Natal, numa perspectiva britânica

Traços históricos da festa religiosa

mais popular da Cristandade

O DIA NATALÍCIO DE CRISTO não consta dos Evangelhos. Mas, como pode ser? O Menino Jesus sem data de aniversário?

No século IV, o Papa Júlio I resolveu o caso, estabelecendo-a no dia 25 de dezembro. Acabou sendo uma iniciativa no sentido de cristianizar as celebrações pagãs que eram realizadas nessa época.
Com efeito, no ano de 529, o 25 de dezembro já havia se firmado como feriado e, 40 anos depois, o mesmo se deu com os 12 dias entre Natal e Dia de Reis (6 de janeiro: chegada dos Reis Magos a Belém).

Solstício e Saturnália – No hemisfério norte o período natalino coincide com a festa invernal, próximo ao solstício de inverno. Depois desse período a luz do sol aumenta e os dias ficam, gradativamente, mais longos. Nossos ancestrais caçadores passavam a maior parte do tempo em ambientes externos. Portanto, as estações do ano e o clima tinham uma importância enorme em suas vidas, a ponto de eles reverenciarem o sol. Povos do norte europeu viam o sol como uma roda que mudava as estações.
Os romanos também tinham seu festival para marcar o solstício de inverno: a Saturnália (dedicada ao deus Saturno) durava sete dias, a partir de 17 de dezembro. Era um período em que as regras do cotidiano viravam de ponta-cabeça. Homem se vestia de mulher, e patrão se fantasiava de servo. O festival também envolvia procissões, decorações nas casas, velas acesas e distribuição de presentes.

Saindo do paganismo – Do ponto de vista histórico, o Natal teve de conviver com uma curiosa combinação de tradições cristãs, pagãs e folclóricas. Se voltarmos no tempo para 389 d.C., veremos São Gregório Nazianzeno (um dos quatro patriarcas gregos) advertindo contra “os excessos nas festividades, nas danças e decorações nas portas”. Era um esforço da Igreja Católica para eliminar os traços pagãos dos festivais de inverno.

Com o passar do tempo, os católicos foram restringindo as celebrações pagãs e dando um sentido cristão a costumes populares. Os cânticos natalinos, por exemplo, eram originalmente músicas para comemorar colheitas ou a metade do verão, até serem incorporadas pelos religiosos. Elas se tornaram uma tradição natalina no final do período medieval.

Após 400 d.C., durante 1000 anos as comemorações natalinas constavam de banquetes e diversões. Era um festival predominantemente secular, mas já continha alguns elementos religiosos.
O Natal medieval durava 12 dias, entre o dia 24 de dezembro e o dia 6 de janeiro, festa da “Epifania do Senhor”. Epifania vem do grego, e significa manifestação, referente ao momento em que Jesus foi revelado ao mundo. Até os anos 1800, a Epifania (ou Dia de Reis) era uma celebração tão grande quanto à do Natal.

Festas, não! – À semelhança do próprio Cristo, o Natal tem também seus inimigos. Até o século XIX, a data não era uma celebração familiar. Havia o costume das pessoas beberam e saírem comemorando pelas ruas. Faziam-no de modo tão efusivo que serviu de pretexto para os puritanos cristãos suprimirem as festas natalinas em suas áreas de influência, de meados do século XVII até o início do século XVIII.

Formado por protestantes radicais, o movimento puritano começou durante o reinado da rainha britânica Elizabeth I (1558-1603) e se baseava em severos códigos de conduta moral, e numa interpretação rígida do Novo Testamento.

Como os Evangelhos não mencionam a data do nascimento de Jesus, os puritanos aproveitavam para espalhar que o Natal católico era muito relacionado aos festivais pagãos romanos, e se opunham à sua celebração, devido sobretudo ao seu aspecto festivo, com comes e bebes, herança da Saturnália, diziam eles. (cf BBC – A história e as curiosidades do Natal)

Festas, sim! – Mas, não deixemos a última palavra com eles. Temos motivos de sobra para seguirmos comemorando, festivamente, o aniversário de Jesus, no dia 25 de dezembro! #

Cruz de Cristo: prefiguras, encontro, milagres

Santa Helena descobre e o Céu confirma

  O CRIADOR de todas as coisas visíveis e invisíveis, do nada as formou, da melhor maneira possível. Nem poderia ser de outro jeito, pois Ele é a própria Sabedoria. Além disso, o divino Artista deixou sua assinatura nas obras que criou: no Universo material com grandezas estonteantes, bem como nos organismos microscópicos.

 Como para Deus tudo é presente ─ sem passado nem futuro ─ quem tiver olhos para ver, pode enxergar elementos de profecia nas criaturas.

Posição das patas inspirou o nome do inseto: louva-a-Deus

 Os instrumentos da Paixão de Cristo sempre puderam ser vistos numa planta nativa do Brasil e só conhecida no século XVI, a flor de maracujá.

 E os insetos nunca deixaram de ter um representante glorificando o Criador em atitude de prece: o louva-a-Deus.

 Desde a criação do Universo a constelação do Cruzeiro do Sul retrata a peça na qual Cristo haveria de morrer e que se tornaria o símbolo máximo de sua Pessoa, de sua Igreja e de sua doutrina: a Cruz.

 Em consequência, símbolo de vitória também. A começar por Constantino em 312, continuando nas Cruzadas e demais feitos cristãos heróicos ao longo da História.

S a n t a   H e l e n a

 Entretanto, a tão preciosa relíquia ficou enterrada durante três séculos ─ o terrível período das perseguições ─ e que foi descoberta graças ao zelo de Santa Helena (250-330). Com efeito, essa senhora, mãe do imperador Constantino I (272-337), foi de Roma à Palestina, para supervisionar escavações no Monte Calvário.

 Acharam então três cruzes.

 De que modo se poderia saber qual era a de Jesus Cristo?

 Como havia uma mulher agonizante, tocaram nela uma das cruzes e não aconteceu nada. Ao tocar outra cruz, ela piorou. Mas ao encostar a terceira cruz, a doente ficou imediatamente curada!

 Não restava mais dúvida. Para comemorar o encontro, milhares de devotos participaram de uma procissão em Jerusalém. Nessa ocasião houve outro milagre: ao cruzarem com um cortejo fúnebre em que uma viúva levava seu filho para enterrar, este ressuscitou quando aproximaram do corpo a Santa Cruz!

 Portanto, é uma relíquia que tem poderes semelhantes aos do próprio Jesus, que curava as pessoas que dEle se aproximavam com fé. #

Sinos de Notre Dame

O sino mais antigo da Catedral é afilhado do rei

Luís XIV e pesa 13 toneladas

  CATEDRAL gótica das mais famosas do mundo, Notre Dame de Paris está ferida. Por quem? Pela voracidade do fogo, que atingiu o coração de seu charme, a alta flecha de 96 metros, no dia 15/4/2019.

 Mas, socorrida em tempo, a igreja de 850 anos continua de pé com suas torres de pedra, suas rosáceas multicores, seus sinos de bronze. Graças a Deus!

   O Bourdon Emmanuel A peça mais antiga da família sineira da Catedral de Notre Dame de Paris é o ‘bourdon’ Emmanuel, de 13 toneladas, com diâmetro de 2 metros e 62 cm. Seu badalo pesa 500 kg. Para acioná-lo eram necessários os braços de oito homens! Ainda bem que agora um motor faz esse serviço.

 Fundido em 1686, Emmanuel, ficou muito tempo sozinho ou mal acompanhado, pois a sanha anti-católica da Revolução Francesa (1789), não podendo guilhotinar, transformou em canhões os irmãos dele. Anos depois, foram colocados novos sinos, mas eram de qualidade inferior…

  Emmanuel, por quê? Costume católico antigo, todo sino de igreja é ‘batizado’ numa cerimônia especial com padrinho e madrinha. Nesta ocasião recebe também um nome.

 No caso deste bourdon — sino de tom mais baixo em um conjunto sineiro —, seu padrinho foi o rei Luís XIV (1638-1715), que deu-lhe o nome de Emmanuel, em homenagem a Nosso Senhor Jesus Cristo! (“E ele será chamado Emanuel, que significa Deus conosco” – Mateus 1, 23).

 A esposa do rei, Dª Maria Teresa da Áustria, foi a madrinha. Celebrante: o Arcebispo de Paris, Mons. François Harlay.

 Considerado um dos mais belos sinos da Europa, ele toca apenas em grandes celebrações religiosas como a visita do papa, comemorações e funerais importantes.   Em 2005, tendo falecido o Papa João Paulo II, o Emmanuel deu tantas badaladas quantos foram os anos de vida de Karol Wojtyla: 84.

   Nove sinos novos com as mesmas características dos antigos, subiram as escadas de madeira das duas torres sineiras, em 2013. Emmanuel, do alto do campanário, os saudou com suas mais solenes badaladas:

 Marie (em homenagem a Nossa Senhora), outro ‘bourdon’ mais leve (6 toneladas), que ficou ao lado do Emmanuel, na torre sul.

 Os outros, menores, alojaram-se na torre norte, de onde marcam as horas e tocam música. Para alegria dos parisienses e visitantes.

  Solidariedade A comoção universal gerou solidariedades mundiais. Dois dias depois do incêndio, os sinos de todas as catedrais francesas badalaram na mesma hora do início do sinistro. Várias entidades e personalidades se movem para restaurar a Catedral de Notre Dame de Paris. O Papa Francisco manifestou pesar e esperança. #