Segredo do último lugar

Cristo e São Bernardo: sem humildade 

não se passa em porta baixa

Depois de estar em Jerusalém para a festa da Páscoa, Zorobabel volta à Grécia, e conta aos parentes o que estava acontecendo na cidade santa.

Encontrei muita gente alvoroçada, pois tem um rapaz de Nazaré fazendo pregações muito fortes, nunca escutadas por ouvidos israelitas. Este é o segundo ano que isso vem acontecendo.

Filho de carpinteiro, não estudou com nenhum mestre, mas com 12 anos já discutia com os doutores no Templo. Ele ou um amigo dele chamou os fariseus de “raça de víboras” e “sepulcros caiados”! Anda falando contra a lei de talião. É favorável ao perdão até 490 vezes! Alguns comentam: se esta doutrina pegar, quem vai nos respeitar?

Ele tem umas teorias que à primeira vista parecem difíceis de ser praticadas, mas o povo está gostando, pois anda sempre rodeado de multidões. Mas, pudera! Ele multiplica pães e peixes, cura doentes! A tia Susana segue-o entusiasmada. Na próxima viagem vou tirar um tempinho para observá-lo melhor.

São Bernardo de Claraval

Um de seus conselhos é este: num banquete, ocupe o último lugar, pois todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado. Como entender isso? Os nossos doutores não têm essa linguagem…

Novidade cristã – Todos os ensinamentos de Cristo são úteis para o gênero humano inteiro, em todos os tempos. São Bernardo tem estas explicações sobre a virtude da humildade, uma das novidades cristãs que alvoroçaram os israelitas no tempo do “olho por olho, dente por dente”:

“Se soubéssemos claramente em que lugar Deus coloca cada um de nós, aceitaríamos tal decisão sem nunca nos colocarmos nem acima nem abaixo desse lugar. Por isso, o mais seguro, de acordo com o conselho da própria Verdade, é escolhermos o último lugar, de onde nos tirarão depois com honra, para nos darem um melhor.

“Ao passarmos debaixo de uma porta muito baixa, podemos abaixar-nos tanto quanto quisermos sem nada temer; mas, se nos levantarmos um dedo que seja acima da altura da porta, bateremos com a cabeça. É por isso que não devemos recear nenhuma humilhação, mas antes temer e reprimir o menor movimento de autossuficiência.

“Por isso é que Deus não quis que ocupássemos um lugar intermédio, nem o penúltimo, nem sequer um dos últimos, mas disse: «Toma o último lugar», a fim de ficarmos verdadeiramente sós na última fila(São Bernardo de Claraval (1091-1153) – Monge cisterciense, Doutor da Igreja – Sermão 37 sobre o Cântico dos Cânticos).

Ver também: Grandezas da humildade

Joaquim F. Silva

Nasce nas montanhas de Minas em 1942. Tipógrafo. Bancário. Forma-se em Contabilidade e estuda em faculdade. Radica-se em São Paulo, onde trabalha com artigos religiosos e exerce voluntariado em entidades assistenciais. Católico apostólico romano, leigo consagrado segundo o método de São Luís Grignion, bacharel em teologia, missionário. Tem colaborado em alguns sites. É redator de respostas a dúvidas de aderentes de associações beneficentes. Autor de livrinhos de vidas de Santos. Resumindo: deixa de contabilizar valores materiais, para divulgar certezas espirituais.

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