Os profetas do Aleijadinho

Homens feios… belas esculturas!

Sobre os profetas de Congonhas do Campo, criados no século 18 pelo cinzel de Antônio Francisco Lisboa, faz interessantes observações o Dr. Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995). Veja como a pluma pliniana pinta essas estátuas proféticas:

MODELOS DE HONRA, SÍMBOLOS DA FÉ — Entre as diversas e esplêndidas características da arte medieval, que nunca me canso de elogiar, há uma espécie de deformação que se reveste de uma seriedade, uma força e uma presença heráldica verdadeiramente magníficas.

Ora, algo parecido podemos encontrar nos profetas do Aleijadinho.

Em geral, homens feios. Porém, nada existe de mais belo, no Brasil, do que as célebres esculturas desse artista mineiro. São a sua obra-prima, considerada por todos os críticos modernos como filhas de inspiração medieval, embora a Idade Média há tempos já tivesse passado.

São peças góticas, estupendas, que poderiam figurar, sem perder o mérito, ao lado das imagens seculares que ornam as galerias e os nichos das maravilhosas catedrais europeias.

Deformações geniais — Nesses personagens talhados em pedra-sabão, o Aleijadinho soube exprimir de maneira esplêndida o que deve ser um profeta. E a deformidade deles, como nas melhores produções medievais, não faz senão acentuar a expressão simbólica que o gênio artístico desejou imprimir na sua obra.

Caixas toráxicas largas, pescoços taurinos, pernas um tanto curtas, musculosas e atarracadas, os braços compridos. As cabeças grandes em relação ao corpo, as orelhas avantajadas. Os olhos, igualmente exagerados para o contorno das faces, revelam a grandeza da alma. Porque ter os olhos desproporcionais para o rosto, assim como a cabeça desproporcional para o corpo, significa que tudo quanto é relativo ao conhecimento, é maior do que o funcional. Detalhe que ressalta ainda mais a eloquente representatividade das imagens.

Por sua vez, o desenho das barbas joga um papel peculiar na composição dessas figuras bíblicas: algumas volumosas, cheias, felpudas; outras, artisticamente talhadas, emoldurando os queixos salientes e vigorosos. Estas e aquelas simbolizando de modo extraordinário a força moral desses homens que atravessaram toda sorte de tormentas, de sofrimentos.

Superior certeza — E todos aparentam uma saúde de ferro, física e, sobretudo, espiritual. São instrumentos das recriminações divinas, polêmicos, determinados. Além disso, agiam por uma superior certeza, nobres, sérios, sublimes.

Esses profetas falavam, proclamavam, e suas vozes reboavam como o grave som do bronze.

Numa palavra, não conheço esculturas católicas que exprimam tanta fé como esses profetas do Aleijadinho, que rugem um rugido eterno de pedra, hieráticos, imóveis, impassíveis.

Figuras postas contra o firmamento, como se raspassem o Céu e tocassem quase em Deus. Eles não ficariam bem dentro de uma igreja.

A abóboda celeste é o ‘templo’ proporcional a eles, ao ar livre, ombreando as elegantes palmeiras que lhes servem de moldura. Sem dúvida, uma obra-prima de encher a alma! #

(Resumo com adaptações de: Luzes da Civilização Cristã – tomo 2 – p. 69-73)

 

*  *  *

O Aleijadinho nasceu e faleceu em Vila Rica (1730-1814). Grande parte de sua obra encontra-se nas cidades mineiras de Tiradentes, São João del Rei, Mariana, Sabará, Congonhas do Campo e Ouro Preto (antiga Vila Rica).

Localizados na frente do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, o conjunto dos “doze profetas” foi criado pelo Aleijadinho entre 1800 e 1805.

Estão lá representados em pedra-sabão: Abdias, Amós, Baruc, Daniel, Ezequiel, Habacuc, Isaías, Jeremias, Joel, Jonas, Naum e Oseias.

 

Gentileza, tubarões e sardinhas

As crises modernas têm solução?

“Um enorme e suave aquário de água morna, banhado por uma luz brandamente pálida, em que evoluíam, com a discrição silenciosa com que só os peixes sabem evoluir, os tubarões ou as sardinhas da política nacional.

Esta é a primeira impressão sobre seus colegas, do deputado mais jovem e mais votado para a Constituinte de 1934, Plinio Corrêa de Oliveira.

Constituinte * 1934 * Rio de Janeiro 

Contribui para isso o histórico edifício carioca Palácio Tiradentes, “rico, discreto e acolchoado”, onde “circulam os representantes da nação brasileira, com uma gentileza recíproca sem igual. Realmente, a cortesia é a nota característica de nossa Constituinte” (Opera Omnia, vol. I, p. 504-505).

Passados 84 anos, custa-nos vivenciar tal situação. Pois tornou-se moeda corrente a brutalidade no relacionamento, a ponto de estarmos mal-acostumados com notícias deste gênero:

BRASÍLIA – Deputados da base e da oposição trocaram socos, empurrões e pontapés nesta quarta-feira, 24, no centro do plenário da Câmara dos Deputados. A confusão foi generalizada, e o deputado que presidia a sessão, pediu o auxílio de seguranças.

Isso é apenas uma amostra do que ocorre em incontáveis atividades humanas, hoje em dia. Como explicar tão radical rotação no comportamento em menos de um século?

A resposta é dada pelo próprio Dr. Plinio, que em 1959 explicitou a gênese de todos os males do mundo contemporâneo. Em sua obra magna Revolução e Contra-Revolução, ele “expõe como a crise do mundo moderno se desenvolveu em três profundidades, isto é, nas tendências, nas ideias e nos fatos. (…) o êxito das operações destinadas a alterar o comportamento das coletividades tem seu segredo na capacidade de mover as tendências no sentido do bem ou do mal. Eis a chave da História, pois tanto a graça de Deus quanto as tentações do demônio e as maquinações humanas visam, sobretudo, girar essa chave para um lado ou para o outro” (CLÁ DIAS, EP. Mons. João Scognamiglio. Plinio Corrêa de Oliveira, um profeta para os nossos dias. Arautos do Evangelho. São Paulo, 2017, p. 150 e 152).

*  *  *

As 286 páginas deste livro são uma síntese da obra em cinco volumes, do mesmo autor, publicada pela Libreria Editrice Vaticana: O dom de sabedoria na mente, vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira. Esse líder católico foi suscitado por Deus a fim de oferecer ao mundo contemporâneo a verdadeira solução para as crises que o afligem. E ninguém melhor que seu discípulo – Mons. João Scognamiglio Clá Dias – para discorrer sobre a vida, a atuação, as virtudes e o pensamento de seu mestre.  +

Uma cabeça no céu

O Cristo Redentor, ontem e hoje

A CIDADE MARAVILHOSA é percorrida por família paulistana, maravilhada com os panoramas, a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar, o mar. Mas, Renato lamenta não ter sido possível conhecer o Corcovado.

Entretanto, à noite, no hotel, quando lia o trecho de um livro (… em noites com nuvens, Ele está quase todo coberto, e vemos só uma mancha luminosa. Depois bate um vento, saem as nuvens, e vemos a cabeça, as mãos, os pés, e logo aquilo tudo passa de novo), Cidinha o chama:

– Papai, vem ver. Tem uma cabeça no céu.

– O que é isso, menina? Não é você que está com a cabeça nas nuvens, não?

– Tem um braço também, pai. Vem ver.

Ah, caiu a ficha! Era como ele estava lendo. Assim, os visitantes têm essa surpresa: passam a contemplar o Cristo Redentor a partir de um ótimo observatório, a uma distância ideal. E Renato comenta com Suely a coincidência com a leitura que ele fazia.

Cristo Redentor   *   Corcovado

– Que leitura, Renato?

– É uma narração que Dr. Plinio Corrêa de Oliveira faz exatamente sobre o que estamos vendo: a majestosa imagem do Cristo Redentor, iluminada, entre nuvens. Ele assistiu a esta maravilha quando era deputado federal em 1934. Nosso Senhor reservou-nos o melhor vinho para o fim da viagem. Em seguida o autor faz uma aplicação muito interessante sobre a vida da Igreja e de quem faz evangelização. Mas podemos ver isso em outra oportunidade.

– É. Agora é melhor a gente contemplar as belezas deste cenário, com vistas a um abençoado repouso.

– Mas, depois vale a pena você dar uma olhada neste livro: O dom de sabedoria na mente, vida e obra de Plinio Corrêa de Oliveira. Vol. III – Mons. João Scognamiglio Clá Dias. Lumen Sapientiae – São Paulo, 2016, p. 14-15, disponível na livraria Lumen Católica.