Hierarquia dos Anjos

Criaturas imateriais, eles estão divididos

em nove coros ou ordens

  Superioridade — Criados por Deus como espíritos puros e perfeitos, os Anjos não têm corpo. A perfeição deles deriva do fato de terem uma natureza mais parecida com a de Deus. Portanto, são superiores aos humanos, porque estes são compostos de espírito e matéria.

 Superiores inclusive pela inteligência, eles têm um conhecimento intuitivo de Deus, dos outros Anjos e dos homens. Ou seja, não necessitam usar o raciocínio.

  Limitações Mas uma coisa o Anjo não consegue: penetrar nos segredos dos corações humanos. Não pode também estar em todo lugar ao mesmo tempo — o que é uma qualidade só de Deus —, entretanto o Anjo pode atuar simultaneamente em vários lugares.

 Os demônios são anjos revoltados contra Deus, que entretanto não perderam as características da natureza angélica.

 Daí a necessidade que temos de nos prevenir contra suas artimanhas. Nesta linha, nada melhor do que recorrermos aos que os derrotaram lá no Céu.

  Vamos conhecê-los? Os Anjos são muito numerosos. A Bíblia menciona sempre “o exército dos Anjos”.

 Preso, Cristo disse que se Ele solicitasse, o Pai mandaria mais de 12 legiões de Anjos (cerca de 60.000) para o defender (cf Mt 26, 53).

 Em suas visões, o profeta Daniel diz haver mil milhões assistindo a Deus em seu trono (cf Dn 7, 10).

 Há quem se dá o trabalho de conjeturar quantos Anjos existem. Mas sem uma revelação divina, será que se chega a algum resultado?

 Enquanto isso, vejamos como é a divisão de funções do exército celeste. Inclusive para sabermos recorrer corretamente, em alguma emergência ou no dia-a-dia:

  Hierarquias e coros — Os Anjos estão divididos em 3 hierarquias, e cada uma delas em 3 coros ou ordens.

 A primeira hierarquia é a dos que contemplam a Deus: Serafins, Querubins e Tronos.

 A segunda hierarquia se ocupa do governo do mundo: Dominações, Virtudes e Potestades.

 A terceira é encarregada de executar as ordens divinas: Principados, Arcanjos e Anjos.

 Entretanto, cada um desses espíritos possui uma personalidade própria, inconfundível e específica, não havendo sido criado um igual ao outro. #

 

Angeologia: entenda estes espíritos celestes

 

ANGEOLOGIA é o ramo da teologia que estuda os Anjos, a

respeito dos quais muitos têm dificuldade para explicar.

 

Encontro inesperado com os Anjos

numa sala de espera

  ZABELINA e JUVENAL vão se casar. Estão na secretaria paroquial para as tratativas de praxe. A fim de testar seus conhecimentos sobre religião, o pároco faz ao casal algumas perguntinhas, entre as quais esta:

 – Juvenal, o que você me diz sobre os Anjos da Guarda?

 – Eu acho que são criaturas com forma humana, mas com asas, que cuidam da segurança no Céu, para não ter mais revoltas lá, entendeu?

 – Imaginativo, hein?…  Senhorita, dê uma ajudinha a seu noivo…

 – Eh… padre… quer dizer, eu ouvi assim que todas as pessoas têm um protetor chamado Anjo da Guarda, mas eu nunca vi o meu. Acho que ainda estou desprotegida…

 – Não diga isso, filha. A toda criatura humana que nasce, Deus destina um Anjo para protegê-la durante toda a vida. Deus não esquece ninguém!

  Espíritos mensageiros – Estou vendo que preciso dar a vocês um reforço sobre esse assunto. Sentem-se, por favor. Vai ser rápido. Vejam o que diz o Catecismo da Igreja Católica (cf nº 328 a 336):

 As fontes da revelação de Deus à Humanidade – ou seja, a Sagrada Escritura e a Tradição – confirmam a existência dos Anjos, como sendo seres espirituais. Portanto, isso é uma verdade de Fé (cf 328).

   Os Anjos são espíritos mensageiros de Deus (cf Santo Agostinho). São criaturas pessoais e imortais, com inteligência e vontade. A perfeição deles ultrapassa a de todas as criaturas visíveis, o que é confirmado pela sua glória esplendorosa. Eles são poderosos executores das ordens do Altíssimo, sempre atentos à Sua palavra (cf Salmo 103, 20).

   Às ordens de Deus – Estes espíritos celestes pertencem a Cristo, porque foram criados por Ele e para Ele. Palavra de São Paulo: “Em vista d’Ele é que foram criados todos os seres que há nos céus e na terra, os seres visíveis e os invisíveis, os Anjos que são os tronos, dominações, principados e potestades: tudo foi criado por Ele e para Ele” (Cl 1, 16).

 Mais de trezentas vezes eles são citados em toda a Bíblia, onde não faltam notícias sobre a atividade angélica. Embora sendo espíritos, eles têm poder sobre a matéria.

 E estão a serviço do plano divino da salvação: fecharam o paraíso terrestre; detiveram a mão de Abraão; conduziram o povo de Deus pelo deserto; assistiram os profetas. Foi o Anjo Gabriel que anunciou o nascimento do Precursor João Batista e o do próprio Jesus.

 Em toda a vida de Cristo a adoração e o serviço dos Anjos se fazem presentes. Eles protegem a Sua infância, servem-n’O no deserto e confortam-n’O na agonia. São ainda os Anjos que evangelizam, anunciando a Ressurreição de Cristo. E estarão presentes quando da Sua segunda vinda, que anunciam, e ao serviço do seu Juízo.

  Campo de ação angélica – A ajuda poderosa e misteriosa dos Anjos beneficia toda a vida da Igreja, o que é atestado pela liturgia em variadas circunstâncias. Ela inclusive festeja a memória dos três arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael (29 de setembro).

 E no dia 2 de outubro, para a festa do Anjo da Guarda, a Igreja nos propõe este trecho do Êxodo (23, 20-21): “Vou enviar um Anjo adiante de ti para te proteger no caminho e para te conduzir ao lugar que te preparei. Esteja de sobreaviso em sua presença, e ouve o que ele te diz”.

 Portanto, desde o seu começo até à morte, a vida humana é acompanhada pela sua assistência e intercessão. Cada pessoa tem a seu lado um Anjo como protetor e pastor para guiar seus passos nesta terra, rumo ao Céu.

 “A cada homem (ou mulher) em sua peregrinação terrestre é delegado um Anjo para sua guarda” (São Tomás de Aquino. Suma Teológica, I, q. 113, a. 4).

  Mais informações sobre Angeologia? Clique: Estrelas e Anjos e Grigio. E fique atento a novos posts que possam sair sobre o assunto. #

Estrelas e Anjos: incontáveis?

Sim. A quantidade de astros e de espíritos celestes

refletem a grandeza do Criador

  JÁ nos albores da infância, Celestino começa a se interessar por realidades que ficam acima de nossas cabeças. No sítio do avô o contato com os vagalumes desperta seu interesse pelas luzinhas brilhando no céu. Ele aprende que são os olhinhos dos Anjos observando o procedimento das crianças.

 Assim, o menino cresce, mantendo admiração e respeito para com os “anjinhos” que brilham lá no alto. Ele adquire o costume de contá-los, mesmo depois de saber que não são Anjos mas estrelas. E garante que são mais de duzentas.

 Nas aulas de catecismo toma contato com a estrela dos Reis Magos, e aprende que eles eram assíduos observadores dos corpos celestes. Ao seguirem, admirados, aquela luz, encontram o Messias, Luz dos povos.

 Por ocasião de seu aniversário, recebe um presente especial: visita ao planetário, que o põe em contato com os horizontes do mundo sideral, tirando-lhe da cabeça, entretanto, a ideia de, um belo dia, conseguir contar todas as estrelas…

  Nem Abraão – Tal como Celestino, todos nós somos desejosos de conhecer sempre mais sobre o vastíssimo Universo material. Sabemos o peso da Terra e as distâncias entre o Sol e os seus planetas. A existência de constelações e galáxias não nos é estranha.

Estrelas
Quantas estrelas tem no céu?

 Mas esta indagação – quantos astros tem no céu? – continua sem resposta, desde o desafio do Criador a Abraão: “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!” (Gênesis 15, 5). Celestino não se julga mais capaz que o Patriarca, tanto mais que nem os astrônomos com seus potentes telescópios conseguem dar a volta no assunto.

  Agora, os Anjos – Ciente de que a Sabedoria “é mais bela que o sol e ultrapassa o conjunto dos astros” (Sb 7, 29), o estudante Celestino dirige suas investigações ao mundo dos Anjos. Para isso, bate à porta da exegese e da teologia, sendo bem recebido por ambas.

 Dois evangelistas e um teólogo fornecem pistas bem interessantes. São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja, aplica a parábola evangélica (cf. Mateus 18, 12 e Lucas 15, 4-7) da ovelha que se perde enquanto as outras 99 permanecem no campo, à proporção existente entre Anjos e homens: cada ser humano corresponderia a 99 Anjos bons.

 Logo, sabendo-se quantos homens e mulheres nasceram desde o primeiro casal até hoje, é só multiplicar por 99. E esta informação Celestino já conseguiu, fornecida por uma entidade de estudos demográficos, que estima em 106.000.000.000 (cento e seis bilhões) o número de pessoas que já viveram na Terra. Ele já fez a conta: o total dos espíritos celestes seria então de 10.494.000.000.000 (dez trilhões e quatrocentos e noventa e quatro bilhões)!

 Tudo isso? Só isso?

 Tem mais. Se alguém achasse que a cifra acima é exagerada, estaria querendo impor limites ao Deus Onipotente, criador de um Universo tão vasto que os especialistas não conseguem abarcar. Mas fazem estimativas como estas: um trilhão de galáxias, com cem trilhões de bilhões de estrelas!

 Tudo isso disposto em perfeita ordem, em espaços tão grandes que nossos raquíticos quilômetros não abarcam, e foi preciso inventar uma medida baseada na velocidade da luz. Um ano luz equivale a mais de nove trilhões de quilômetros. A galáxia vizinha de nossa Via Láctea fica a 2,54 milhões de anos luz. Ainda bem que o Sol dista da Terra apenas 150 milhões de quilômetros (8 minutos-luz).Terra

  Miríades de miríades – Mas os estudos de Celestino não param aí. Se o Universo material tem tal magnitude, o que dizer do espiritual? Ele tenta, então, através de aproximações e comparações, estabelecer patamares compatíveis com a grandeza de Deus.

 Nesse sentido, os dados citados acima podem ajudar muito. Se, novamente segundo São Tomás (cf Suma Teológica. I, q. 61, a. 4), os astros são governados por Anjos, o número desses espíritos celestes seria pelo menos a soma dos Anjos da Guarda pessoais (10 trilhões) mais os governadores dos corpos celestes. Sem falar nos guardiães de países, regiões, cidades, bairros, instituições, famílias etc.

 São dados que colocam nosso estudante na rota da Angeologia. Pois está impressionado com o número de Anjos que Deus criou. Ele, que já desistiu de contar os corpos celestes, sabe agora que aqueles são muitíssimo mais numerosos do que estes. São incontáveis, portanto.

Anjos
Junto com os bem-aventurados, os Anjos louvam a Deus e executam Suas ordens

 “Na minha visão ouvi (…) a voz de muitos Anjos, em número de miríades de miríades e de milhares de milhares (…)”, é o que consegue observar São João Evangelista no Apocalipse (cf 5, 11-12).

  Angeologia – Com efeito, os Anjos são constituídos hierarquicamente por ordens ou coros com a missão de glorificar a Santíssima Trindade. Servidores e mensageiros, executam as ordens divinas, entre as quais governar o Universo e proteger os seres humanos com vistas à salvação eterna.

 Para cada um de nós, ao nascer, Deus designa um Anjo da Guarda. Poderosíssimo amigo, zeloso e sábio, pode nos ajudar em cada instante do dia e da noite, desde que peçamos. Mas, ele é tão discreto, que quase nos esquecemos de sua presença contínua ao nosso lado.

 Celestino passa, então, de contador de estrelas a admirador, propagador e devoto dos Anjos. E acostuma-se a considerar, na rotina de sua vida, a presença constante do Anjo custódio, com a certeza de que nunca está só, e que ele vai ajudá-lo a transpor os umbrais do Paraíso. Aí poderá, inclusive, fazer maravilhosas excursões pelo universo sideral, na companhia de Anjos e Santos (Obra consultada: A Criação e os Anjos. Conheça a sua Fé. São Paulo: 2014, págs. 3, 14-17, 73-77 e 84).