A reabilitação da mulher na Bíblia

 

Tesouro não  só de um povo mas de toda a humanidade,

onde beberam sua divina inspiração grandes

gênios das letras e das artes

 

NESSE LIVRO aprenderam o segredo de elevar os corações e arrebatar as almas com sobre-humanas e misteriosas harmonias. Quem colocou diante dos olhos dos grandes escritores místicos tão variados registros do coração humano? Aquela vigorosa eloquência, aquelas tremendas imprecações e fatídicas ameaças, aqueles suavíssimos timbres de ardorosa caridade e de castíssimo amor, com que algumas vezes surpreendiam a consciência dos pecadores, e outras levavam ao arrebatamento as limpas almas dos justos.

Suprimi a Bíblia com a imaginação, e tereis suprimido uma grande e bela literatura, carregada de esplêndidos atavios, soberbas pompas, santas magnificências.

Porque nela estão escritos os anais do Céu, da Terra e do gênero humano. Está contido o que foi, o que é, e o que será: na primeira página conta o princípio dos tempos e das coisas; na última, o fim das coisas e dos tempos. Livro prodigioso esse, que há 35 séculos os humanos começaram a ler, e ainda não acabaram.

Sob o prisma religioso, todas as nações eram idólatras, maniqueias ou panteístas. Dominava tudo a lei do talião, do mais forte. Até os impérios caíam, com estrépito, uns sobre os outros. A misericórdia era virtude desconhecida.

Do ostracismo à glória Nesse ambiente, não é de se espantar que a mulher estivesse condenada ao ostracismo social e político, e à servidão doméstica. Era o peso de uma tremenda maldição.

Mas os Livros Sagrados nos mostram o outro lado da medalha. Não se contentaram os hebreus em confiar à mulher o brando cetro de seus lares, mas puseram, muitas vezes, na sua mão fortíssima e vitoriosa, o pendão das batalhas e o governo do Estado. Exemplos?

A ilustre Débora foi profetisa, juíza, general dos exércitos; manejava com igual desenvoltura a lira, o cetro e a espada! A viúva de Janeu governou Israel por 10 anos. A mãe do rei Asa regeu o reino em nome do filho. Judite salvou seu povo, ao cortar a cabeça do poderoso Holofernes! Hulda foi agraciada por Deus com o dom de profecia.

Entretanto, para conhecer a Mulher por excelência, é necessário chegar à plenitude dos tempos e subir ao trono resplandecente de Maria, a criatura mais bela por si só do que toda a criação. Ela é amada de Deus, servida pelos Anjos, venerada pelos homens.

O Pai a chama Filha, o Espírito Santo a chama Esposa, o Filho a chama Mãe. Impossível honra maior do que pertencer à Família Divina! Os Serafins compõem a sua corte. Dos Céus e da Terra é Rainha, é Soberana. #

(Resumido de: Discurso Acadêmico sobre a Bíblia – Juan Donoso Cortés – 1809-1853)

 

O grande livro da eternidade

Verdades imutáveis para a

mudança de ano

TUDO se entrelaça no homem, para além das finalidades imediatas de todas as coisas que ele faz: andar ou respirar, por exemplo. Tal é a linda complexidade da vida humana e do ser humano! Como é nobre pensar! Tudo quanto o homem possui no corpo existe para expressão de algo que ele tem na ideia, no pensamento, e todo o seu corpo não serve senão para expressão de sua alma espiritual, impalpável, que jamais morrerá e terá uma finalidade, mesmo quando ela não estiver unida ao corpo. E quanto é pouco o corpo, quando compreendemos que um dia a alma se desprenderá dele, deixando-o para se pôr na presença de Deus.

O corpo se desfaz, mas virá o momento em que esse pó esparso pela terra será recolhido pelos Anjos com um empenho enormemente maior do que o do pescador de pérolas, que as apanha no mais escuro do mar; mais do que qualquer pesquisador de brilhantes no seio da terra e nas galerias mais profundas.

Assim, a ação dos Anjos se estenderá sobre toda a Terra e recolherá o pó de cada um, para que renasça sob a forma da ressurreição dos mortos e se apresente de novo gloriosamente. Quanta queda! Quanto desfazimento! Quanta nulidade! Que glória magnífica e que eternidade!

Portanto, o homem viveu nesta Terra, levou sabe-se lá que existência — são tão variadas as vidas! Em certo momento, morre. Mas não acabou tudo; o melhor ou o pior está para começar. É o prefácio que acabou; o livro vem depois. É o grande livro da eternidade.  (…)

A humanidade constitui uma coleção. E o vale de Josafá, onde se acredita que se dará o Juízo Final, vai ser como um estojo onde vão estar guardados todos os espécimes dessa coleção, desde Adão até o último homem.  (…)

Está escrito no Gênesis que Deus criou todos os seres e, contemplando-os, considerou que, se cada um era bom, o conjunto era melhor (Gn 1, 31). O conjunto de todos os homens é mais belo do que cada homem individualmente. Então, poderemos dizer: “Que coisa magnífica é ser homem!”

                                                                                                                    Plinio Corrêa de Oliveira

                         (Revista “Dr. Plinio” nº 190 jan 2014)

 

Jesus e as flores

Jesus e as flores

Quem fez todas as criaturas, tem

preferência por alguma?

EMBORA as narrações das bodas de Caná não contemplem esses belos ornamentos vegetais, certamente no tempo de Cristo os israelitas faziam uso de flores por ocasião de aniversários, de casamentos — que, aliás, era a principal festa civil, com duração de uma semana.

Maria, que foi a protagonista do primeiro milagre de seu Filho ao transformar água em vinho, não teria deixado de levar aos noivos um belo arranjo floral, por Ela mesma preparado. Carinhosamente.

Jesus, o Filho — por fazer parte da Santíssima Trindade, Deus Uno e Trino —, é também criador de todas as coisas. Portanto, inclusive as flores devem a Ele sua existência.

       Lírios do campo — Atento observador até das coisas miúdas que O rodeavam, deve ter comentado com os discípulos — além das parreiras, do trigo, da galinha com os pintainhos, da semente de mostarda —, muitas outras coisas que não foram registradas pela pena dos evangelistas. Segundo São João (21, 25), não haveria espaço na Terra para guardar tudo que Ele disse.

Mas o que foi conservado faz parte da Revelação de Deus à humanidade, que é suficiente para a salvação eterna de quem não queira se condenar.

Exemplo disso é esta flor de pensamento brotada dos mesmos lábios divinos que arrebataram os ouvintes com o Sermão da Montanha:

       “Por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão, no auge de sua glória, não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito melhor a vós, homens de pouca fé?” (Mateus 6, 28-30).

Quão belas observações o Mestre terá feito, por exemplo, a respeito da tulipa, do jasmim, da rosa! Mas pode ser que o Espírito Santo não tenha inspirado a inclusão na Bíblia desses supostos comentários, para que cada pessoa pudesse, mais livremente, optar por esta ou aquela flor. O mesmo se pode dizer de tantas outras criaturas, sobre as quais não consta que Cristo tenha emitido uma apreciação. Na semana da criação, Deus considerou igualmente bom cada conjunto criado (Gênesis 1-2).

O profeta Isaías nos fornece uma lição: Toda a humanidade é como a relva, e toda a sua glória é como a flor da relva. Esta murcha e cai a sua flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre (cf 40, 8). #