Uma caxumba e duas guerras

Honestidade da estudante com a ajuda

do Anjo da Guarda

Esta filha de um oficial do Exército, teve o privilégio de sentir a presença constante de seu Anjo da Guarda, desde os 5 anos.

Cecy Cony (*Jaguarão 1900 – †São Leopoldo 1939) escreveu interessantes memórias, a pedido da superiora do convento de religiosas que viram florescer suas virtudes, sob o nome de Irmã Maria Antônia. Em casa, seu apelido era Dedé.

Tirar o primeiro lugar nos exames do colégio era um acontecimento. Mamãe ficava contentinha, papai exultante, e eu esbanjando felicidade! Grandemente empenhado em que eu obtivesse boas notas, ele me incentivava muito nos estudos. Chegando eu com o prestigioso atestado azul com o nome Cecy Cony no primeiro lugar, era uma festa! Com direito a presentes. Mas só consegui essa proeza poucas vezes. Sabe por quê?

Eu tinha uma coleguinha muito talentosa e esforçada, que sempre tirava a nota máxima, merecidamente. Tinha cadeira cativa. Nas vezes acima mencionado, houve empate. Mas o segundo lugar era quase sempre meu.

Entretanto, no começo de 1915, papai me lançou um desafio:

─ “Se você conquistar o primeiro lugar neste trimestre, me proporcionará grande alegria, e vou lhe dar um belo presente”.

Concordei e prometi. Estudei a valer, preparando bem todas as lições. Rezei a meu Anjo da Guarda, fiz visitas a Nossa Senhora, fiz novenas pedindo essa graça.

Devido ao fato de eu gostar muito de papai, devo ressaltar que tinha mais desejo de vê-lo contente, do que de ganhar o regalo prometido.

Mas veja o que me aconteceu, quase às portas dos exames: amanheci adoentada. A mamãezinha veio me ver, e declarou:

─ Dedé, você está com febre alta, e parece caxumba!

E era mesmo. De cama, perdi 15 dias de aulas. Mas, com esforço redobrado, consegui recuperar, apesar do pouco tempo e de certa debilidade física.

Sabia todas as lições na pontinha da língua! Todas? Quer dizer, dos 16 pontos de História Universal, só um que não consegui apreender, por ser muito extenso: Guerra de Tróia. Fiz uma leitura do longo texto, sim, mas guardando apenas a historiazinha do cavalão de pau, do qual saíram guerreiros aos montões.

Nos exames das outras matérias, saí-me bem em todos. Já estava antevendo a vitória, quando abro o papelzinho do ponto, era a tal guerra dos gregos…

Uma colega que sabia bem esta matéria, percebendo meu apuro, propôs a troca: eu ficaria com as Guerras Médicas.

Ái! Eu sabia este ponto para tirar 10! Mas, no mesmo instante, na rapidez de um relâmpago, sinto sobre o ombro a santa mão do meu Anjo da Guarda!

Entendi tudo. Que ação baixa eu cometeria! É preferível que eu tire zero, a conquistar 10 através de uma mentira! Fiquei no quarto lugar.

O experiente militar que é meu pai, pode compreender que sua guerreirazinha fez sua parte. A derrota foi causada pela conjugação de dois adversários de peso: caxumba e Guerra de Tróia!

Entretanto, outras vezes ainda foi possível dar alegria a papai, pois a coleguinha talentosa se mudou para Cruz Alta (Resumido de: Irmã Maria Antônia [Cecy Cony] – Devo narrar minha vida – Ed. Vozes – Petrópolis – 1949 – p. 154-156). #

 

Meu Anjo da Guarda e a pandemia

Como um oficial do Exército venceu sua batalha contra o vírus de 1918

NEM todas no convento sabem. E a madre superiora pensa no futuro: como deixar sem registro fatos tão interessantes que a Irmã Maria Antônia (nome civil: Cecy Cony – *Jaguarão 1900 – †São Leopoldo 1939) tem para contar?

Sem dizer nenhuma palavra e sem lhe aparecer sob forma humana, seu Anjo da Guarda faz sentir que está constantemente ao seu lado, desde os 5 anos de idade.

Então, em boa hora, a superiora manda que ela passe para o papel tudo que está guardado em sua memória.

É por isso que você vai saber agora como o pai de Cecy, capitão do Exército, venceu a batalha contra uma terrível epidemia.

Orando pelo pai ─ Considero papai meu segundo Anjo da Guarda, mas bem visível, é claro. Estando eu doente, era meu enfermeiro. Dava-me os remédios e fiscalizava a alimentação.

Por outro lado, sendo oficial do Exército, tinha de se ausentar de casa com frequência. Na Colônia Militar do Alto Araguaia, por pouco não morreu no incêndio de uma casa de madeira na qual se hospedara. Nessa noite eu tinha acordado com um pressentimento e rezado muito por ele.

Em 1918 teve de passar um tempinho no Rio. Nos primeiros meses, tudo correu na normalidade. As muitas saudades foram mortas parcialmente por suas regulares cartas a mamãe. Mas, de repente elas cessaram de chegar. O que aconteceu?

Gripe espanhola Um telegrama seu procura acalmar a família:

“Estou um tanto enfermo, mas não é nada grave”.

Mas era! Numa tarde, voltando de bonde, sentiu-se indisposto. No hotel, mandou chamar um médico, que diagnosticou:

“O Sr. está com gripe espanhola!”

“O que é isso, doutor?”

Até então desconhecida, essa terrível epidemia começava a grassar no Rio, com muito furor, e papai foi uma das primeiras vítimas. A porta da morte estava aberta para ele! De seus vizinhos de quarto, mais de 20 já saíram por ela… [1]

O enfermeiro Miguel Mas, à hora de minhas orações diárias, eu sempre pedia a meu Anjo da Guarda que fosse ajudar papai.

E como duvidar que fui atendida?

Com efeito, o caminhar da epidemia foi tornando mais difícil conseguir médicos e enfermeiros. O que papai me contou depois sobre a dedicação e a fidelidade de seu criado de quarto, é muito esclarecedor. Sendo um desconhecido, cuidava dele como se fosse seu pai. Não deixava faltar-lhe nada. Nem médicos: quando a doença prostrava um doutor, ele conseguia logo outro. Isso aconteceu por 3 vezes.

Passados alguns meses, na convalescença, ele precisava ir ao jardim para tomar sol, o que fazia apoiando-se no prestativo braço desse moço. E aproveitava para se informar sobre sua pessoa, mas não soube nada além do nome: Miguel. Restabelecido, volta para Jaguarão.

Gratidão do “velho soldado” Estas palavras que ouvi de papai revelam a qualidade de sua gratidão:

“Aquele moço simples, de um exterior tão humilde, ocultava uma grande alma, um coração ideal, um caráter de têmpera! E em mim, velho soldado, que sempre forcejei em manter a pureza de minha consciência e enobrecer o meu caráter, a presença daquele moço infundia respeito e admiração. Jamais Miguel aceitou uma recompensa. Disse-lhe que meus bens de fortuna se resumiam no modesto soldo de oficial do Exército, mas que naquela ocasião poderia dispor de certa quantia. Miguel, com lhaneza, rejeitou”.

Então, quis dar-lhe um anel, o que também não aceitou, dizendo:

“Tendes família, oferecei-o a uma de vossas filhas, e eu me considerarei duplamente recompensado”.

Ao chegar, não fez outra coisa: pôs o anel no meu dedo e disse:

“Minha filha, quero cumprir o desejo do melhor amigo que encontrei neste mundo, e do homem mais nobre e honrado que jamais vi em minha vida”.

Dois Miguéis Papai a quem nunca vi chorar, nem por ocasião da morte de minha irmã Dilça toda vez que falava sobre Miguel, parecia-me ver lágrimas brilharem em seus olhos.

Ele contou-me ações lindas e edificantes de Miguel, ficando eu convencida de haver certa relação entre o fiel rapaz e meu Anjo da Guarda. Tanto mais que este se chama também “Miguel”, conforme eu soube depois.

A gratidão levou papai a escrever cartas ao bom moço Miguel, que até hoje estão sem resposta… (Resumido de: Irmã Maria Antônia [Cecy Cony] – Devo narrar minha vida – Ed. Vozes – Petrópolis – 1949 – p. 175-179).

 

* * * * * * * * * 

[1] A Gripe de 1918 (conhecida como Gripe Espanhola) foi uma pandemia do vírus influenza que se espalhou por quase todo o mundo, e que na Espanha ceifou muitas vidas. Foi causada por uma virulência incomum e frequentemente mortal de uma estirpe do vírus Influenza A do subtipo H1N1. O paquete Demerara, vindo da Europa, é apontado como o primeiro navio a trazer o vírus para o Brasil. Em poucos dias a epidemia irrompeu nas cidades de Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Foram registradas em torno de 300 mil mortes relacionadas à epidemia, inclusive a do Presidente da República, Rodrigues Alves (Cf wikipedia).

 

Sete santuários do Arcanjo São Miguel…

…numa surpreendente linha reta de

seis mil quilômetros!

É ISSO MESMO. São sete construções de mosteiros santuários dedicados ao Príncipe da Milícia Celeste. De estilos arquitetônicos variados, foram edificados em remotos séculos, em épocas diferentes, por povos e nações diversas.

Num belo dia alguém faz a descoberta que você pode confirmar: colocada uma régua sobre o mapa da Europa com as localizações dos 7 edifícios, o resultado é uma misteriosa linha reta que vai da Irlanda à Palestina. Quase 6.000 km! Coincidência ou obra de Deus?

  O Monte de São Miguel é o terceiro santuário do mapa

Não consta que tenha sido planejado por mão humana. Só se foram os Anjos, que apenas teriam deixado como pista o nome: “Linha Sacra de São Miguel Arcanjo”.

Tanto mais que, conforme a tradição, esse traçado simbolizaria o golpe de espada aplicado pelo Arcanjo no demônio para enviá-lo ao inferno, por ocasião da grande batalha celeste entre os anjos bons liderados por São Miguel e os anjos rebeldes chefiados por Lúcifer.

O traçado é tão simples quanto misterioso ─ um mistério geográfico. Pois, apesar das grandes distâncias entre eles, os Santuários encontram-se alinhados de forma perfeita.

Tem mais: alinha também com o poente no dia do solstício de verão no hemisfério Norte.

Dos sete santuários, os três primeiros e o sexto estão localizados em ilhas, sendo que a segunda e a terceira ilha ligam-se à terra através de istmos, por ocasião da maré baixa.

Estes são os sete Santuários da Linha Sacra de São Miguel:

O primeiro é Rocha de Miguel (Skellig Michael), numa ilha da Irlanda, construído há 1.430 anos. O Arcanjo apareceu a São Patrício (século V) para dar uma força na libertação do país dos ataques demoníacos.

O segundo é Saint Michael’s Mount, numa ilha da Cornualha, na Inglaterra, onde São Miguel se comunicou a um grupo de pescadores.

O terceiro é Mont Saint-Michel, uma ilha da França, onde o Arcanjo Miguel, há mais de mil e trezentos anos, apareceu ao bispo de Avranches, Santo Autberto, pedindo a construção de um santuário.

A Abadia do Mont Saint-Michel (França), a Sacra di San Michele e o Santuário de Monte Gargano (ambos na Itália) são os três mais importantes santuários que fazem parte desta linha, e ficam equidistantes de mil quilômetros.

Peregrinemos 1000 km, e chegaremos ao quarto santuário, que é a Sacra di San Michele, abadia construída há mais de dez séculos, sobre uma enorme rocha no Vale de Susa, na região italiana do Piemonte.

Em 2018 um grande incêndio danificou o teto da milenar abadia.

Avancemos outros 1000 km, para chegar ao quinto santuário, no Monte Gargano, na também italiana região da Apúlia. Aqui, uma caverna foi transformada em lugar sagrado, abrigando o Santuário de São Miguel Arcanjo, onde já se deram inúmeros milagres e conversões.

Deixando a Itália e saindo pelo Adriático, chegamos ao sexto santuário desta Linha Sacra, o Mosteiro de Symi, na ilha grega do mesmo nome, próxima à Turquia.

E assim, desembarcamos num lugar de grande simbolismo religioso: o Mosteiro do Monte Carmelo, em Haifa, atual Israel. O local é venerado desde a antiguidade. Aí residiu o Profeta Elias (século IX antes de Cristo). Mas a construção do santuário católico remonta ao século XII (cf O Clarim – Macau).

Agora, não percamos a oportunidade de venerar

os lugares santificados pela presença de

Nosso Senhor Jesus Cristo.