A alma humana é cultivável?

Inclusive dos afazeres agrícolas, o Evangelho

fornece lições para a salvação

AS TONELADAS DE ÁGUA que as nuvens jogam do céu, podem atrair nossas mentes para o campo. Ajuda ou atrapalha a produção? Ao que parece, o ideal é quando há equilíbrio entre sol e chuva. Pois o plantio exige muitas providências preparatórias da terra. Providências essas que não combinam com excessos de chuva ou de estiagem. Mas Aquele que criou a Terra e tudo que ela contém, sabe o que faz.

Bem como sabe que cultivar a terra pode ter relação com a luta pela salvação eterna.

É o que nos ensina o bispo São Cesário de Arles, há mais de 1.500 anos, ao comentar Mateus 13, 18-23:

COM EFEITO, diz ele que o cuidado da nossa alma é semelhante aos preparativos para a semeadura: arranca-se de um lado e extirpa-se de outro até à raiz, para semear o bom grão.

O mesmo devemos fazer com nossa alma: arrancar o que é mau e plantar o que é bom; extirpar o que é prejudicial, transplantar o que é útil; desenraizar o orgulho e plantar a humildade; deitar fora a avareza e guardar a misericórdia; desprezar a imoralidade e amar a castidade.

Efetivamente, vós sabeis como se cultiva a terra. Em primeiro lugar, arrancam-se as silvas e atiram-se as pedras para longe; em seguida lavra-se a própria terra. Repete-se a operação duas ou três vezes, e finalmente semeia-se.

Alimento eterno Que seja assim na nossa alma: arranquemos os maus pensamentos, e em seguida retiremos as pedras, isto é, a malícia e a dureza. Por último, lavremos o nosso coração com o arado do Evangelho e a relha da Cruz. E, quebrado pela penitência, amolecido pela esmola e pela caridade, preparemo-lo para que possa receber com alegria a semente da palavra divina, e não dar apenas trinta, mas sessenta e cem vezes o seu fruto.

E conclui esse Santo do século quinto: Irmãos bem amados, quando vos apresentamos uma coisa útil para a vossa alma, que ninguém tente desculpar-se dizendo: “Não tenho tempo para ler, e é por isso que não posso conhecer os mandamentos de Deus nem observá-los”.

Evitemos as vãs tagarelices e as brincadeiras corrosivas, e veremos se não temos tempo para consagrar ao estudo da Sagrada Escritura. Pois a luz da alma e seu alimento eterno é a Palavra de Deus, sem a qual o coração não pode viver.

Foi seguindo esses tão antigos conselhos — que são de Cristo —  que uma infinidade de mulheres e de homens conseguiram adequadamente cultivar as sementes, pelos séculos afora. Promoveram assim a multiplicação dos frutos de apostolado, com o objetivo de espalhar o Evangelho por toda a Terra, ‘faça chuva ou faça sol’. #

 

Grandezas da humildade – I –

O que Jesus e seus Santos ensinam

sobre esta virtude

“Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes” (Jo 4, 6).

“Quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado” (Mt 23, 12).

“Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-Me” (Lc 9, 23).

“O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 30), pois o amor suaviza o que os preceitos podem ter de penoso.

“Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 28-29). São João Cassiano comenta: Aí está, efetivamente, o que todos podem aprender e praticar. Pois a humildade é a mestra de todas as virtudes.

São Bernardo de Claraval acentua que a humildade é uma virtude pela qual o homem se tem por vil, graças a um conhecimento muito preciso de si mesmo.

‘Muitas vezes, é mais útil para a conservação da nossa humildade que os outros conheçam os nossos defeitos e os censurem. Quando uma pessoa se humilha por causa dos seus defeitos, acalma as outras facilmente e satisfaz sem custo as que com ele se iravam’ (Imitação de Cristo – Tratado espiritual do século XV).

São Basílio: O Senhor desceu do Céu até à humilhação mais profunda e, em recompensa, foi exaltado até às alturas, fazendo brilhar sua glória. Sigamos seu exemplo, para chegarmos, também nós, à glória eterna. Descubramos tudo o que Cristo nos ensina para nos conduzir à humildade.

São Máximo de Turim: Cristo Nosso Senhor, ao nascer na humildade da condição humana, qual semente, sobe ao Céu como árvore. Cristo é o grão esmagado na Paixão, que Se torna uma árvore na ressurreição. Sim, Ele é grão quando, faminto, sofre por falta de alimento; é árvore quando, com cinco pães, satisfaz a fome a cinco mil pessoas (cf Mt 14, 13s). Ali, experimenta o despojamento da sua condição humana, aqui espalha a saciedade pela força da sua divindade.

São Cesário de Arles: O cuidado da nossa alma é semelhante ao cultivo da terra. Assim como para cultivar a terra se arranca de um lado e se extirpa do outro até a raiz para semear o bom grão, o mesmo se deve fazer à nossa alma: arrancar o que é mau e plantar o que é bom; extirpar o que é prejudicial, transplantar o que é útil. #

 

São Luís de Gonzaga, padroeiro da juventude

21 de junho

Jovem, nobre, noviço jesuíta, exemplo de

pureza e humildade

     LUÍS tem tudo para ser um grande homem. Filho de um marquês, irmão de um duque, nasce em 1568. É a esperança dos Gonzaga. Com 5 anos de idade já está aprendendo as artes da legítima defesa no caso de ataques de inimigos.

     Educação clássica não falta, pois sua mãe está sempre atenta, e não o deixa também sem uma exímia formação católica. Com essa bagagem, frequenta ambientes requintados da alta nobreza, sem perder de vista seu objetivo.

     Mas, o que pretende este menino? Não vai querer prolongar a fama da família Gonzaga?

     Vai. Mas com outras armas, como veremos a seguir.

     Luís tem pouca idade e muita decisão. Passa alguns anos na Espanha, onde estuda filosofia numa universidade, e aprofunda seu conhecimento da doutrina católica.

     Já decidido a permanecer virgem, recebe a primeira comunhão das mãos de São Carlos Borromeu, e opta pela vida religiosa. Vai ser jesuíta, ou seja, da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola.

     Renunciando a seu padrão de nobreza, prefere executar os trabalhos mais humildes. Ao tomar uma decisão, pergunta a si mesmo o que é melhor, em vista da eternidade.

     Entretanto, nas ruas de Roma, ajudando pessoas vitimadas pela epidemia de tifo, é contagiado pela doença. Passados alguns meses de sofrimento, falece no dia 21 de junho de 1591, tendo só 23 anos.

     Canonizado em 1726, estará sempre no calendário dos Santos, perpetuando assim a memória de sua família junto ao trono de Deus e à lembrança dos homens!

     São Luís Gonzaga é considerado padroeiro da juventude e dos estudantes. #

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