Cosme e Damião: gêmeos, médicos, santos

 

26 de setembro

 

Padroeiros dos cirurgiões, enfermeiros

e farmacêuticos

  NA CIDADE DE EGEIA, na Arábia, por volta do ano 260, nascem dois irmãos gêmeos, de uma ilustre família nobre. O pai é morto por ordem de Diocleciano, o sanguinário imperador romano.

 A mãe, Teodata, católica fervorosa, consegue educá-los de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo.

 Estudam medicina na Síria, tornando-se competentes profissionais que curam as mais variadas doenças. Das pessoas necessitadas não cobram nada.

 Nos casos em que os remédios não conseguem resolver, recorrem ao sobrenatural. Exemplo: os santos médicos cortam a perna gangrenada de um homem, substituindo-a pela de um outro que acaba de falecer. O homem volta a andar, embora com pernas de cores diferentes, pois o morto era negro.

  Calúnias que matam ─ O fanatismo pagão não consegue suportar que os dois irmãos continuem a curar corpos e almas em nome de Jesus. Forjando então acusações falsas de feitiçaria, são presos. Interrogados, declaram: Nós curamos as doenças em nome e pelo poder de Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus que veio ao mundo para salvar nossas almas, curar as nossas fraquezas e os nossos corpos.

 Tomados por um ódio cego, os pagãos querem que reneguem a Fé, e que falem aos enfermos em nome dos deuses por eles fabricados. Divindades estas que têm boca mas não falam, têm pés mas não andam (cf Salmo 113, 12-16).

  Flechas inteligentes Com coragem sobrenatural reafirmam sua fé em Jesus Cristo. Condenados à morte com flechas, estas voltam na direção dos algozes, ferindo-os. Cheio de raiva, o prefeito ordena que sejam queimados vivos, mas o fogo não os atinge. São então decapitados a espada, na cidade síria de Cyro, no século quarto. Junto à sua sepultura acontecem muitos milagres.

 Passados dois séculos, o próprio imperador Justiniano I (527-565) é curado de uma doença perigosa por intercessão de Cosme e Damião. Em sinal de gratidão, promove suntuosa restauração da cidade em sua honra.

 Além disso, manda restaurar a igreja dos mártires em Constantinopla, que se torna um famoso lugar de peregrinação.

 O Papa Félix IV (526-530) edifica uma igreja em sua honra, em Roma.

 Paris vê surgir a primeira associação europeia de cirurgiões, nomeada Confraria de São Cosme, em 1226, extinta ‘fraternalmente’ durante a Revolução de 1789…

 No século XIX, em Portugal, os mártires ainda eram padroeiros de confrarias médicas, como a Irmandade de São Cosme. #

Aos pés do pequeno monte, grande alegria

  Acompanhe Jesus Cristo, e veja como foi a

ressurreição do filho da viúva

(Lc 7, 11-16)

  NAIM ─ aldeia situada na encosta setentrional do pequeno Hermon, a trinta e oito quilômetros aproximadamente de Cafarnaum ─ foi teatro de um dos maiores milagres de Jesus.

 Caía a tarde. O sol estava a ponto de esconder-se atrás das montanhas, quando o Salvador, acompanhado de seus discípulos e de uma multidão que não podia separar-se dEle, subia pelo estreito caminho que dava acesso ao lugar.

 Próximo da porta da aldeia, teve de ceder o passo a outro cortejo que dali saia em direção contrária. Era um enterro. Sobre um esquife, sem caixão, conduziam o cadáver dum jovem envolto num lençol.

 Atrás vinha com os parentes e amigos a mãe muito triste e desolada. Era viúva, e o defunto, quase menino ainda, era seu único filho e seu futuro arrimo. Morrera. Que seria dela dali em diante?

 Informado do que se passava, Jesus, sempre misericordioso e compassivo, disse àquela viúva inconsolável:

  ─ Não chores, filha.

 E aproximando-se do féretro, fez sinal para que parassem e o deitassem no solo. Toda gente se apinhou ao redor do Salvador. Que iria acontecer?

 Os entusiastas do divino Taumaturgo estavam acostumados a vê-lo operar estupendos milagres; mas, com um morto, que era levado à sepultura, que poderia Ele fazer?

 Os olhos daquela gente, arregalados pela curiosidade, não perdiam os menores movimentos do Mestre Jesus, olhando para o cadáver daquele rapaz, pálido e rígido pelo frio da morte, ordena-lhe em tom imperativo:

  ─ Moço, eu te digo, levanta-te!

 O calafrio da emoção eletrizou os circunstantes. Não havia dúvida, o morto ressuscitara. Todos podiam ver como o cadáver se movia e a sua cor lívida desaparecia; os olhos brilhavam, os lábios abriam-se; o defunto falava.

 Já não está morto. Vive; vive a sua vida plena.

 E Jesus, tomando-o pela mão, entrega-o à mãe, que, derramando lágrimas de comoção e alegria, prostra-se por terra para dar graças ao Senhor da vida e da morte (Pe. FRANCISCO ALVES – Tesouro de Exemplos – Ed Vozes – Petrópolis, RJ – 1958 – p. 10-11). #

50 milagres bíblicos