De suplício pagão a símbolo cristão

História e glória da Cruz  

AO LONGO DOS SÉCULOS, inúmeros foram os métodos que os governantes foram inventando para aplicar a justiça ou a injustiça. Quase tão antiga quanto a Antiguidade, a crucifixão ou crucificação era um método de matar dos mais doloridos e humilhantes. Condenada, a vítima era pendurada de braços abertos em uma cruz de madeira, amarrada ou pregada com enormes cravos nos punhos e nos pés.

O peso das pernas fazia com que os músculos do abdome, cansados, não conseguissem manter a respiração, o que ocasionava asfixia, a qual levava à morte. Mas isso poderia demorar até alguns dias, sem nenhuma defesa contra: sol, chuva, frio, feras, aves, insetos.

Seis mil crucificados! No milênio anterior ao nascimento de Cristo, os povos que usavam desse recurso para eliminar seus condenados, eram os assírios, os babilônios, os fenícios e os persas, e depois os romanos.

Por outro lado, no período mencionado acima, surge em Israel, Herodes, o Grande, um ‘patriarca’ que dá origem à violenta dinastia herodiana, culpada de vários assassinatos na própria família, além dos cerca de 5.000 Santos Inocentes, da degolação de São João Batista e da cruel crucifixão do Inocente por excelência, Jesus Cristo.

Se já houvesse o Guiness Book, o fato a seguir poderia constar dele: o recorde de crucifixões que a História registra aconteceu em Roma no ano 71 a. Cristo, por ocasião da Terceira Guerra Servil.

Vencida a revolta de 120.000 escravos comandados por Espártaco, as legiões romanas, cheias de fúria, crucificaram, num só dia, 6.000 dos revoltosos, em cruzes colocadas ao longo dos quase 200 km da Via Ápia, entre Cápua e Roma.

Constantino Sem dúvida, o mais célebre crucificado é Nosso Senhor Jesus Cristo, que, ressuscitando, transformou o infame suplício pagão no mais glorioso símbolo cristão.

E foi o que inspirou Constantino, o primeiro Imperador católico — que venceu uma batalha devido ao poder da Cruz —, a abolir a crucificação no Império Romano em 337, por respeito ao Divino Crucificado!

Respeito este que se traduz em agradecimento pela Redenção do gênero humano, por atos de veneração e adoração em todo o orbe — das catedrais às capelinhas, qual igreja não têm na torre uma cruz? —, conforme comenta o grande Santo Efrém (306-373):

Triunfo da Cruz A cruz triunfa, e todas as nações, tribos, línguas e povos (Ap 7, 9) vêm adorá-la. Como o beato Paulo, que exclama : «Quanto a mim, porém, em nada me quero gloriar, a não ser na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6, 14), encontramos nela a nossa alegria.

A Cruz traz a luz a todo o universo, afasta as trevas e reúne as nações do Ocidente, do Oriente, do Norte e do mar numa só Igreja, numa única fé, num só batismo, na caridade. Fixada no Calvário, ela dirige-se ao centro do mundo.

Armados com a Cruz, os Apóstolos vão pregar e reunir na sua adoração o universo inteiro, espezinhando todas as forças hostis. Por ela, os mártires confessaram a sua fé com audácia e não temeram os ardis dos tiranos. Carregando-a, os monges fizeram da solidão a própria morada, numa imensa alegria.

Na hora em que Jesus regressar, aparecerá primeiro no céu esta Cruz, cetro precioso, vivo, verdadeiro e santo do Grande Rei: «Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem» (Mt 24, 30). Nós a veremos, escoltada pelos Anjos, iluminar a Terra, de uma à outra extremidade do universo, mais clara que o sol, a anunciar o Dia do Senhor. #

 

Joaquim F. Silva

Nasce nas montanhas de Minas em 1942. Tipógrafo. Bancário. Forma-se em Contabilidade e estuda em faculdade. Radica-se em São Paulo, onde trabalha com artigos religiosos e exerce voluntariado em entidades assistenciais. Católico apostólico romano, leigo consagrado segundo o método de São Luís Grignion, bacharel em teologia, missionário. Tem colaborado em alguns sites. É redator de respostas a dúvidas de aderentes de associações beneficentes. Autor de livrinhos de vidas de Santos. Resumindo: deixa de contabilizar valores materiais, para divulgar certezas espirituais.

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