Grandezas da humildade – I –

O que Jesus e seus Santos ensinam

sobre esta virtude

“Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes” (Jo 4, 6).

“Quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado” (Mt 23, 12).

“Se alguém quiser vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-Me” (Lc 9, 23).

“O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 30), pois o amor suaviza o que os preceitos podem ter de penoso.

“Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 28-29). São João Cassiano comenta: Aí está, efetivamente, o que todos podem aprender e praticar. Pois a humildade é a mestra de todas as virtudes.

São Bernardo de Claraval acentua que a humildade é uma virtude pela qual o homem se tem por vil, graças a um conhecimento muito preciso de si mesmo.

‘Muitas vezes, é mais útil para a conservação da nossa humildade que os outros conheçam os nossos defeitos e os censurem. Quando uma pessoa se humilha por causa dos seus defeitos, acalma as outras facilmente e satisfaz sem custo as que com ele se iravam’ (Imitação de Cristo – Tratado espiritual do século XV).

São Basílio: O Senhor desceu do Céu até à humilhação mais profunda e, em recompensa, foi exaltado até às alturas, fazendo brilhar sua glória. Sigamos seu exemplo, para chegarmos, também nós, à glória eterna. Descubramos tudo o que Cristo nos ensina para nos conduzir à humildade.

São Máximo de Turim: Cristo Nosso Senhor, ao nascer na humildade da condição humana, qual semente, sobe ao Céu como árvore. Cristo é o grão esmagado na Paixão, que Se torna uma árvore na ressurreição. Sim, Ele é grão quando, faminto, sofre por falta de alimento; é árvore quando, com cinco pães, satisfaz a fome a cinco mil pessoas (cf Mt 14, 13s). Ali, experimenta o despojamento da sua condição humana, aqui espalha a saciedade pela força da sua divindade.

São Cesário de Arles: O cuidado da nossa alma é semelhante ao cultivo da terra. Assim como para cultivar a terra se arranca de um lado e se extirpa do outro até a raiz para semear o bom grão, o mesmo se deve fazer à nossa alma: arrancar o que é mau e plantar o que é bom; extirpar o que é prejudicial, transplantar o que é útil. #

 

São Luís de Gonzaga, padroeiro da juventude

21 de junho

Jovem, nobre, noviço jesuíta, exemplo de

pureza e humildade

  LUÍS tem tudo para ser um grande homem. Filho de um marquês, irmão de um duque, nasce em 1568. É a esperança dos Gonzaga. Com 5 anos de idade já está aprendendo as artes da legítima defesa no caso de ataques de inimigos.

 Educação clássica não falta, pois sua mãe está sempre atenta, e não o deixa também sem uma exímia formação católica. Com essa bagagem, frequenta ambientes requintados da alta nobreza, sem perder de vista seu objetivo.

 Mas, o que pretende este menino? Não vai querer prolongar a fama da família Gonzaga?

 Vai. Mas com outras armas, como veremos a seguir.

 Luís tem pouca idade e muita decisão. Passa alguns anos na Espanha, onde estuda filosofia numa universidade, e aprofunda seu conhecimento da doutrina católica.

 Já decidido a permanecer virgem, recebe a primeira comunhão das mãos de São Carlos Borromeu, e opta pela vida religiosa. Vai ser jesuíta, ou seja, da Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola.

 Renunciando a seu padrão de nobreza, prefere executar os trabalhos mais humildes. Ao tomar uma decisão, pergunta a si mesmo o que é melhor, em vista da eternidade.

 Entretanto, nas ruas de Roma, ajudando pessoas vitimadas pela epidemia de tifo, é contagiado pela doença. Passados alguns meses de sofrimento, falece no dia 21 de junho de 1591, tendo só 23 anos.

 Canonizado em 1726, estará sempre no calendário dos Santos, perpetuando assim a memória de sua família junto ao trono de Deus e à lembrança dos homens!

 São Luís Gonzaga é considerado padroeiro da juventude e dos estudantes. #

  Mais informações.

Santa Hildegarda de Bingen

MÉDICA   *    ESCRITORA   *   MÍSTICA

DOUTORA  DA  IGREJA

  NUMA maravilhosa e bucólica região do Reno, andando pelas imediações do castelo da família, menina de 3 anos aponta numa direção e exclama entusiasmada para sua acompanhante: “Olha ali, que bezerrinho bonito! É todo branco, com algumas manchas escuras”. Bezerro

 Mas não era um pequeno bezerro mas uma grande vaca. A moça conta o fato para a mãe. Ambas riem a valer e concordam tratar-se de alguma fantasia de criança.

 Ledo engano. Passados alguns dias nasce um bezerrinho com as características indicadas. O riso cede lugar à admiração!

 Este é dos primeiros sinais da predestinação de Hildegarda, nascida em 1098, de família nobre e rica. A alegria dos pais e dos nove irmãos cresce à medida que percebem ser muito inteligente. Sinais de dons místicos começam a aparecer, não sendo descartável o desabrochar de uma vocação religiosa.

Isto se dá num contexto de heroísmo. A Terra Santa está

dominada por inimigos da religião. Os peregrinos são hostilizados.

Como pode o Santo Sepulcro de Cristo continuar em mãos de infiéis?

A Guerra Santa é convocada pelo Papa Urbano II em 1095.

Em 1099 acontece a tomada de Jerusalém, pois o entusiasmo pelas Cruzadas havia assumido os europeus. Por muitos anos.

O mesmo zelo religioso que leva os homens a lutar nas Cruzadas,

atrai as mulheres para os conventos.

 Esse clima de fervor heroico não pode ter deixado de influenciar nossa pequena Hildegarda, atenta às conversas nos serões familiares.

 Com oito aninhos os pais a introduzem num convento beneditino sob os cuidados de uma moça que sabiam ser muito virtuosa: Jutta de Spanheim, condessa que renunciou às comodidades do mundo, tornando-se monja, abadessa e bem-aventurada.

  Mística – A vida recolhida e o carisma beneditino vão moldando a alma de Hildegarda de acordo com puríssimo ideal monástico: refletir em todos os aspectos da existência as perfeições de Jesus Cristo.

 É o ambiente ideal para acolher bem as comunicações divinas: visões e revelações que vão acompanhá-la durante toda a vida.

S. Hildegarda
Hildegarda recebe revelações de Deus e as divulga oralmente e por escrito

 Com isso, vai se preparando para o cumprimento de sua missão junto a pessoas importantes e ao povo pobre, bem como para os séculos futuros. Pois, os ensinamentos dela têm agora a mesma ou maior atualidade do que quando estava viva, há mais de 8 séculos.

  Abadessa dinâmica – Falecida a tutora Jutta, sua discípula Hildegarda é escolhida para dirigir a abadia. Ela orienta aquelas almas com tanta sabedoria que foi preciso fundar mais dois mosteiros para acolher as novas e numerosas vocações.

 Entretanto, suas muitas atividades não a impedem de anotar as revelações divinas, que recebem a aprovação do Bem-aventurado Eugênio III, papa de 1145 a 1153, e elogios do fundador dos cistercienses São Bernardo de Claraval, ambos contemporâneos seus.

  Escritora incomparável – Sua principal obra é “SCIVIAS – Scito Vias Domini” (Conheça os caminhos do Senhor). A linguagem é simples mas cheia de colorido local: Deus e os homens, a Criação, o Juízo universal, a salvação das almas. Considera ela o Universo criado um admirável espelho das realidades sobrenaturais e até divinas.

  Médica na teoria e na prática – A maior surpresa para quem estuda seus escritos é constatar o que ela afirma sobre assuntos de medicina: os desequilíbrios nervosos e espirituais influenciam a saúde corporal, podendo chegar à depressão. Remédio? Um regime alimentar sadio. E atende com boa vontade às monjas, bem como a qualquer pessoa que a procure.

 Hildegarda conhece como ninguém as propriedades dos vegetais, e sabe indicar seus variados usos para benefício das pessoas.Pedras

  Pedras e música – Até as pedras são analisadas por ela. Considera-as como ótimos elementos para canalizar a energia humana. Exemplo: contemplar uma safira acalma os ânimos, faz surgir sentimentos de pureza, temperança e harmonia, e afasta para longe o mal.

 Também a música foi objeto de sua atenção: compôs mais de 70 sinfonias. Observa que os sons musicais podem influenciar para o bem.

  Sermões em catedrais e praças – Em boa hora as autoridades religiosas percebem que tamanha sabedoria não podia ficar confinada em quatro paredes do mosteiro. Nas catedrais de Tréveris, Mogúncia, Colônia, Bamberg e outras, sua voz se faz ouvir por clérigos, nobres e povo miúdo, acompanhada de milagres grandes. As conversões aumentam na medida em que cresce sua fama de taumaturga.

 Os ouvintes pedem e ela atende: passa para o papel as homilias, que eram feitas de improviso. Redige também quatrocentas cartas para grandes e pequenos, sempre insistindo sobre a observância do Evangelho.

 Uma das virtudes mais salientes dela é a humildade: embora confidente do Deus Altíssimo e conselheira de grandes personalidades, não se vangloria disso.

  Grande recompensa – Suportando com altivez o peso dos sofrimentos e preocupações, adormece no Senhor, em meio a grande paz e serenidade, no dia 17 de setembro de 1179, tendo 81 anos.

 Admiradores seus começam logo a frequentar o túmulo, e os milagres operados por intercessão dela vão confirmando e intensificando a devoção (cf Rev. Arautos do Evangelho nº 69).

 O culto a Santa Hildegarda foi estendido a toda a Igreja Católica (canonização equipolente) em 10 de maio de 2012, pelo Papa Bento XVI, que no mesmo ano a declarou Doutora da Igreja:

  “A atribuição do título de Doutora da Igreja universal a Hildegarda de Bingen tem um grande significado para o mundo de hoje e uma extraordinária importância para as mulheres. (…)

 “A presença da mulher na Igreja e na sociedade é iluminada pela sua figura, tanto na óptica da pesquisa científica como na da ação pastoral” (Carta Apostólica de 7/10/2012).