Até aos peixes

Lisboeta, paduano? É Santo Antônio

 

Coimbra, século 13. O inteligente jovem lisboeta Fernando de Bulhões adquire vasta cultura religiosa e muitas virtudes. Já é sacerdote, sob o nome de Frei Antônio. Está pronto para fazer pregações e até milagres. E faz. Vejamos:

Ele está agora à beira da praia, onde tem muita gente. Mas é gente picada pela mosca da heresia, que faz ouvidos moucos ao que ele tem a dizer.

Então, Frei Antônio entra na água, sobe a uma pedra e dirige-se aos aquáticos. Estes, surpreendentemente, se apinham em torno dele, levantam as cabecinhas e ficam interagindo, a seu modo, às suas palavras.

Isto chama a atenção da pequena multidão, que fica admirada da atitude da peixarada e de outros animais — terrestres e aéreos — que vão se aproximando. O milagre opera conversões que a pregação não estava conseguindo.

Este é um dos milagres operados por Frei Antônio, que se torna franciscano e já está a caminho da África, onde quer pregar missões. Mas uma doença o faz voltar a Portugal. Complicações náuticas obrigam o navio a aportar na ilha de Sicília. Fica esperando outra embarcação, de braços cruzados? Nada disso. Começa a evangelizar as populações que encontra.

E ainda vai a Assis, onde recebe a bênção do fundador São Francisco. Convidado a pregar um sermão, o faz com tanto conhecimento e eloquência, que é nomeado pregador.

Também a França recebe sua influência, onde exerce marcante atuação, não tão grande quanto recebe a Península, onde muitas cidades assistem a suas pregações e seus milagres.

Ora é um asno que se ajoelha diante da Sagrada Hóstia, convertendo assim um incrédulo do Sacramento; ora é um trabalhador caindo da construção, e o Santo o paralisa no ar até ser socorrido; e também o caso de uma jovem sua devota, tão desesperada para arranjar um noivo, que joga pela janela uma pequena imagem de Santo Antônio, que cai sobre um rapaz, e este se interessa pela moça, resultando em casamento!

Além do apostolado e dos milagres, consegue também que a prefeitura de Pádua amenize as duras penas dos que devem impostos e não conseguem pagar. #

 

Abelhas milagrosas de Santa Rita

Origem e fundamento dos milagres:

a fé em Jesus Cristo

  ABELHAS enxameam o rosto de um bebê, não o ferroam e ainda deixam mel em sua boca. É possível isso?

 Não é, mas aconteceu com Margherita. Trabalhando no campo, seus pais a deixam bem acondicionadinha à sombra de uma árvore. Um vizinho com uma mão aleijada vê abelhas brancas esvoaçando sobre o berço improvisado, e apressa-se em espantá-las. Grande é a surpresa quando nota que sua mão tinha sido curada!

 Aproximam-se os pais e notam que as abelhas entram e saem da boquinha da bebê, depositando mel em sua língua. Isto se dá poucos dias depois do seu batizado.

 E este não é o primeiro impossível de Santa Rita de Cássia. O próprio nascimento dela se dá em condições miraculosas, pois seus pais já eram idosos.

 Já que o assunto é abelha, é possível alguém conseguir que um enxame delas, todo ano em data fixa, apareça em determinado lugar? Impossível!

 Não para Santa Rita. Após sua morte, aquelas mesmas abelhas brancas começaram a aparecer todo ano no mosteiro das agostinianas, onde ela viveu seus últimos anos. Chegavam lá na Semana Santa e ficavam até o dia 22 de maio. Depois se retiravam, para retornar no ano seguinte. Até hoje podem ser vistos pelos peregrinos os buraquinhos feitos por elas nos muros do mosteiro.

 E qual a possibilidade de uma parreira totalmente seca voltar a dar uvas?

 Nenhuma. Mas, em obediência à ordem da superiora, aconteceu com a Irmã Rita.

 A fé nos torna fortes como Deus – Ora, são milhares os milagres operados por intermédio desta santa, bem como por outros Santos e Anjos. Qual a razão disso?

 Veja a resposta de Jesus: “Quem crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas” (João 14, 12).

 Comenta Mons. João Clá Dias: “A fé é capaz de mover montanhas, pois por detrás dela está o poder de Deus, e quando alguém se une à força divina pela robustez de tão valiosa virtude, torna-se forte quanto é forte o próprio Deus” (O inédito sobre os Evangelhosvol. VI. São Paulo: Inst. Lumen Sapientiae, 2012, p. 395).

 Com tantos e tão poderosos intercessores humanos e angélicos fazendo a comunicação entre o Céu e a Terra, só temos razões para confiar. #