Festejos e festejados de junho

Memórias e lembranças das

alegres festas juninas

  NAS CARAVELAS portuguesas do tempo da colonização vieram muitos elementos da cultura e dos costumes da Europa. Um deles foi a festa de São João, no dia 24 de junho, para homenagear este primo de Jesus, que batizava as pessoas a fim de prepará-las para a vinda do Salvador.

Como os santos não conhecem o que é inveja, naturalmente a festividade se estendeu também para os santos Antônio, Pedro e Paulo, comemorados no mesmo mês, nos dias 13 e 29. Assim, as festas joaninas, passaram a juninas.

São Paulo, São Pedro, Santo Antônio e São João Batista

Estas festividades, sobretudo no Nordeste, são sinônimos de alegria. Missas solenes, rezas fervorosas, quadrilhas vivazes, comidas típicas, bebidas caseiras, balões multicores, fogos estelares.

Invasão da alegria “As cidades se enfeitam e se transformam em grandes arraiás. Esta alegria contagiante tem razão de ser: João Batista nasce para anunciar Jesus Cristo e apresentá-lo ao mundo. Ele está associado a esta grande alegria, que invadiu o mundo há mais de dois mil anos atrás”, comenta Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz, Arcebispo da Paraíba (site da CNBB).

Com muita razão, pois Dom Delson foi Bispo de Campina Grande (PB), onde se realiza, todo ano, “o maior São João do mundo”.

O “Arraiá do Seu Zico”, em Maringá (PR), não tem apenas comidas, quadrilha e brincadeiras. A festa mantém um forte caráter religioso, acentuado pela celebração da Missa. Tem oração do terço e procissão com velas acesas. Santo Antônio, São João e São Pedro ─ os santos mais festejados em junho ─ estão lá no alto do mastro, numa bandeira.

“Além da união das pessoas, essa festa celebra três coisas que não têm preço nas nossas vidas: a fé, a família e a cultura, que perpassa os anos e o nosso coração”, diz o Pe. Rogério Tisel.

Noite fria. Ao som da sanfona a fogueira é acesa. Cozinha-se a canjica, pipoca na panela o milho da pipoca, e ferve o quentão. É a festa no “Arraiá do Seu Zico”, evento realizado desde 1982, a fim de resgatar tradições da cultura popular da região norte do Paraná (cf Gazeta do Povo).

 No tempo dos balões Como o São João, aqui em Salvador, era diferente!… Pudera. Estou dando uma marcha à ré de quase 70 anos. Mesmo antes do mês de junho já começávamos a ver balões pelo céu estrelado, levados pelos ventos. Para onde? Nunca soubemos. Certamente que muitos cairiam no mar. O que eu me lembro, é que o céu coalhava de balões. Como eram dedicados a São João e a São Pedro, é natural que caíssem na Baía de Todos os Santos…

Era lindo, lindo de morrer! O São João, o sentíamos no ar. Era esperado com ansiedade. Tempo de ganhar fogos e soltá-los junto com os balões que nós fabricávamos em casa…

O momento da soltura dos balões era importante. Precisava abri-los. Uma roda de pessoas segurava-os, uma pessoa cuidava das buchas untadas com querosene, colocava-as nos suportes e as acendia. Depois, com as buchas acesas, era só segurá-los enquanto pegavam pressão e depois deixar que subissem sozinhos.

Eram os momentos da algazarra, da gritaria, enfim os momentos culminantes da festa. Ver os balões subirem. Momento de vitória. Os balões subiam, e subiam, e iam se encontrar com os outros que já estavam passando pelos céus. Quanto tempo ficariam no ar, ninguém sabia!

Numa festa de São João, era claro que não poderiam faltar os caipiras com os seus chapéus de palha, calças remendadas e a caipirinha de tranças para dançar em torno da fogueira.

Mas o São João não tem graça sem a presença do sanfoneiro e das quadrilhas. As inocentes e honestas danças folclóricas do meu tempo de criança…

As ruas ficavam cheias de fogueiras, grandes e pequenas. Algumas apagavam logo e outras ardiam a noite inteira (resumo de matéria do blog do Sarnelli).

  Pisando em brasas “Tenho 72 anos e desde pequena, quando morávamos na fazenda, minha mãe fazia a festa e acendia a fogueira em louvor a São João. Quando acabava o fogo, ela passava descalça em cima das brasas e não queimava os pés. Comemoro em nome da fé e da minha mãe. Hoje acontece uma reunião maravilhosa para Deus e os amigos”, conta a festeira Dona Adilce, do Triângulo Mineiro.

 Além das comidas típicas, reza-se o terço e soltam-se fogos ao levantar o mastro dos três santos: Antônio, Pedro e João (cf Antônio Pereira – Revista Dystaks). #

Joaquim F. Silva

Nasce nas montanhas de Minas em 1942. Tipógrafo. Bancário. Forma-se em Contabilidade e estuda em faculdade. Radica-se em São Paulo, onde trabalha com artigos religiosos e exerce voluntariado em entidades assistenciais. Católico apostólico romano, leigo consagrado segundo o método de São Luís Grignion, bacharel em teologia, missionário. Tem colaborado em alguns sites. É redator de respostas a dúvidas de aderentes de associações beneficentes. Autor de livrinhos de vidas de Santos. Resumindo: deixa de contabilizar valores materiais, para divulgar certezas espirituais.

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