Mensagem de um bólido

DOS TEMPOS ANTIGOS, entre os personagens cuja lembrança perdura até hoje, estão os sábios. Só na Grécia a História registra sete famosos, entre eles: Tales de Mileto, Anaxágoras, Pítaco, e até uma sábia, Cleobulina, filha de Cleóbulo, outro sábio. Os frutos de tanta sabedoria se espalham pelo povo, sob a forma de conselhos para se viver bem. Pois isso resulta em prestígio e poder… naqueles tempos.

Pelas sendas terrestres, guiem-nos os luzeiros celestes

Outra forma de sabedoria, muito comum lá pelas terras mais ao Oriente, era a interpretação de mensagens a partir dos astros, então as únicas luzes da noite. Se os sábios não sabem quando aparecerá o Messias tão comentado por seus vizinhos hebreus – um Salvador que porá o mundo em ordem –, interrogam o céu.

– Ó estrelas, o que dizem? – pergunta Baltazar, que além de rei e sábio, é astrônomo. Resposta misteriosa: aparece uma luz desconhecida, de brilho maravilhoso e de extraordinária grandeza, deslocando-se, entretanto, para destino incerto. Aquilo cativa o estudioso dos astros. Afinal, o Salvador não virá precedido de uma estrela? Decide então por-se a caminho, com os olhos atentos àquele bólido. Brilhante e misterioso, o sinal celeste faz Baltazar seguir, sem saber, os mesmos passos do Patriarca Abraão ao emigrar da Caldeia.

Surpreso, encontra-se com a caravana de Melchior e depois com a de Gaspar – sábios e reis como ele –, que têm o mesmo objetivo: seguir aquele sinal luminoso. A união faz a força.

A saga de três reis em busca do Rei dos Reis

Confiantes, os agora três reis – chamados Magos – atravessam os areais do deserto, transpõem o Jordão, e estão frente a frente a uma grande e maravilhosa cidade.

Ao contemplarem o formoso templo, as grandiosas muralhas e torres, os viajantes param, deslumbrados: esta só pode ser a cidade do grande rei!

O desaparecimento da estrela parece confirmar essa impressão. Entretanto, ao entrar na cidade santa, fazem uma pergunta que abala Israel:

– “Onde está o rei dos judeus recém-nascido? Nós vimos no Oriente sua estrela e viemos adorá-lo”.

Os judeus indagam-se, alvoroçados: nosso rei? adorar? será o Messias? Sobretudo o velho Herodes – encarapitado há 36 anos num trono ao qual não tem direito –, treme de medo. Um rei há pouco nascido? Não será esse Salvador em quem os judeus põem suas esperanças de independência? Devorado de inquietação, reúne bem depressa os supremos conselheiros, perguntando-lhes:

– “Onde nascerá o Messias esperado por vocês?”

– “Em Belém de Judá”, respondem. Prova? A profecia de Miqueias.

Satisfeito em saber onde encontrar o eventual odioso rival, quer ouvir dos próprios visitantes os pormenores do caso, e lhes diz: “Ide a Belém, é lá que o encontrareis. Achando-o, informai-me qual é sua casa, para que também eu vá adorá-lo”.

Não podem os Magos suspeitar que no vocabulário desse usurpador criminoso, adorar significa matar. Confiando nas suas palavras, tomam o caminho da cidade de David e tornam a ver a guia miraculosa.

Avançam os piedosos estrangeiros, quando de súbito a estrela fica imóvel lá em cima, dardejando fachos de luz sobre um ponto fixo, como quem diz: Aquele que vós procurais está ali. Ora, não é um templo, um palácio ou uma tenda real, mas uma simples choupana. Entram, contudo, e vêem uma jovem Senhora com um Menino nos braços, e um homem que contempla, silencioso, as duas celestes criaturas.

Mas deixemos a descrição desse encontro a cargo da pena do renomado escritor no qual nos baseamos até agora:

Apenas tinham posto os olhos nesta santa Família, penetrou na alma dos três Magos um sentimento todo divino. Parecia-lhes que a humilde casa brilhava com um resplendor tão vivo e tão suave, que se sentiam transportados ao Céu. Ao mesmo tempo a voz interior que os impelira a esta viagem, ensinou-lhes que sob as pobres mantilhas que envolviam o Menino, estava oculto o Filho de Deus feito homem. Com os olhos cheios de lágrimas, prostraram-se a seus pés e adoraram-no.

Afinal, encontram o Menino, e O adoram!

Esses reis das tribos do Oriente (…), ofereceram ouro ao seu Rei, incenso ao seu Deus e mirra ao Redentor, que vinha dar a vida pela salvação dos povos. Assim se cumpriram da maneira mais inesperada as palavras do profeta: ‘Levanta-te, Jerusalém: sobre ti brilhou a glória do Senhor. Eis que as nações caminham à tua luz e os reis ao brilho do teu sol. Ver-te-hás como inundada de camelos e dromedários de Madian e Efa. Virão de Sabá, trazendo ouro e incenso, e cantando louvores a Deus’ (…).

Embriagados com as divinas consolações, desejavam os estrangeiros prolongar a sua estada junto ao divino Infante; mas, por aviso do Céu, retiraram-se rapidamente de Belém. Revelou-lhes Deus, em sonhos, os projetos homicidas de Herodes. E como tinham prometido ao tirano informá-lo do que soubessem com respeito ao novo rei dos judeus, foi-lhes dada ordem de não passarem por Jerusalém, mas seguirem por outro trajeto.

Dóceis à voz do Senhor, tomaram os Magos o caminho da Arábia, transpuseram em algumas horas os confins da Judeia, e continuaram a viagem, costeando a orla do deserto. Transformados em mensageiros de Deus, não deixavam de noticiar aos que iam encontrando, o que tinham visto e ouvido. Das montanhas de Judá ao Oriente se espalhou esta boa nova: o Messias esperado desde longos séculos nasceu em Belém” (Pe. Augustin BERTHE, CSsR. Jesus Cristo – sua vida, sua Paixão, seu triunfo. Benziger – Suiça 1925, p. 30).

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Carregado de simbolismos, esse bólido – ou estrela? ou Anjo? – é portador de luminosas moções do Espírito Santo para os enlevados corações dos Magos, assíduos observadores de tudo que brilha no céu. Fiéis a essa mensagem, recebem o prêmio de ser os primeiros a ver Jesus! Junto com Maria e José.