Meu Anjo da Guarda e a pandemia

Como um oficial do Exército venceu sua batalha contra o vírus de 1918

NEM todas no convento sabem. E a madre superiora pensa no futuro: como deixar sem registro fatos tão interessantes que a Irmã Maria Antônia (nome civil: Cecy Cony – *Jaguarão 1900 – †São Leopoldo 1939) tem para contar?

Sem dizer nenhuma palavra e sem lhe aparecer sob forma humana, seu Anjo da Guarda faz sentir que está constantemente ao seu lado, desde os 5 anos de idade.

Então, em boa hora, a superiora manda que ela passe para o papel tudo que está guardado em sua memória.

É por isso que você vai saber agora como o pai de Cecy, capitão do Exército, venceu a batalha contra uma terrível epidemia.

Orando pelo pai ─ Considero papai meu segundo Anjo da Guarda, mas bem visível, é claro. Estando eu doente, era meu enfermeiro. Dava-me os remédios e fiscalizava a alimentação.

Por outro lado, sendo oficial do Exército, tinha de se ausentar de casa com frequência. Na Colônia Militar do Alto Araguaia, por pouco não morreu no incêndio de uma casa de madeira na qual se hospedara. Nessa noite eu tinha acordado com um pressentimento e rezado muito por ele.

Em 1918 teve de passar um tempinho no Rio. Nos primeiros meses, tudo correu na normalidade. As muitas saudades foram mortas parcialmente por suas regulares cartas a mamãe. Mas, de repente elas cessaram de chegar. O que aconteceu?

Gripe espanhola Um telegrama seu procura acalmar a família:

“Estou um tanto enfermo, mas não é nada grave”.

Mas era! Numa tarde, voltando de bonde, sentiu-se indisposto. No hotel, mandou chamar um médico, que diagnosticou:

“O Sr. está com gripe espanhola!”

“O que é isso, doutor?”

Até então desconhecida, essa terrível epidemia começava a grassar no Rio, com muito furor, e papai foi uma das primeiras vítimas. A porta da morte estava aberta para ele! De seus vizinhos de quarto, mais de 20 já saíram por ela… [1]

O enfermeiro Miguel Mas, à hora de minhas orações diárias, eu sempre pedia a meu Anjo da Guarda que fosse ajudar papai.

E como duvidar que fui atendida?

Com efeito, o caminhar da epidemia foi tornando mais difícil conseguir médicos e enfermeiros. O que papai me contou depois sobre a dedicação e a fidelidade de seu criado de quarto, é muito esclarecedor. Sendo um desconhecido, cuidava dele como se fosse seu pai. Não deixava faltar-lhe nada. Nem médicos: quando a doença prostrava um doutor, ele conseguia logo outro. Isso aconteceu por 3 vezes.

Passados alguns meses, na convalescença, ele precisava ir ao jardim para tomar sol, o que fazia apoiando-se no prestativo braço desse moço. E aproveitava para se informar sobre sua pessoa, mas não soube nada além do nome: Miguel. Restabelecido, volta para Jaguarão.

Gratidão do “velho soldado” Estas palavras que ouvi de papai revelam a qualidade de sua gratidão:

“Aquele moço simples, de um exterior tão humilde, ocultava uma grande alma, um coração ideal, um caráter de têmpera! E em mim, velho soldado, que sempre forcejei em manter a pureza de minha consciência e enobrecer o meu caráter, a presença daquele moço infundia respeito e admiração. Jamais Miguel aceitou uma recompensa. Disse-lhe que meus bens de fortuna se resumiam no modesto soldo de oficial do Exército, mas que naquela ocasião poderia dispor de certa quantia. Miguel, com lhaneza, rejeitou”.

Então, quis dar-lhe um anel, o que também não aceitou, dizendo:

“Tendes família, oferecei-o a uma de vossas filhas, e eu me considerarei duplamente recompensado”.

Ao chegar, não fez outra coisa: pôs o anel no meu dedo e disse:

“Minha filha, quero cumprir o desejo do melhor amigo que encontrei neste mundo, e do homem mais nobre e honrado que jamais vi em minha vida”.

Dois Miguéis Papai a quem nunca vi chorar, nem por ocasião da morte de minha irmã Dilça toda vez que falava sobre Miguel, parecia-me ver lágrimas brilharem em seus olhos.

Ele contou-me ações lindas e edificantes de Miguel, ficando eu convencida de haver certa relação entre o fiel rapaz e meu Anjo da Guarda. Tanto mais que este se chama também “Miguel”, conforme eu soube depois.

A gratidão levou papai a escrever cartas ao bom moço Miguel, que até hoje estão sem resposta… (Resumido de: Irmã Maria Antônia [Cecy Cony] – Devo narrar minha vida – Ed. Vozes – Petrópolis – 1949 – p. 175-179).

 

* * * * * * * * * 

[1] A Gripe de 1918 (conhecida como Gripe Espanhola) foi uma pandemia do vírus influenza que se espalhou por quase todo o mundo, e que na Espanha ceifou muitas vidas. Foi causada por uma virulência incomum e frequentemente mortal de uma estirpe do vírus Influenza A do subtipo H1N1. O paquete Demerara, vindo da Europa, é apontado como o primeiro navio a trazer o vírus para o Brasil. Em poucos dias a epidemia irrompeu nas cidades de Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Foram registradas em torno de 300 mil mortes relacionadas à epidemia, inclusive a do Presidente da República, Rodrigues Alves (Cf wikipedia).

 

Hierarquia dos Anjos

Criaturas imateriais, eles estão divididos

em nove coros ou ordens

  Superioridade — Criados por Deus como espíritos puros e perfeitos, os Anjos não têm corpo. A perfeição deles deriva do fato de terem uma natureza mais parecida com a de Deus. Portanto, são superiores aos humanos, porque estes são compostos de espírito e matéria.

 Superiores inclusive pela inteligência, eles têm um conhecimento intuitivo de Deus, dos outros Anjos e dos homens. Ou seja, não necessitam usar o raciocínio.

  Limitações Mas uma coisa o Anjo não consegue: penetrar nos segredos dos corações humanos. Não pode também estar em todo lugar ao mesmo tempo — o que é uma qualidade só de Deus —, entretanto o Anjo pode atuar simultaneamente em vários lugares.

 Os demônios são anjos revoltados contra Deus, que entretanto não perderam as características da natureza angélica.

 Daí a necessidade que temos de nos prevenir contra suas artimanhas. Nesta linha, nada melhor do que recorrermos aos que os derrotaram lá no Céu.

  Vamos conhecê-los? Os Anjos são muito numerosos. A Bíblia menciona sempre “o exército dos Anjos”.

 Preso, Cristo disse que se Ele solicitasse, o Pai mandaria mais de 12 legiões de Anjos (cerca de 60.000) para o defender (cf Mt 26, 53).

 Em suas visões, o profeta Daniel diz haver mil milhões assistindo a Deus em seu trono (cf Dn 7, 10).

 Há quem se dá o trabalho de conjeturar quantos Anjos existem. Mas sem uma revelação divina, será que se chega a algum resultado?

 Enquanto isso, vejamos como é a divisão de funções do exército celeste. Inclusive para sabermos recorrer corretamente, em alguma emergência ou no dia-a-dia:

  Hierarquias e coros — Os Anjos estão divididos em 3 hierarquias, e cada uma delas em 3 coros ou ordens.

 A primeira hierarquia é a dos que contemplam a Deus: Serafins, Querubins e Tronos.

 A segunda hierarquia se ocupa do governo do mundo: Dominações, Virtudes e Potestades.

 A terceira é encarregada de executar as ordens divinas: Principados, Arcanjos e Anjos.

 Entretanto, cada um desses espíritos possui uma personalidade própria, inconfundível e específica, não havendo sido criado um igual ao outro. #

 

Angeologia: entenda estes espíritos celestes

 

ANGEOLOGIA é o ramo da teologia que estuda os Anjos, a

respeito dos quais muitos têm dificuldade para explicar.

 

Encontro inesperado com os Anjos

numa sala de espera

  ZABELINA e JUVENAL vão se casar. Estão na secretaria paroquial para as tratativas de praxe. A fim de testar seus conhecimentos sobre religião, o pároco faz ao casal algumas perguntinhas, entre as quais esta:

 – Juvenal, o que você me diz sobre os Anjos da Guarda?

 – Eu acho que são criaturas com forma humana, mas com asas, que cuidam da segurança no Céu, para não ter mais revoltas lá, entendeu?

 – Imaginativo, hein?…  Senhorita, dê uma ajudinha a seu noivo…

 – Eh… padre… quer dizer, eu ouvi assim que todas as pessoas têm um protetor chamado Anjo da Guarda, mas eu nunca vi o meu. Acho que ainda estou desprotegida…

 – Não diga isso, filha. A toda criatura humana que nasce, Deus destina um Anjo para protegê-la durante toda a vida. Deus não esquece ninguém!

  Espíritos mensageiros – Estou vendo que preciso dar a vocês um reforço sobre esse assunto. Sentem-se, por favor. Vai ser rápido. Vejam o que diz o Catecismo da Igreja Católica (cf nº 328 a 336):

 As fontes da revelação de Deus à Humanidade – ou seja, a Sagrada Escritura e a Tradição – confirmam a existência dos Anjos, como sendo seres espirituais. Portanto, isso é uma verdade de Fé (cf 328).

   Os Anjos são espíritos mensageiros de Deus (cf Santo Agostinho). São criaturas pessoais e imortais, com inteligência e vontade. A perfeição deles ultrapassa a de todas as criaturas visíveis, o que é confirmado pela sua glória esplendorosa. Eles são poderosos executores das ordens do Altíssimo, sempre atentos à Sua palavra (cf Salmo 103, 20).

   Às ordens de Deus – Estes espíritos celestes pertencem a Cristo, porque foram criados por Ele e para Ele. Palavra de São Paulo: “Em vista d’Ele é que foram criados todos os seres que há nos céus e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, os Anjos que são os tronos, dominações, principados e potestades: tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1, 16).

 Mais de trezentas vezes eles são citados em toda a Bíblia, onde não faltam notícias sobre a atividade angélica. Embora sendo espíritos, eles têm poder sobre a matéria.

 E estão a serviço do plano divino da salvação: fecharam o paraíso terrestre; detiveram a mão de Abraão; conduziram o povo de Deus pelo deserto; assistiram os profetas. Foi o Anjo Gabriel que anunciou o nascimento do Precursor João Batista e o do próprio Jesus.

 Em toda a vida de Cristo a adoração e o serviço dos Anjos se fazem presentes. Eles protegem a Sua infância, servem-n’O no deserto e confortam-n’O na agonia. São ainda os Anjos que evangelizam, anunciando a Ressurreição de Cristo. E estarão presentes quando da Sua segunda vinda, que anunciam, e ao serviço do seu Juízo.

  Campo de ação angélica – A ajuda poderosa e misteriosa dos Anjos beneficia toda a vida da Igreja, o que é atestado pela liturgia em variadas circunstâncias. Ela inclusive festeja a memória dos três arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael (29 de setembro).

 E no dia 2 de outubro, para a festa do Anjo da Guarda, a Igreja nos propõe este trecho do Êxodo (23, 20-21): “Vou enviar um Anjo adiante de ti para te proteger no caminho e para te conduzir ao lugar que te preparei. Esteja de sobreaviso em sua presença, e ouve o que ele te diz”.

 Portanto, desde o seu começo até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão. Cada pessoa tem a seu lado um Anjo como protetor e pastor para guiar seus passos nesta terra, rumo ao Céu.

 “A cada homem (ou mulher) em sua peregrinação terrestre é delegado um Anjo para sua guarda” (São Tomás de Aquino. Suma Teológica, I, q. 113, a. 4).

  Mais informações sobre Angeologia? Clique: Estrelas e Anjos e Grigio. E fique atento a novos posts que possam sair sobre o assunto. #