Deus Filho precisava orar?

Cristo dirige-se ao Pai enquanto inferior,

mesmo sendo igual

  CATÓLICOS que somos, temos bem presente a doutrina cristã sobre a Santíssima Trindade, ou seja, um só Deus em Três Pessoas iguais: Pai, Filho e Espírito Santo. Sabemos também ser impossível entender este mistério da nossa Fé. No Céu saberemos.

 Mas há assuntos relacionados com esse altíssimo tema que, entretanto, não habitam nas nuvens do mistério. Um deles é: como explicar as várias passagens do Evangelho em que o Filho reza ao Pai? Se os Três têm o mesmo poder, não parece que Deus estaria pedindo a Deus algo para o próprio Deus?

 Vejamos a colocação de um teólogo do século V. Afirma o Santo Patriarca Hesíquio de Jerusalém que, desde toda a eternidade, o Filho desejava poder dirigir-se ao Pai enquanto inferior, mas era impossível, pelos motivos já mencionados.

 Então, “Maria resolveu essa questão com o seu fiat, permitindo ao Filho fazer-Se Homem. Era de dentro de sua natureza humana que Jesus elevava sua mente a Deus e exprimia os desejos de seu Sagrado Coração, rogando fossem eles concretizados. Ou seja, nunca Jesus rezou enquanto Deus ─ e nem teria sentido, aliás, Ele assim proceder ─ mas sempre o fez como homem, pois sabia que certas graças não seriam jamais obtidas senão por meio de seus pedidos, por isso ‘Ele andava retirado pelas solidões e a orar’ [Lc 5, 16]” (Mons. João Scognamiglio Clá Dias – O inédito sobre os Evangelhos – vol. VI – p. 241-242). #

Inteligentes, sejam felizes!

Como alcançar a felicidade?

  TUDO que existe foi criado por Deus, a fim de glorificá-lo. Esbanjando luz e calor sobre a Terra, o Sol mantém a vida de tudo que é vivo. E ainda proporciona dois belos espetáculos diários: um na chegada, outro na saída.

 Quem tem olhos para ver, percebe nisso a grandeza de Deus, concluindo que o Astro Rei cumpre, assim, com a finalidade para a qual foi criado.

O Sol se põe: missão cumprida

 O mesmo pode-se dizer das multidões de corpos celestes espalhados pelo espaço sideral, bem como dos minerais em geral.

 E o mundo vegetal? Quanta diversidade. Desde uma plantinha sem tamanho e sem nome, até uma sequoia de 128 metros!

 Não é diferente com os animais, sejam eles aéreos, terrestres ou aquáticos.

  Como esses seres dão glória a Quem os criou?

 É o Mons. João Scognamiglio Clá Dias que nos explica: eles glorificam a Deus “pelo simples fato de existirem e trazerem em si reflexos do Criador, como canta o Eclesiástico: ‘A obra do Senhor está cheia de sua glória’ (42, 16).

 “Entretanto, o dever de tal glorificação cabe em especial às criaturas inteligentes ─ Anjos e homens ─, por serem capazes de honrar a Deus por amor, de modo consciente, livre e voluntário” (O inédito sobre os Evangelhos – vol. VI – p. 194).

  O que faço eu, então?

 Deus é misericórdia, não é? Conhecendo, amando e servindo a Ele, eu pratico as virtudes cristãs e fico em condições de promover a Sua glória nesta Terra. Feito isto, eu alcanço a felicidade possível. Em posse desta felicidade, eu glorifico a Deus e, glorificando-O, encontro minha suprema felicidade, a celeste (cf Pe. Royo Marín).

 Concluindo este raciocínio, Mons. João afirma que as almas possuidoras desta alegria, têm o desejo de transmiti-la aos semelhantes. Surge, então, o complemento da verdadeira felicidade: fazer o bem às pessoas, levando-as “a participar das alegrias da virtude, nesta Terra, rumo às eternas alegrias do Céu” (Idem, p. 195). #

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

27 de junho

Pintura inspirada em tela de São Lucas opera prodígios

por toda parte até os dias de hoje

  TUDO começa com outra pintura, do século I. O pintor é também evangelista, contemporâneo de Maria. A tela de Lucas transpõe fronteiras geográficas e de tempo. E serve de inspiração para outros pintores marianos. Multiplica-se.

 Um bonito quadro de Maria ─ pintado no século XIII por um artista não identificado ─ está na ilha de Creta. Em 1496, um negociante com muita ganância e nenhuma piedade, furta-o, levando escondido para Roma, a fim de vendê-lo.

 Mas a pintura está operando milagres! Como fazer? Indeciso, morre sem executar a ordem de Nossa Senhora: entregue o ícone para uma igreja! Só em 1499 o quadro é levado para a igreja de São Mateus, na Via Merulana. Aí são 300 anos de peregrinações, graças e prodígios.

 Até que, na década de 1790, o flagelo das guerras napoleônicas devasta a Itália, arrasando 30 igrejas só em Roma. O quadro milagroso de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é salvo, mas esquecido…

 Na metade do século XIX é encontrado. Então o papa incumbe os padres redentoristas de cuidarem dele e divulgarem pelo mundo afora a devoção do socorro perpétuo de Nossa Senhora. #