Quaresma, portal da Páscoa

Por que Nosso Senhor foi tentado

pelo demônio?

  Nos primeiros séculos do Cristianismo a preparação para a Páscoa constava de jejum nos três dias anteriores à festa. A partir do século quarto é que esse tempo preparatório foi estendido para quarenta dias, de Quarta-Feira de Cinzas (após o Carnaval) à Quinta-Feira Santa, e passou a ser chamado de quaresma, originário do latim quadraginta = quarenta. Quaresma dá origem a quaresmeira.

 O principal fundamento bíblico dessa vigília penitencial não poderia ser outro senão o retiro de Jesus no deserto, durante quarenta dias, onde foi tentado pelo demônio (Lucas 4, 1-13), em todo esse período. Episódio este que foi antecedido pelo Batismo de Jesus no rio Jordão, feito por São João Batista.

 Nessa perspectiva simbólica, outras passagens da Sagrada Escritura reforçam o acerto da quarentena de dias antes da Páscoa: os 40 anos da peregrinação do povo eleito rumo à terra prometida; os 40 dias em que Moisés jejuou no Monte Sinai; os 40 dias da caminhada de Elias até o Monte Horeb, etc.

O Homem Deus vencendo
o pai da mentira!

Por qual motivo Cristo permitiu que satanás O tentasse? – Responde-nos Mons. João Scognamiglio Clá Dias: segundo alguns Padres da Igreja, Nosso Senhor quis ser exemplo para nós, indicando o modo de vencer as tentações diabólicas. Assim como na Cruz venceu a nossa morte, no deserto triunfou sobre as tentações que nos assaltam.

 E as investidas do demônio visam de modo especial as pessoas adiantadas na virtude. Pois, conseguindo vencê-las, sua vitória é mais retumbante.

 Por outro lado, Jesus, submetendo-Se a essas tentações, ensina-nos a termos confiança na misericórdia dEle, que ― segundo São Paulo em Hebreus 4, 15 ―, “passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado” (cf O inédito sobre os Evangelhos – vol. V – p. 179-180). #

Nababo, sofrimento e glória

Caprichos de nababo fazem lembrar equilíbrio

entre felicidade e sofrimento

  NA noite dos tempos, lá no longínquo Oriente, um nababo muito rico – perdoe-nos o pleonasmo… – e egoísta, empregava boa parte de suas fortunas para evitar o sofrimento.

 Construído em bonita região, seu palácio foi calculado, da localização ao layout, tendo essa ideia como fundo de quadro. Montes abatidos, vales nivelados – até parece que aplicava em proveito próprio a mensagem do Batista (cf Lucas 3, 4-6) –, para que a estrada, com curvas suaves, não apresentasse nenhum incômodo.

 Sua carruagem estacionava bem junto ao palácio, onde tinha um carrinho confortável, que dava acesso às portas de todas as dependências. Nem é preciso dizer que estas se situavam todas no plano terra-terra, símbolo da mentalidade do personagem.

 Sobre as iguarias de sua mesa nem falemos, pois o requinte dessa mentalidade se concentrava em seu leito, preparado com os mais delicados materiais , inclusive camadas de pétalas de rosas, dispostas cuidadosamente.

 Mesmo assim, em certo dia, nosso nababo amanheceu queixoso de dores. Por quê? Depois de muito procurar, descobriu-se a causa: havia uma pétala dobrada…

  Oitavo sacramento? Esta historinha ilustra bem o Evangelho de São Mateus 13, 31-35. Com efeito, alguém com a mentalidade pintada acima, alcançaria ser feliz nesta Terra? E na eternidade?

“É no sofrimento que se encontra a porta da autêntica felicidade, e no amor ao próximo o sinal característico do cristão. (…) Querer programar uma vida sem sofrimento é algo impossível, pois não há ninguém livre de contrariedades”, afirma Mons. João Scognamiglio Clá Dias (O inédito sobre os Evangelhos – volume V – São Paulo: Lumen Sapientiae, 2012 , p. 325).

Santos no Céu
Santos no Céu: felicidade eterna

 O fundador dos Arautos do Evangelho, citando autores conceituados, explana sobre a necessidade – para equilibrar nossa natureza desordenada – da aceitação da dor e do exercício do sofrimento, o que poderia ser um “oitavo sacramento” (Idem, cf. p. 326). E acrescenta:

“Deus, que nos criou ávidos de encontrar a felicidade, também colocou em nossa alma a capacidade de sofrer” (Idem, p. 327). Diante da dor não se deve perder o ânimo. “Pelo contrário, quando a cruz se apresentar, cabe-nos imitar Nosso Senhor Jesus Cristo: ajoelharmo-nos, oscular o instrumento de nossa amargura e pô-lo aos ombros com determinação, certos de que assim se inicia o caminho da nossa glória” (Idem, p. 331).

 Afirma ainda Mons. João que nem sequer vamos nos lembrar das dificuldades que tivemos neste mundo, pois o estado de prova terá passado como num piscar de olhos. Restará apenas a bem-aventurança (cf idem, p. 337).

 Eis aí algumas pontas de trilho que podem sinalizar boa viagem à locomotiva de nossa fé, para não termos surpresas desagradáveis na chegada à estação terminal. #

Certezas de Fátima, vitória de Cristo

No ano de 1917, durante as tragédias da Primeira Guerra Mundial, em Fátima, Portugal, a Virgem Maria advertiu o mundo, através de três pastorinhos, de outros acontecimentos trágicos que viriam, caso a humanidade não desse ouvidos à sua admoestação.

Pedia Ela também, de forma materna e insistente, a conversão; caso contrário, duras perseguições se desencadeariam contra a Igreja, e a mão de Deus puniria a Terra por sua infidelidade. O futuro estava nas mãos dos homens. Deles dependeria atrair sobre si o perdão ou a desgraça.

  Jacinta, Lúcia e Francisco – os pastorinhos mensageiros do Céu 

Quem deu ouvidos à Mãe de Deus? Houve a expansão dos erros do comunismo ateu, a partir da revolução bolchevique eclodida na Rússia, bem como a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Agravando o quadro, as crises morais cobrem todo o orbe, fazendo alguns recearem que a humanidade esteja como um doente em fase terminal. Mas, o bom senso mostra não estar de acordo com os planos de Deus que o mundo termine sem que a Santa Igreja atinja toda a perfeição para a qual foi chamada.

Por este motivo, com base nas profecias de Fátima – que são palavras de esperança e certeza da vitória –, pode-se conjecturar que haja um período, antes do fim do mundo, no qual Maria será Soberana, Rainha dos corações.

A era histórica que virá como uma grande misericórdia é o Reino de Maria previsto por São Luís Maria Grignion de Montfort. Será o triunfo do Imaculado Coração de Maria, anunciado por Nossa Senhora aos pastorinhos.

Ora, o que significa este triunfo? Assim como em Caná o melhor vinho foi servido ao final, também na História da humanidade Nosso Senhor parece querer deixar a última palavra para sua Mãe Santíssima:

“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”

Tenhamos a certeza que o triunfo d’Ela é o triunfo de Cristo. É o Reino de Maria no Reino de Cristo!

Resumo baseado no livro de 158 páginas do Mons. João Scognamiglio Clá Dias: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!” – Lumen Sapientiae, S. Paulo, 2017, p. 7-8 e 15-16, que pode ser encontrado na livraria Lumen Católica. Tem também a Versão digital no site da Amazon.