Por quê não se pode comer carne na Sexta-Feira Santa?

Jejuar e abster-se de carne nesse dia é um suave preceito da

Igreja Católica, em seu 4º Mandamento

  QUARESMA é um tempo de graças durante o qual a Igreja convida todos os seus filhos a se prepararem para compreender e receber melhor o significado e os frutos do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo no mistério de sua Paixão, Morte e Ressurreição. Esta preparação é realizada principalmente através do jejum, da oração e da esmola (Cf. Mt 6, 1-18).

  O jejum, em todos os tempos, sempre foi considerado como uma manifestação do espírito de penitência, grato ao Senhor.

 Vemos a rainha Ester implorando o auxílio de Deus para salvar o povo judeu do extermínio, praticando o jejum (cf. Est 4, 16).

 O Rei Acab suplicando e obtendo o perdão do seu erro, através do jejum (cf. 1Rs 21, 27).

 A vitória de Judite contra Holofernes tendo em sua raiz o jejum realizado por ela e por todo o povo hebreu (cf. Jd 4, 8).

 Mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo quis iniciar sua vida pública praticando um jejum de quarenta dias em expiação pelos nossos pecados (cf. Lc 4, 2). Ele ensina aos Apóstolos que há certos demônios que só podem ser expulsos através do jejum e da oração (cf. Mt 17, 20).

    Agradável a Deus A prática do jejum não deve ser algo meramente exterior, mas deve partir, sobretudo, do coração da pessoa. Deus, através do profeta Isaías, repreende aqueles que no dia do jejum tratam de negócios e oprimem os empregados, fazem litígios, brigas e agressões impiedosas (cf. Is 58, 3-4). Não é este o jejum que agrada a Deus, mas sim aquele que parte de um coração profundamente entregue a Ele.

 Mortificando o corpo, a pessoa consegue fortalecer o espírito para vencer na luta constante contra as tentações.

  Norma suave A Igreja exige dos fiéis apenas dois dias de jejum ao ano: na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. Sendo que é apenas um jejum parcial, ou seja, podendo fazer uma refeição completa e duas leves no dia, e não comendo nada nos intervalos.

 O jejum é para maiores de 18 anos até os 59 anos completos. Grávidas, pessoas doentes ou que estão muito debilitadas, não estão obrigadas a cumprir este preceito.

  Jejum das palavras Além da prática da penitência interna e individual com o jejum dos alimentos, a Igreja recomenda vivamente a penitência externa e social com a prática do jejum da língua ou das palavras, evitando, por exemplo, comentar os defeitos dos outros; da audição, evitando ouvir conversas que possam denegrir a alguém, músicas que ofendam a Deus; entre tantos outros. Tudo isso deve ser realizado constantemente, mas de modo especial no período quaresmal.

 Possa este tempo de Quaresma ser ocasião de bênçãos e de purificação para todos, buscando a prática de um jejum que seja grato ao Senhor. (Jejum que agrada a Deus)

  Não comer carne A Igreja recomenda que, em certos dias (ver abaixo) não comamos carne. Peixe e frutos do mar podem ser consumidos nesses dias.

 O Código de Direito Canônico (CIC) determina que se pratique a abstinência de carne em toda a Igreja, todas as sextas-feiras do ano e durante o tempo da Quaresma (CIC 1250), ficando a critério de cada conferência episcopal definir a sua observância.

 No caso do Brasil, a CNBB substitui a abstinência de carne das sextas-feiras da Quaresma por “outras formas de penitência, principalmente obras de caridade e exercícios de piedade” (CIC 1253). Fica como obrigatória para os católicos brasileiros maiores de quatorze anos, a Quarta-Feira de Cinzas e a Sexta-Feira Santa. (cf Polyana Gonzaga – a12.com).  #

Quaresma, portal da Páscoa

Por que Nosso Senhor foi tentado

pelo demônio?

  Nos primeiros séculos do Cristianismo a preparação para a Páscoa constava de jejum nos três dias anteriores à festa. A partir do século quarto é que esse tempo preparatório foi estendido para quarenta dias, de Quarta-Feira de Cinzas (após o Carnaval) à Quinta-Feira Santa, e passou a ser chamado de quaresma, originário do latim quadraginta = quarenta. Quaresma dá origem a quaresmeira.

 O principal fundamento bíblico dessa vigília penitencial não poderia ser outro senão o retiro de Jesus no deserto, durante quarenta dias, onde foi tentado pelo demônio (Lucas 4, 1-13), em todo esse período. Episódio este que foi antecedido pelo Batismo de Jesus no rio Jordão, feito por São João Batista.

 Nessa perspectiva simbólica, outras passagens da Sagrada Escritura reforçam o acerto da quarentena de dias antes da Páscoa: os 40 anos da peregrinação do povo eleito rumo à terra prometida; os 40 dias em que Moisés jejuou no Monte Sinai; os 40 dias da caminhada de Elias até o Monte Horeb, etc.

O Homem Deus vencendo
o pai da mentira!

Por qual motivo Cristo permitiu que satanás O tentasse? – Responde-nos Mons. João Scognamiglio Clá Dias: segundo alguns Padres da Igreja, Nosso Senhor quis ser exemplo para nós, indicando o modo de vencer as tentações diabólicas. Assim como na Cruz venceu a nossa morte, no deserto triunfou sobre as tentações que nos assaltam.

 E as investidas do demônio visam de modo especial as pessoas adiantadas na virtude. Pois, conseguindo vencê-las, sua vitória é mais retumbante.

 Por outro lado, Jesus, submetendo-Se a essas tentações, ensina-nos a termos confiança na misericórdia dEle, que ― segundo São Paulo em Hebreus 4, 15 ―, “passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado” (cf O inédito sobre os Evangelhos – vol. V – p. 179-180). #