Da sementinha ao grande santuário

 

Como surgiram as igrejas mais frequentadas

da Cristandade?

QUEM sobrevoar um ou outro centro de peregrinação ─ Lourdes, Fátima, Compostela, Guadalupe, Aparecida ─ nos dias da festa da padroeira ou do padroeiro, poderá se perguntar: quem idealizou e planejou tudo isso?

A parábola da minúscula semente de mostarda não está alheia a este assunto. Vejamos.

A julgar pela construção do majestoso Templo de Jerusalém ─ toda orientada por Deus (cf Êxodo 25, 26 e 27 e 1 Reis 6) ─, os locais de culto do Deus verdadeiro deveriam ser sempre majestosos, à altura de Sua grandeza.

Templo de Jerusalém

Para isso não faltavam qualidades ao povo eleito. Não fossem as desobediências ao longo dos séculos, outra poderia ter sido a história dos hebreus. Se tivessem correspondido às graças divinas com a prática exímia dos Dez Mandamentos, poderiam ter surgido outros Salomões, e não faltariam outras “rainhas de Sabá” (cf 1 Reis 10, 1-10) para admirar as virtudes deles. Tanto mais que o próprio Messias haveria de ressaltar a glória do filho e sucessor de David (cf Mt 6, 28-29).

Para adorar Cristo recém-nascido ─ por quê não num magnífico palácio? ─ não viriam três, mas trinta reis magos! Se outra tivesse sido a atitude da Sinagoga e do Estado em relação à nova Igreja que nascia, com que “pompa e circunstância” este povo teria recebido o Divino Mestre e Sua Boa Nova! Aquele triunfo de Jesus montado num burrico ─ narrado em João, 12, 13, com a população bradando: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel!” ─ nos dá pálida ideia do que poderia ter acontecido.

Ideia esta que se encontrava bem alojada na mente dos discípulos, a ponto de pleitearem cargos junto ao Messias (cf Mateus 20, 21). Este, entretanto, haveria de jogar um balde de água fria nessas efervescentes pretensões terrenas: o meu reino não é deste mundo (cf João 18, 36).

Com efeito, o Reino dos Céus é semelhante a uma pequenina semente de mostarda que é jogada na terra, e dela nasce uma frondosa planta ─ explica o Mestre (cf Mateus 13, 31-32).

Os Apóstolos e seus seguidores, aprendendo a lição, espalham cristãos por toda a Terra, enfrentando trezentos anos de perseguição, pois o sangue dos mártires é semente de cristãos, segundo Tertuliano. E junto aparecem os templos, também nascidos de sementinhas…

Basílica de Nossa Senhora Aparecida

De fato, a gênese das edificações de igrejas católicas, inclusive nos grandes centros de devoção, geralmente não seguem os padrões humanos: planejamento + verba = construção. Não é uma autoridade ou um potentado que, passando de barco no rio Paraíba, no século 18, decide: “vou transformar isso aqui no maior centro de devoção mariana desta colônia, com o nome de Aparecida; vou construir um enorme santuário, uma cidade, estrada de ferro etc”. Sem a graça divina, esse suposto templo poderia se transformar num “elefante branco”, abrigo de lagartos, cobras e morcegos…

Pelo contrário, como tudo é diferente quando atua o dedo de Deus! O ano de 1717 vê uma sementinha desabrochar: humildes camponeses pescam uma imagem da Virgem, à qual passam a rezar. Os milagres começam, e é feita uma capelinha. Aumentam os devotos, e surge uma igreja. Esta fica pequena, e é erguido o maior santuário do Brasil (1955-1980), frequentado por doze milhões de fiéis por ano, dando origem a uma complexa estrutura.

Esta tem sido também a trajetória da edificação de vários outros santuários católicos, mundo afora. *

Certezas de Fátima, vitória de Cristo

No ano de 1917, durante as tragédias da Primeira Guerra Mundial, em Fátima, Portugal, a Virgem Maria advertiu o mundo, através de três pastorinhos, de outros acontecimentos trágicos que viriam, caso a humanidade não desse ouvidos à sua admoestação.

Pedia Ela também, de forma materna e insistente, a conversão; caso contrário, duras perseguições se desencadeariam contra a Igreja, e a mão de Deus puniria a Terra por sua infidelidade. O futuro estava nas mãos dos homens. Deles dependeria atrair sobre si o perdão ou a desgraça.

  Jacinta, Lúcia e Francisco – os pastorinhos mensageiros do Céu 

Quem deu ouvidos à Mãe de Deus? Houve a expansão dos erros do comunismo ateu, a partir da revolução bolchevique eclodida na Rússia, bem como a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Agravando o quadro, as crises morais cobrem todo o orbe, fazendo alguns recearem que a humanidade esteja como um doente em fase terminal. Mas, o bom senso mostra não estar de acordo com os planos de Deus que o mundo termine sem que a Santa Igreja atinja toda a perfeição para a qual foi chamada.

Por este motivo, com base nas profecias de Fátima – que são palavras de esperança e certeza da vitória –, pode-se conjecturar que haja um período, antes do fim do mundo, no qual Maria será Soberana, Rainha dos corações.

A era histórica que virá como uma grande misericórdia é o Reino de Maria previsto por São Luís Maria Grignion de Montfort. Será o triunfo do Imaculado Coração de Maria, anunciado por Nossa Senhora aos pastorinhos.

Ora, o que significa este triunfo? Assim como em Caná o melhor vinho foi servido ao final, também na História da humanidade Nosso Senhor parece querer deixar a última palavra para sua Mãe Santíssima:

“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”

Tenhamos a certeza que o triunfo d’Ela é o triunfo de Cristo. É o Reino de Maria no Reino de Cristo!

Resumo baseado no livro de 158 páginas do Mons. João Scognamiglio Clá Dias: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!” – Lumen Sapientiae, S. Paulo, 2017, p. 7-8 e 15-16, que pode ser encontrado na livraria Lumen Católica. Tem também a Versão digital no site da Amazon.