deles é Nosso Senhor Jesus Cristo, que fica situado no meio-dia, porque está cheio de luz e nele não há trevas, e o outro é Maria, Sua Mãe Santíssima.

O Céu gira em torno destes polos, com o socorro da intercessão da Mãe franqueando-nos os méritos do Redentor na Cruz. Com efeito, por intercessão de Maria e pelo sangue de Seu Filho, Deus estabelece na Terra uma grande novidade: a misericórdia! Essa virtude veio contrapor à prática vigente até então: olho por olho, dente por dente.

E o eixo dessa misericórdia — complementa o Santo teólogo — gira em volta destes dois pivôs ou polos: através da Mãe temos acesso ao Filho, e através do Filho somos apresentados ao Pai. Assim conduzidos, não receamos que nos seja recusado o perdão de nossas faltas.

Estas duas estrelas, estes dois pivôs do mundo são imóveis. Em volta deles, como em volta de dois pontos fixos necessários, gira toda a circunferência do Céu. #

 

A alma humana é cultivável?

Inclusive dos afazeres agrícolas, o Evangelho

fornece lições para a salvação

AS TONELADAS DE ÁGUA que as nuvens jogam do céu, podem atrair nossas mentes para o campo. Ajuda ou atrapalha a produção? Ao que parece, o ideal é quando há equilíbrio entre sol e chuva. Pois o plantio exige muitas providências preparatórias da terra. Providências essas que não combinam com excessos de chuva ou de estiagem. Mas Aquele que criou a Terra e tudo que ela contém, sabe o que faz.

Bem como sabe que cultivar a terra pode ter relação com a luta pela salvação eterna.

É o que nos ensina o bispo São Cesário de Arles, há mais de 1.500 anos, ao comentar Mateus 13, 18-23:

COM EFEITO, diz ele que o cuidado da nossa alma é semelhante aos preparativos para a semeadura: arranca-se de um lado e extirpa-se de outro até à raiz, para semear o bom grão.

O mesmo devemos fazer com nossa alma: arrancar o que é mau e plantar o que é bom; extirpar o que é prejudicial, transplantar o que é útil; desenraizar o orgulho e plantar a humildade; deitar fora a avareza e guardar a misericórdia; desprezar a imoralidade e amar a castidade.

Efetivamente, vós sabeis como se cultiva a terra. Em primeiro lugar, arrancam-se as silvas e atiram-se as pedras para longe; em seguida lavra-se a própria terra. Repete-se a operação duas ou três vezes, e finalmente semeia-se.

Alimento eterno Que seja assim na nossa alma: arranquemos os maus pensamentos, e em seguida retiremos as pedras, isto é, a malícia e a dureza. Por último, lavremos o nosso coração com o arado do Evangelho e a relha da Cruz. E, quebrado pela penitência, amolecido pela esmola e pela caridade, preparemo-lo para que possa receber com alegria a semente da palavra divina, e não dar apenas trinta, mas sessenta e cem vezes o seu fruto.

E conclui esse Santo do século quinto: Irmãos bem amados, quando vos apresentamos uma coisa útil para a vossa alma, que ninguém tente desculpar-se dizendo: “Não tenho tempo para ler, e é por isso que não posso conhecer os mandamentos de Deus nem observá-los”.

Evitemos as vãs tagarelices e as brincadeiras corrosivas, e veremos se não temos tempo para consagrar ao estudo da Sagrada Escritura. Pois a luz da alma e seu alimento eterno é a Palavra de Deus, sem a qual o coração não pode viver.

Foi seguindo esses tão antigos conselhos — que são de Cristo —  que uma infinidade de mulheres e de homens conseguiram adequadamente cultivar as sementes, pelos séculos afora. Promoveram assim a multiplicação dos frutos de apostolado, com o objetivo de espalhar o Evangelho por toda a Terra, ‘faça chuva ou faça sol’. #

 

Presença, olhar e perdão

“Tão misterioso é o astro que cintila no céu, quanto o verme que rasteja no pó” (Plinio Corrêa de Oliveira – Opera Omnia, vol. I, p. 213)

BELEZA * VASTIDÃO * MISTÉRIO

Apesar de muito “queimar pestanas” no estudo das ciências astronômicas, cientistas estão cientes de que não chegam a um consenso na tentativa de medir o tamanho do Universo. É finito? É infinito? Alguns estimam que as estrelas chegam a cem trilhões de bilhões! E as distâncias em anos-luz…

Mas, deixemos as criaturas com seus mistérios e consideremos alguns atributos do Criador. Sabemos que infinito é só Deus, que tudo criou, tudo vê e tudo governa. Ele está presente em tudo, e não há lugar onde Ele possa não estar. É o que nos ensina a boa teologia católica.

São Lucas garante que nós vivemos e nos movemos em Deus (cf Atos 17, 28).

Ele está presente na obra da Criação, de três modos, segundo São Tomás de Aquino:

por potência ou poder, pois tudo está submetido a seu domínio;

por presença, visão ou conhecimento, pois tudo está patente e como que descoberto a seus olhos;

por essência ou substância, pois Ele está em tudo, como causa de seu ser.

Outros modos de presença:

inabitação na alma do justo, realizada através da graça;

presença pessoal ou hipostática, única e exclusivamente de Cristo;

presença sacramental ou eucarística, na qual Jesus Cristo está realmente presente sob as espécies do pão e do vinho;

presença de visão ou manifestação, que é a do Céu: Deus está   presente em toda parte, porém, não Se deixa ver em todo lugar, mas somente no Céu; só na Visão Beatífica Ele Se manifesta face a face aos bem-aventurados.

Deus me vê – Portanto, Ele está vendo a cada um de nós, 24 horas por dia, pois o “seu olhar penetra os homens” (Salmos 10, 4). E sua pena anota no “livro da vida” (Apocalipse 3, 5) todo o nosso proceder, seja ele bom ou mau, com vistas ao dia da prestação de contas (cf Eclesiastes 12, 14).

Deus perdoa nossos pecados

Imensa misericórdia – Mas, se temos consciência de tê-Lo ofendido, não nos desesperemos, pois este Deus de tanta grandeza é também o Deus de imensa misericórdia! Aí estão a Redenção, a Igreja Católica e os sacramentos, que são meios que Ele mesmo instituiu para perdoar e… esquecer.

Sim. Estando arrependidos, façamos uma boa confissão, e Deus, além de perdoar, esquece nossos pecados. É o que nos garante São Paulo Apóstolo, em Hebreus 10, 17.

Texto consultado: Deus está em todo lugarhttp://blog.praecones.org/category/artigos/

Texto relacionado: Como confessar-se bem? – http://www.arautos.org/secoes/artigos/doutrina/catecismo/como-confessar-se-bem-143970

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