A quarentena do justo Jó

Arca de Noé

Exemplo para todos em tempo de pandemia

NETOS de Noé ─ aquele da Arca ─ encontram-se estabelecidos na Caldeia, bela região vizinha dos lendários rios Tigre e Eufrates, quatrocentos anos após o Dilúvio.

Daí Deus escolhe Abrão para dar origem ao povo privilegiado do qual nasceria Jesus Cristo (Mateus 1:1-17 e Lucas 3:23-38). É uma história tão especial que é chamada de sagrada. Cheia de prefiguras do Salvador.

Uma delas é Jó, chefe de tribo e muito rico em terras e rebanhos. Tem até status de rei. Família numerosa e unida, que o considera favorito de Deus.

Rebelde no Céu Entretanto, estando os Anjos junto ao trono do Altíssimo, intromete-se entre eles aquele espírito de nenhuma humildade e de muitos nomes ─ satanás, demônio, diabo, lúcifer etc ─, e lança um insolente mas inútil desafio ao Todo-Poderoso:

“Deixe-me provar a fidelidade do vosso servo Jó. Ele só é fiel a Vós porque tem muitos bens. Se eu tirar-lhe a riqueza e a saúde, voltará contra Vós”.

Deus dá permissão, proibindo, entretanto, de lhe tirar a vida.

Leproso, sem casa nem pão, tendo de ouvir desaforos

Tremendas catástrofes acontecem em pouco tempo. Bandidos invadem as propriedades, matam os empregados, levando os rebanhos e os objetos valiosos. Um furacão derruba a casa onde os filhos de Jó faziam uma festa, e todos morrem.

Jó fica só, sem teto, sem comida, e pega a terrível doença da lepra. Pior: os poucos familiares e amigos que se aproximam dele, não o ajudam em nada. Suas línguas só sabem dizer palavras ácidas: “isso é castigo por algum feio pecado seu; examine-se e arrependa-se!”

Ele responde: “O Senhor deu, o Senhor tirou. Bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1-21).

E aquele anjo revoltado continua azucrinando seus ouvidos:

“Eh, do que adianta sua fidelidade a Deus?”

Mesmo sem entender os motivos de tão cruéis e prolongados sofrimentos, Jó mantém-se paciente e fiel ao Senhor, que dá o bem e o mal segundo sua vontade soberana.

Lamentações, defesa e prece de Jó ─ Os longos dias de aflição surpreenderam-me. Quando esperava a felicidade, veio a desgraça; esperava a luz, e as trevas envolveram-me.

As minhas entranhas ardem com um fogo devorador. Tornei-me irmão dos chacais e companheiro das corujas.

Eis-me como um homem destruído, sem esperança, sem qualquer alegria.

À noite, a dor trespassa os meus ossos; o mal que me atormenta nunca dorme.

Entretanto, digne-se o Soberano Juiz escutar os meus desejos.

Ó meu Deus, se me pesar na balança da justiça, achar-me-á inocente.

Sempre temi o Senhor como as ondas do mar em fúria e nunca pude resistir ao peso da Sua majestade.

Nunca coloquei no ouro a minha esperança, nunca considerei o Sol e a Lua como ídolos dignos da minha adoração, pois isso é um crime monstruoso, significa negar o Deus Altíssimo.

Os meus pés seguiram sempre as Suas pegadas, Senhor, sem me desviar para a direita ou para a esquerda.

Mas, se Vos ofendi, arrependo-me de todo o meu coração, e desejo penitenciar-me nas cinzas e no pó.

Se Vós me pusestes à prova, dela sairei como o ouro acrisolado. Confiante, clamo por Vós, ó meu Deus!

Deus atendeu a oração do justo Jó. Em recompensa pela sua fidelidade, deu-lhe o dobro do que perdera. Teve vários filhos e filhas. E viveu ainda 140 anos bem vividos (cf Augustin Berthe – Relatos Bíblicos – p. 111-132). #

 

Feliz quem põe em prática a Palavra

 

A vocação do cristão exige o cumprimento íntegro da moral católica 

 

Naquele tempo, enquanto Jesus falava ao povo uma mulher levantou a voz no meio da multidão e Lhe disse:

“Feliz o ventre que Te trouxe e os seios que Te amamentaram”. Jesus respondeu: “Muito mais

felizes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11, 27-28).

 

 “Os dois versículos do Evangelho de hoje nos apresentam um convite extraordinário, muito mais importante do que se fôssemos destinados a ser pai ou mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 “À imitação de Nossa Senhora, devemos ouvir e pôr em prática a Palavra de Deus, o que, em nosso caso, significa atender ao apelo universal à santidade feito a todo batizado e sermos inteiramente dóceis àquilo que a Providência inspirou em nossos corações.

 “Somos chamados a constituir as pedras vivas do edifício da Santa Igreja no mundo atual, tão desvairado pelo pecado e pervadido de horrores; somos chamados a abraçar a virtude e a levantar o estandarte da fidelidade à Igreja de Cristo.

  “Se assim procedermos, seremos felizes, tanto quanto cabe a nossa natureza decaída, como o foi a Virgem Maria, guardadas as devidas proporções.

 “A vocação do cristão exige o cumprimento íntegro da moral católica, condensada no Decálogo, e impressa no fundo de nossa alma. Deus está a todo momento nos conclamando para uma entrega, um combate, um progresso, um passo adiante, a fim de realizarmos em nossa existência a profecia do Protoevangelho: “Porei hostilidade entre ti e a Mulher, entre tua linhagem e a linhagem dEla” (GN 3, 15a). Nós somos essa linhagem em constante hostilidade com a linhagem da serpente, ao pormos em prática a Palavra de Deus.

 “Maria Santíssima, a Arca da Nova Aliança, Mãe de Deus e nossa Mãe, neste dia em que Se elevou gloriosamente aos Céus em corpo e alma, antecipou a vitória final prevista na maldição da serpente: “Ela [a Mulher] te esmagará a cabeça” (GN 3, 15b).

  “Vitória triunfal que será completa na ressurreição dos mortos, no fim dos tempos, quando o mal for definitivamente derrotado no Juízo Universal, e o Filho de Deus pronunciar a sentença final: “Vinde benditos de meu Pai, recebei por herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo” (Mt 25, 34).” [Mons. João Scognamiglio Clá Dias – “Arautos do Evangelho” nº 212, agosto 2019, p. 12-13]. #

 

*     *     *

 

Aos pés do pequeno monte, grande alegria

  Acompanhe Jesus Cristo, e veja como foi a

ressurreição do filho da viúva

(Lc 7, 11-16)

  NAIM ─ aldeia situada na encosta setentrional do pequeno Hermon, a trinta e oito quilômetros aproximadamente de Cafarnaum ─ foi teatro de um dos maiores milagres de Jesus.

 Caía a tarde. O sol estava a ponto de esconder-se atrás das montanhas, quando o Salvador, acompanhado de seus discípulos e de uma multidão que não podia separar-se dEle, subia pelo estreito caminho que dava acesso ao lugar.

 Próximo da porta da aldeia, teve de ceder o passo a outro cortejo que dali saia em direção contrária. Era um enterro. Sobre um esquife, sem caixão, conduziam o cadáver dum jovem envolto num lençol.

 Atrás vinha com os parentes e amigos a mãe muito triste e desolada. Era viúva, e o defunto, quase menino ainda, era seu único filho e seu futuro arrimo. Morrera. Que seria dela dali em diante?

 Informado do que se passava, Jesus, sempre misericordioso e compassivo, disse àquela viúva inconsolável:

  ─ Não chores, filha.

 E aproximando-se do féretro, fez sinal para que parassem e o deitassem no solo. Toda gente se apinhou ao redor do Salvador. Que iria acontecer?

 Os entusiastas do divino Taumaturgo estavam acostumados a vê-lo operar estupendos milagres; mas, com um morto, que era levado à sepultura, que poderia Ele fazer?

 Os olhos daquela gente, arregalados pela curiosidade, não perdiam os menores movimentos do Mestre Jesus, olhando para o cadáver daquele rapaz, pálido e rígido pelo frio da morte, ordena-lhe em tom imperativo:

  ─ Moço, eu te digo, levanta-te!

 O calafrio da emoção eletrizou os circunstantes. Não havia dúvida, o morto ressuscitara. Todos podiam ver como o cadáver se movia e a sua cor lívida desaparecia; os olhos brilhavam, os lábios abriam-se; o defunto falava.

 Já não está morto. Vive; vive a sua vida plena.

 E Jesus, tomando-o pela mão, entrega-o à mãe, que, derramando lágrimas de comoção e alegria, prostra-se por terra para dar graças ao Senhor da vida e da morte (Pe. FRANCISCO ALVES – Tesouro de Exemplos – Ed Vozes – Petrópolis, RJ – 1958 – p. 10-11). #

50 milagres bíblicos