Santa Hildegarda de Bingen

MÉDICA   *    ESCRITORA   *   MÍSTICA

DOUTORA  DA  IGREJA

  NUMA maravilhosa e bucólica região do Reno, andando pelas imediações do castelo da família, menina de 3 anos aponta numa direção e exclama entusiasmada para sua acompanhante: “Olha ali, que bezerrinho bonito! É todo branco, com algumas manchas escuras”. Bezerro

 Mas não era um pequeno bezerro mas uma grande vaca. A moça conta o fato para a mãe. Ambas riem a valer e concordam tratar-se de alguma fantasia de criança.

 Ledo engano. Passados alguns dias nasce um bezerrinho com as características indicadas. O riso cede lugar à admiração!

 Este é dos primeiros sinais da predestinação de Hildegarda, nascida em 1098, de família nobre e rica. A alegria dos pais e dos nove irmãos cresce à medida que percebem ser muito inteligente. Sinais de dons místicos começam a aparecer, não sendo descartável o desabrochar de uma vocação religiosa.

Isto se dá num contexto de heroísmo. A Terra Santa está

dominada por inimigos da religião. Os peregrinos são hostilizados.

Como pode o Santo Sepulcro de Cristo continuar em mãos de infiéis?

A Guerra Santa é convocada pelo Papa Urbano II em 1095.

Em 1099 acontece a tomada de Jerusalém, pois o entusiasmo pelas Cruzadas havia assumido os europeus. Por muitos anos.

O mesmo zelo religioso que leva os homens a lutar nas Cruzadas,

atrai as mulheres para os conventos.

 Esse clima de fervor heroico não pode ter deixado de influenciar nossa pequena Hildegarda, atenta às conversas nos serões familiares.

 Com oito aninhos os pais a introduzem num convento beneditino sob os cuidados de uma moça que sabiam ser muito virtuosa: Jutta de Spanheim, condessa que renunciou às comodidades do mundo, tornando-se monja, abadessa e bem-aventurada.

  Mística – A vida recolhida e o carisma beneditino vão moldando a alma de Hildegarda de acordo com puríssimo ideal monástico: refletir em todos os aspectos da existência as perfeições de Jesus Cristo.

 É o ambiente ideal para acolher bem as comunicações divinas: visões e revelações que vão acompanhá-la durante toda a vida.

S. Hildegarda
Hildegarda recebe revelações de Deus e as divulga oralmente e por escrito

 Com isso, vai se preparando para o cumprimento de sua missão junto a pessoas importantes e ao povo pobre, bem como para os séculos futuros. Pois, os ensinamentos dela têm agora a mesma ou maior atualidade do que quando estava viva, há mais de 8 séculos.

  Abadessa dinâmica – Falecida a tutora Jutta, sua discípula Hildegarda é escolhida para dirigir a abadia. Ela orienta aquelas almas com tanta sabedoria que foi preciso fundar mais dois mosteiros para acolher as novas e numerosas vocações.

 Entretanto, suas muitas atividades não a impedem de anotar as revelações divinas, que recebem a aprovação do Bem-aventurado Eugênio III, papa de 1145 a 1153, e elogios do fundador dos cistercienses São Bernardo de Claraval, ambos contemporâneos seus.

  Escritora incomparável – Sua principal obra é “SCIVIAS – Scito Vias Domini” (Conheça os caminhos do Senhor). A linguagem é simples mas cheia de colorido local: Deus e os homens, a Criação, o Juízo universal, a salvação das almas. Considera ela o Universo criado um admirável espelho das realidades sobrenaturais e até divinas.

  Médica na teoria e na prática – A maior surpresa para quem estuda seus escritos é constatar o que ela afirma sobre assuntos de medicina: os desequilíbrios nervosos e espirituais influenciam a saúde corporal, podendo chegar à depressão. Remédio? Um regime alimentar sadio. E atende com boa vontade às monjas, bem como a qualquer pessoa que a procure.

 Hildegarda conhece como ninguém as propriedades dos vegetais, e sabe indicar seus variados usos para benefício das pessoas.Pedras

  Pedras e música – Até as pedras são analisadas por ela. Considera-as como ótimos elementos para canalizar a energia humana. Exemplo: contemplar uma safira acalma os ânimos, faz surgir sentimentos de pureza, temperança e harmonia, e afasta para longe o mal.

 Também a música foi objeto de sua atenção: compôs mais de 70 sinfonias. Observa que os sons musicais podem influenciar para o bem.

  Sermões em catedrais e praças – Em boa hora as autoridades religiosas percebem que tamanha sabedoria não podia ficar confinada em quatro paredes do mosteiro. Nas catedrais de Tréveris, Mogúncia, Colônia, Bamberg e outras, sua voz se faz ouvir por clérigos, nobres e povo miúdo, acompanhada de milagres grandes. As conversões aumentam na medida em que cresce sua fama de taumaturga.

 Os ouvintes pedem e ela atende: passa para o papel as homilias, que eram feitas de improviso. Redige também quatrocentas cartas para grandes e pequenos, sempre insistindo sobre a observância do Evangelho.

 Uma das virtudes mais salientes dela é a humildade: embora confidente do Deus Altíssimo e conselheira de grandes personalidades, não se vangloria disso.

  Grande recompensa – Suportando com altivez o peso dos sofrimentos e preocupações, adormece no Senhor, em meio a grande paz e serenidade, no dia 17 de setembro de 1179, tendo 81 anos.

 Admiradores seus começam logo a frequentar o túmulo, e os milagres operados por intercessão dela vão confirmando e intensificando a devoção (cf Rev. Arautos do Evangelho nº 69).

 O culto a Santa Hildegarda foi estendido a toda a Igreja Católica (canonização equipolente) em 10 de maio de 2012, pelo Papa Bento XVI, que no mesmo ano a declarou Doutora da Igreja:

  “A atribuição do título de Doutora da Igreja universal a Hildegarda de Bingen tem um grande significado para o mundo de hoje e uma extraordinária importância para as mulheres. (…)

 “A presença da mulher na Igreja e na sociedade é iluminada pela sua figura, tanto na óptica da pesquisa científica como na da ação pastoral” (Carta Apostólica de 7/10/2012).

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