O corpo místico de Cristo

Segundo a doutrina católica, Nosso Senhor Jesus Cristo 

nasceu da Virgem Maria, ensinou um conjunto de doutrinas, morreu na Cruz e ressuscitou. E está, com seu corpo físico, à direita do Pai na glória eterna.

Mas há também o seu corpo místico ou espiritual, que é a Igreja. Essa denominação, usada já por vários escritores antigos, é comprovada por muitos documentos dos Papas. E há muitas razões para se adotar esta expressão, pois que por ela o corpo social da Igreja, cuja cabeça e supremo regedor é Cristo, pode distinguir-se do seu corpo físico, nascido na Gruta de Belém.

É o que nos ensina o Papa Pio XII, na Encíclica Mystici Corporis Christi, concluindo:

“Realmente não há coisa mais gloriosa, mais honrosa, mais nobre, que fazer parte da Igreja, santa, católica, apostólica, romana, na qual nos tornamos membros de tão venerando corpo; nos governa uma tão excelsa cabeça; nos inunda o mesmo Espírito divino; a mesma doutrina, enfim, e o mesmo Pão dos Anjos nos alimenta neste exílio terreno, até que, finalmente, vamos gozar no Céu da mesma bem-aventurança sempiterna” (nº 89).

 

Fábrica de impurezas

 

Intenções do coração,

ensinamentos para a vida

 NÃO se trata de campanha – que poderia ser, aliás, tão meritória! – contra a poluição nas grandes cidades. Mas é sobre as impurezas que saem do interior. Expliquemo-nos.

Limpando prato, só do lado de fora

 Com efeito, muitos contemporâneos de Jesus colocavam todo empenho em manter limpos – só por fora – panelas, pratos e copos. Pois estavam convictos de que isto e mais algumas providências semelhantes, manteriam a si próprios livres de impurezas e contaminações.

 Daí as discussões com os discípulos tendo o objetivo de atingir o Mestre, pois percebiam que eram outras as suas cogitações. Então, com divina sabedoria, respondeu-lhes Jesus: “O que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu coração”.

 Entretanto, esta frase soou como um enigma, para aqueles ouvidos acostumados com o discurso farisaico.

 – Como pode ser isso? É o contrário do que sempre aprendemos. Anciãos e mestres da Lei, venham nos socorrer!

 Enquanto a discussão pegava fogo na praça, Cristo explicava a seus seguidores, em casa:

Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem” (Marcos 7, 14-23).

E Mons. João Scognamiglio Clá Dias comenta:

 “Por conseguinte, a “fábrica” de impurezas já existe dentro do coração de todo ser humano, porque foi concebido no pecado original e suas inclinações são más. Sem o auxílio da graça ele é um verdadeiro poço de misérias, um feitor de loucuras e de crimes, incapaz, por seu esforço pessoal, de se manter fiel à prática dos Mandamentos, de forma estável” (O inédito sobre os Evangelhos – vol IV, pág. 338-339).

 Depois de afirmar que os fariseus “divinizaram as leis humanas e humanizaram as leis divinas”, o autor sintetiza suas observações sobre este Evangelho:

  “Face à hipocrisia farisaica, o Divino Mestre demonstra que o homem não se define pelas exterioridades, mas sim pelas intenções do coração” (idem, p. 330 e 325). #