“Obra de Santa Engrácia”

Assim é batizada uma construção que nunca

acaba, um projeto sem fim

MAS a santa não tem nenhuma relação com isso. Pois esta juvenil virgem lusitana do século IV, pelo contrário, quando conheceu o Cristianismo deu adesão imediata a ele, e por isso foi martirizada. Seu exemplo arrastou pelo menos dezoito pessoas, inclusive seu pai. É o que veremos mais adiante.

O que demorou e deu origem à expressão acima, foi uma igreja que deveria ser dedicada a ela, em Lisboa, cuja construção só terminou depois de 350 anos! Foi acabada em 1966, e teve outra destinação: Panteão Nacional.

Os brasileiros não temos dificuldade para encontrar exemplos de “obras de Santa Engrácia”, pois existem pelo menos quatorze mil empreendimentos inacabados em nossa pátria, segundo a revista Exame. E a mais antiga parece ser a rodovia BR-156, que completa 80 anos em dezembro de 2020.

Mas vejamos alguns traços da vida desta jovem, cujo nome ficou associado a essa espirituosa expressão popular. Expressão esta que pode ser aplicada também à felicidade eterna: ou seja, não deixemos a construção do edifício de nossas virtudes virar uma “obra de Santa Engrácia”. Pelo contrário, peçamos a ela que dê às almas de todos nós agilidade e acerto nas decisões.

Corria o ano de 303. O pagão Oteomero foi governador da província romana de Braga. Amealhou prestígio e muitas riquezas, mas só tinha uma filha, à qual não faltava beleza. Por quê não promover um casamento prestigioso para ela? E passou logo da ideia para a execução. Escolheu o candidato, um oficial do exército imperial, e comunicou à jovem seu plano. Mas este é um assunto que não se resolve à base de “ordinário, marche!”. Engrácia tinha outro objetivo na vida.

Uma escrava lhe havia contado a história de um Deus que nasceu de uma Virgem, pregou a doutrina do perdão, e fez inúmeros milagres. Morreu numa Cruz, mas ressuscitou e subiu aos Céus! Deixou na Terra uma escada para quem quiser subir também: a Igreja Católica.

Santa Engrácia de Saragoça

A moça se entusiasmou, tornou-se cristã e convenceu várias pessoas de suas relações. Resolveu consagrar sua virgindade a Jesus Cristo. Portanto, teve de dar ao pai uma resposta negativa.

A notícia dessas conversões chegou aos ouvidos do cruel imperador Diocleciano, acarretando perseguição e morte aos cristãos liderados por Engrácia, em número de dezoito. Pois ainda faltavam dez anos para esse período sombrio cessar de existir, pela ação benéfica do Imperador Constantino, no ano de 313.

Sua festa litúrgica é em 16 de abril. #

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ORAÇÃO A SANTA ENGRÁCIA

Ó Santa Engrácia, virgem e mártir ─ cujo nome foi associado a obras inacabadas, mas de fato sois exemplo de decisão e de fortaleza ─, intercedei junto ao Pai por mim.

Obtende-me do Divino Espírito Santo graças para que minhas virtudes não se transformem em “obra de Santa Engrácia”. Pelo contrário, sejam como uma casa sempre ordenada e limpa, pronta para receber o Juiz divino.

Eu vos peço por intercessão de Jesus Cristo e

de Sua Mãe Santíssima.

Amém.

Menina-mártir Cristina de Bolsena

 

Consignada na Bíblia a causa da perseguição
religiosa sofrida pela santa

A CIÊNCIA SOCIAL que estuda coisas antigas para que os vivos fiquem sabendo como viveram e morreram os mortos, é chamada de arqueologia. Objetos antigos noticiam aquilo que a escrita não registrou. Portanto, é uma ciência que ajuda a História. Planejadas por arqueólogos ou fruto do acaso, as descobertas acontecem no fundo dos mares ou debaixo da terra. Os dinossauros, os faraós e suas múmias que o digam. Mas, sobretudo os santos mártires católicos, que desprezaram a vida que passa, a fim de alcançar a que não passa.

 No século XIX pesquisadores confirmaram a existência de Santa Cristina, uma virgem e mártir do século III, portanto 1600 anos depois. A devoção a ela está documentada em mosaicos da igreja de Santo Apolinário, construída em Ravena no século VI, provando assim que a mártir já era venerada como santa nessa época.

 Os arqueólogos acharam também um cemitério soterrado, onde estava sua sepultura, além de quadros de grandes pintores que deixaram testemunhos sobre ela. Outro achado são textos em grego e em latim contando as torturas e o martírio, aos 12 anos, em Bolsena, Itália, no ano 300.

 O acontecido com Cristina estava previsto por Jesus em Mateus 10, 21. Urbano, seu pai, era oficial do Império Romano, pagão e tinha ódio furibundo contra os cristãos. Ciente da conversão da filha, quis obrigá-la a renunciar ao Cristianismo. Mandou trancá-la numa torre juntamente com algumas servas pagãs.

 Pagãs também eram as estátuas de deuses ─ aqueles “que têm boca mas não falam, têm olhos e não vêem” (cf Salmo 115, 4-7) ─ que infestavam a dita torre. Mas veja o que fez a valente Cristina, para reafirmar sua fé em Cristo: reduziu a cacos as estátuas, separando antes as joias para jogá-las pela janela a fim de serem apanhadas pelos pobres.

 Ao saber destes fatos, Urbano ─ sem nenhuma urbanidade e com muita ferocidade ─ deu ordem a seus capangas para chicotear sua filhinha e trancafiá-la num cárcere. Não obtendo sua apostasia, colocou-a nas mãos de juízes impiedosos.

 Mas estes tiveram seu trabalho inutilizado pelos Anjos santos, que sustentaram a mártir. Torturas, afogamento, grade quente, fornalha ardente, flagelação, cobras venenosas ─ nada disso alcançou o objetivo. Então a mataram com flechadas. Provou assim ser cristina não só no nome.

 Mas antes disso, seu pai recebeu a paga, tendo uma morte súbita.

 Sua festa religiosa é no dia 24 de julho. É padroeira de Bolsena e de Palermo, na Itália, e de Tendais, em Portugal. Na capital paulista tem uma paróquia em seu nome no Parque Bristol. O site da Basílica do Carmo, de Campinas, traz mais dados interessantes sobre esta menina-mártir.

 O nome Cristina é muito popular, bem como os apelidos Tina e Cris. 

 

ORAÇÃO A SANTA CRISTINA

Deus Pai Onipotente, ouvi a súplica que faço por intermédio da virgem Santa Cristina, pois sei que os Santos, por determinação Vossa, estão sempre prontos a nos ajudar.

Que ela ─ sendo tão jovem, tanto Vos agradou por sua castidade e fé heroicas, testemunhando com o martírio Vosso poder ─ alcance a graça que tanto necessito: (faça o pedido)Eu Vos peço por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém. 

 

Chanceler, arcebispo, mártir

29 de dezembro

São Tomás Becket, defensor dos direitos da Igreja

DE IMPORTANTE FAMÍLIA, Tomás nasce no ano 1117, em Londres. Faz seus estudos no continente europeu, inclusive na primeira universidade, a de Bolonha, Itália, e em Paris.

O rei Henrique II, o chama para ser Chanceler do Reino inglês, em 1155. Ele exerce com grande competência e fidelidade esse importante cargo.

Morre o Arcebispo Teobaldo em 1162, e o rei cede à Igreja o seu chanceler: ordenado sacerdote e sagrado bispo, agora Tomás é o novo Arcebispo de Cantuária, a principal sede episcopal do reino.

Adaptando à nova situação, coloca-se diante da responsabilidade de defender os direitos da Igreja, numa época de absolutismo dos reis. E se dispõe a enfrentar seu anterior patrão, se preciso for.

 Paulus

Enfrentando o perigo E foi preciso, sim. Pois a fúria do monarca sobe de tom quando Tomás se posiciona contra certos direitos reais, francamente abusivos e prejudiciais à Igreja e ao povo.

Sentindo-se traído, Henrique passa a perseguir Tomás. Este foge para a França e tem seus bens confiscados. Passa seis anos exilado, vivendo uma vida de estudo e oração num mosteiro cisterciense. Graças à intervenção do Papa Alexandre III junto ao rei, ele retorna a Cantuária, onde é acolhido triunfalmente pelos fiéis, aos quais diz: “Voltei para morrer no meio de vocês.”

O rei julga que desta vez irá contar com a submissão cega do Arcebispo. Ledo engano. No primeiro ato, Tomás reprova os bispos que haviam feito pacto com o monarca, aceitando os privilégios. Irritado e desesperado, Henrique II exclama:

– “Quem me livrará deste padre briguento?”

Quatro cavaleiros, querendo agradar ao rei, tramam a morte do valente eclesiástico. Embora avisado, Tomás permanece firme: “O medo da morte não deve fazer-nos perder de vista a justiça”. É assassinado a golpes de 4 espadas afiadas, na catedral, ainda vestido com os paramentos sagrados, em 29 de dezembro de 1170.

Passados apenas três anos ele é canonizado pelo Papa Alexandre III. #

São Tomás Becket, rogai por nós!