Vida de Santo Agostinho

Bispo de Hipona, teólogo,

Padre da Igreja

    MILÃO, ano 386. Nesta península as comunidades cristãs já são pujantes, passados 70 anos de liberdade para a religião, por obra de Constantino. Mas isso não impede que haja heresias.

 Recém chegado aqui, um jovem inteligente e forte, cambaleia entre o maniqueísmo e o cristianismo. Incentivada pelo santo bispo Ambrósio, Mônica reza ardentemente pela conversão do filho. Outras pessoas da comunidade a ajudam nesse esforço espiritual. E estão confiantes. Tanto mais agora que ele passou a ouvir os sermões do virtuoso bispo.

Santo Ambrósio influenciou Agostinho
Ouvindo Santo Ambrósio, Agostinho se abre para a Fé

 Todos apostam que em breve pedirá o batismo. Com efeito, tendo só 32 anos, o já professor catedrático Aurélio Agostinho rejeita os erros que professava, recebe os sacramentos da Igreja na catedral de Milão, e começa os estudos da doutrina de Cristo. Tarefa fácil para quem é dotado de tanta inteligência, e já traz a tiracolo sólidos conhecimentos dos autores clássicos. Pois estudou com bons mestres na segunda cidade mais importante do império romano: Cartago.

 Depois de cinco anos em Roma e Milão – onde chega pagão e sai cristão –, volta agora ao continente que em 354 o viu nascer. E é nesta região do norte da África que vamos acompanhá-lo. Mas sem a companhia de sua santa mãe Mônica, que Deus arrebatou em Óstia, perto de Roma, no ano de 387.

Santa Mônica, mãe de Agostinho
Santa Mônica reza pela conversão de seu filho, por vários anos

 Já falecido também seu pai, deseja imitar os santos: em Tagaste vende a herança paterna, dá o dinheiro aos pobres e ainda funda um mosteiro. Pois está definitivamente rompido com os erros maniqueus e com as ilusões do mundo.

 Em Hipona, o jovem professor Agostinho – indicado por aclamação popular – é ordenado sacerdote, depois é sagrado bispo (auxiliar, por enquanto).

 Embora não se sinta seguro para definir o que é o tempo (“Se me perguntam o que é o tempo, eu não sei”), distribui muito bem o tempo que Deus lhe deu, cumprindo eximiamente as obrigações de professor e pastor de almas.

 Como veio a faltar o bispo titular de Hipona, é ele quem assume a diocese. Assume também o encargo de refutar os erros dos maniqueus, dos donatistas etc, oralmente ou por escrito.

 Mantém correspondência epistolar com várias pessoas importantes, entre as quais São Jerônimo, em Belém. Funda ordens religiosas masculinas e femininas, que existem até hoje, espalhadas por vários países.

Santo Agostinho
Santo Agostinho, teólogo e bispo de Hipona

 Ninguém sabe como consegue espaço em sua agenda para escrever tanto e tão bem. De sua inspirada pena vão saindo A Cidade de Deus, Solilóquios, Confissões (autobiografia), Tratado da Santíssima Trindade – ao todo 232 livros! Seu estilo vivaz e profundo o torna célebre no mundo inteiro.

 Aos 76 anos entrega sua alma a Deus, em 28 de agosto de 430, durante o cerco do rei Genserico à cidade de Hipona, comandando as forças vândalas.

 Canonizado e reconhecido como Doutor da Igreja em 1298 pelo Papa Bonifácio VIII.

 Junto com São Jerônimo, Santo Ambrósio e São Gregório Magno, é um dos quatro Padres da Igreja, que sustentam a doutrina cristã contra as heresias dos primeiros séculos. É considerado um dos convertidos mais famosos da Cristandade. #