Os balões e a ‘lei da gravidade espiritual’

Aplicando a façanha dos irmãos Montgolfier

à prática das virtudes cristãs

  O DESEJO de imitar os pássaros deve ser tão antigo quanto os próprios seres humanos. Por quê não voamos também?

 Mas só no século XVIII que o homem conseguiu alçar os primeiros voos. Em Portugal, o brasileiro Pe. Bartolomeu de Gusmão, em 1709 ─ na presença do rei e de um futuro papa ─ fez experiências com balões, mas não foi possível prosseguir.

 No entanto, a notícia fez seu caminho, e diversas tentativas pipocaram em outras partes.

 Os Montgolfier foram os pioneiros: em 1783 fizeram um aeróstato que carregava um homem, voando a algumas centenas de metros acima da terra e pousando com segurança! Portanto, desafiando o que Newton acabava de ‘batizar’ como lei da gravidade. O rei e a rainha da França assistiram admirados a tão inusitado evento, realizado no parque de Versalhes.

 Essa invenção consistia num enorme balão de 30 metros de diâmetro, feito de tecido, impulsionado pelo calor de palhas queimando. O ar quente puxava para cima o balão, a ponto de precisar de oito homens para segurar as amarras. Liberadas estas, iniciava-se a subida.

 “Esta é uma bela imagem da elevação das almas a Deus. ‘Aquecidas’ pela prática das virtudes, especialmente da caridade, iniciam elas a subida espiritual e começam a ‘voar’. Costuma haver, porém, em consequência do pecado, amarras que as prendem à Terra e lastros que dificultam seu itinerário rumo à perfeição. É imperioso, portanto, cortar aquelas e alijar estes, para o espírito humano poder elevar-se ao transcendente e ao eterno.

 “À semelhança de nosso corpo, padecem as almas dos danosos efeitos de uma espécie de lei da gravidade espiritual por onde nos sentimos atraídos para o mais baixo, o mais trivial, o que nos exige menos esforço. (…)

 “Em vista dessa nossa má tendência, Cristo nos ensina serem indispensáveis a renúncia e a abnegação, para sermos verdadeiros discípulos seus”.

 É o que afirma Mons. João Scognamiglio Clá Dias, em “O inédito sobre os Evangelhos”, vol. VI, p. 327-328. E conclui que o pedido feito a nós por Jesus consiste sobretudo em vivermos sem apegos às coisas terrenas, seguindo o exemplo das águias, que voam sem amarras para melhor contemplar o Sol (cf idem, p. 339). #