Grandezas da humildade – II –

Ensinamentos dos Santos e o exemplo

de Nossa Senhora

São Gregório Magno: Acrescenta São Lucas: “Todos os vales sejam levantados, todas as montanhas e colinas sejam abaixadas”. O que designam aqui estes vales, senão os humildes, e os montes e as colinas, senão os orgulhosos? Com a vinda do Redentor, segundo a sua própria palavra, “quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado” (Lc 14, 11).

Todos os vales serão levantados porque os corações humildes, ao acolherem a palavra da santa doutrina, serão cumulados pela graça das virtudes, segundo o que está escrito: “Das fontes fez jorrar rios, que serpenteiam nos vales” (Sl 104, 10).

Santo Agostinho: O nosso caminho é Cristo na sua humildade; Cristo verdade e vida é Cristo na sua grandeza, na sua divindade. Se seguires o caminho da humildade, chegarás ao Altíssimo; se, na tua fraqueza, não desprezares a humildade, permanecerás forte no Senhor. Assim, tornando-Se nosso caminho, Jesus exorta-nos: “Entrai pela porta estreita!” (Mt 7, 13). A pessoa esforça-se por entrar, mas o inchaço do orgulho impede-a de tal. Deve, então, aceitar o remédio da humildade, beber esse medicamento amargo, mas salutar.

E para receber aulas de humildade, escolha o pescador. Pois o senador, o orador e o imperador podem gloriar-se daquilo que são; o pescador apenas pode gloriar-se de Cristo. Assim, será o pescador a ensinar-lhes a humildade que leva à salvação.

São Bernardo de Claraval: A graça de Deus é um bálsamo muito puro, que precisa de um vaso muito especial. Ora, o que há de mais puro que a humildade de coração? É por isso que Deus “dá a sua graça aos humildes” (Tg 4, 6). Foi com razão que “Ele pousou o seu olhar na humildade da sua serva” (Lc 1, 48); porque num coração humilde a plenitude da graça pode expandir-se livremente.

Eva, a primeira mulher, é substituída por Maria, uma mulher humilde. Em vez do fruto da árvore da morte, Ela apresenta aos homens o Pão da Vida, substituindo aquele alimento amargo e envenenado, pela doçura dum alimento eterno.

São Luís Maria Grignion de Montfort: Ao longo da sua vida, Maria deu muito pouco nas vistas. A sua humildade era tão profunda que não teve na Terra interesse mais forte e mais constante do que esconder-se perante si mesma e perante toda criatura, para só ser conhecida por Deus.

Santo Agostinho: Foi para tratar o teu orgulho que o Filho de Deus desceu e Se fez humilde. Porque te orgulhas, se Deus Se fez humilde por ti? Talvez te envergonhe imitar a humildade de um homem; imita então a humildade de Deus.

A ti, ordena-se que sejas humilde. Ouve a Deus que te ensina a humildade: “Não vim fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que Me enviou” (Jo 6, 38). Vim, humilde, ensinar a humildade, como mestre de humildade. Aquele que vem a Mim incorpora-se a Mim e torna-se humilde. Não faz a minha vontade, mas a vontade de Deus. Desse modo, não será lançado fora (Jo 6, 37), como quando era orgulhoso.

Eis alguns aspectos pontuais sobre esta virtude grandiosa, embora seu nome pareça remeter para o que é pequeno. #

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