Sinos de Notre Dame

O sino mais antigo da Catedral é afilhado do rei

Luís XIV e pesa 13 toneladas

  CATEDRAL gótica das mais famosas do mundo, Notre Dame de Paris está ferida. Por quem? Pela voracidade do fogo, que atingiu o coração de seu charme, a alta flecha de 96 metros, no dia 15/4/2019.

 Mas, socorrida em tempo, a igreja de 850 anos continua de pé com suas torres de pedra, suas rosáceas multicores, seus sinos de bronze. Graças a Deus!

   O Bourdon Emmanuel A peça mais antiga da família sineira da Catedral de Notre Dame de Paris é o ‘bourdon’ Emmanuel, de 13 toneladas, com diâmetro de 2 metros e 62 cm. Seu badalo pesa 500 kg. Para acioná-lo eram necessários os braços de oito homens! Ainda bem que agora um motor faz esse serviço.

 Fundido em 1686, Emmanuel, ficou muito tempo sozinho ou mal acompanhado, pois a sanha anti-católica da Revolução Francesa (1789), não podendo guilhotinar, transformou em canhões os irmãos dele. Anos depois, foram colocados novos sinos, mas eram de qualidade inferior…

  Emmanuel, por quê? Costume católico antigo, todo sino de igreja é ‘batizado’ numa cerimônia especial com padrinho e madrinha. Nesta ocasião recebe também um nome.

 No caso deste bourdon — sino de tom mais baixo em um conjunto sineiro —, seu padrinho foi o rei Luís XIV (1638-1715), que deu-lhe o nome de Emmanuel, em homenagem a Nosso Senhor Jesus Cristo! (“E ele será chamado Emanuel, que significa Deus conosco” – Mateus 1, 23).

 A esposa do rei, Dª Maria Teresa da Áustria, foi a madrinha. Celebrante: o Arcebispo de Paris, Mons. François Harlay.

 Considerado um dos mais belos sinos da Europa, ele toca apenas em grandes celebrações religiosas como a visita do papa, comemorações e funerais importantes.   Em 2005, tendo falecido o Papa João Paulo II, o Emmanuel deu tantas badaladas quantos foram os anos de vida de Karol Wojtyla: 84.

   Nove sinos novos com as mesmas características dos antigos, subiram as escadas de madeira das duas torres sineiras, em 2013. Emmanuel, do alto do campanário, os saudou com suas mais solenes badaladas:

 Marie (em homenagem a Nossa Senhora), outro ‘bourdon’ mais leve (6 toneladas), que ficou ao lado do Emmanuel, na torre sul.

 Os outros, menores, alojaram-se na torre norte, de onde marcam as horas e tocam música. Para alegria dos parisienses e visitantes.

  Solidariedade A comoção universal gerou solidariedades mundiais. Dois dias depois do incêndio, os sinos de todas as catedrais francesas badalaram na mesma hora do início do sinistro. Várias entidades e personalidades se movem para restaurar a Catedral de Notre Dame de Paris. O Papa Francisco manifestou pesar e esperança. #