Sobre a didática de Jesus

 

Narrativas breves com conteúdos alegóricos para

transmitir ensinamentos ou ilustrar verdades:

são as parábolas cristãs

 

UM INTELIGENTE neófito, assistindo explicação sobre as Sagradas Escrituras, faz esta pergunta:

— Quantos livros Cristo escreveu?

— Nenhum.

Embora surpreso, agrada-se sobremaneira com as razões apresentadas:

É tal a sabedoria de Jesus, que a Terra não caberia seus divinos escritos, caso Ele tivesse optado por ser escritor. Veja o que diz São João Evangelista: “Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever” (21, 25).

 Mas o Mestre preferiu ensinar pelo exemplo de vida e através da palavra falada. Além dos ensinamentos formais como o Sermão da Montanha, usou largamente de parábolas, das quais os evangelistas registraram quarenta.

Entretanto, o que Cristo não fez, seus seguidores fizeram: desde os tempos apostólicos até hoje, no mundo todo, floresce variada gama de comentários e explicitações baseadas nos divinos ensinamentos cristãos. As parábolas têm papel relevante nisso.

São Cromácio de Aquileia Século quarto, norte da Itália. Mesmo sendo acossado por invasores bárbaros, o teólogo São Cromácio, Bispo de Aquileia, encontra espaço para ajudar São Jerônimo na tradução da Bíblia — a famosa Vulgata, e ainda deixa-nos esta bela interpretação da parábola da sementinha de mostarda:

“O SENHOR comparou-Se a Si mesmo a um grão de mostarda. Sendo o Deus da glória e da majestade eterna, tornou-Se muito pequeno, porque quis nascer de uma Virgem com um corpo de bebê.

“Foi lançado à terra quando o seu corpo foi posto no túmulo; mas, depois de Se ter elevado de entre os mortos pela sua gloriosa Ressurreição, cresceu até Se tornar uma árvore em cujos ramos habitam as aves do céu.

“Esta árvore significa a Igreja, que a morte de Cristo ressuscitou para a glória. Os seus ramos devem ser entendidos como sendo os Apóstolos porque, tal como os ramos são o ornamento natural da árvore, assim os Apóstolos são o ornamento da Igreja de Cristo, pela beleza da graça que receberam. E sabemos que nestes ramos habitam as aves do céu.

“Alegoricamente, as aves do céu designam-nos a nós, que, tendo vindo à Igreja de Cristo, descansamos nos ensinamentos dos Apóstolos como as aves nos ramos#

 

Grupo de Estudos e Pesquisas

Leigos que professam a religião católica, apostólica, romana, e se consagram a Nossa Senhora segundo o método de São Luís Grignion. Há bacharéis em teologia, missionários, escritores, professores, estudantes. Alguns colaboram em revistas, boletins e sites, ou exercem voluntariado em entidades beneficentes.

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