Estrelas e Anjos: incontáveis?

Sim. A quantidade de astros e de espíritos celestes

refletem a grandeza do Criador

  JÁ nos albores da infância, Celestino começa a se interessar por realidades que ficam acima de nossas cabeças. No sítio do avô o contato com os vagalumes desperta seu interesse pelas luzinhas brilhando no céu. Ele aprende que são os olhinhos dos Anjos observando o procedimento das crianças.

 Assim, o menino cresce, mantendo admiração e respeito para com os “anjinhos” que brilham lá no alto. Ele adquire o costume de contá-los, mesmo depois de saber que não são Anjos mas estrelas. E garante que são mais de duzentas.

 Nas aulas de catecismo toma contato com a estrela dos Reis Magos, e aprende que eles eram assíduos observadores dos corpos celestes. Ao seguirem, admirados, aquela luz, encontram o Messias, Luz dos povos.

 Por ocasião de seu aniversário, recebe um presente especial: visita ao planetário, que o põe em contato com os horizontes do mundo sideral, tirando-lhe da cabeça, entretanto, a ideia de, um belo dia, conseguir contar todas as estrelas…

  Nem Abraão – Tal como Celestino, todos nós somos desejosos de conhecer sempre mais sobre o vastíssimo Universo material. Sabemos o peso da Terra e as distâncias entre o Sol e os seus planetas. A existência de constelações e galáxias não nos é estranha.

Estrelas
Quantas estrelas tem no céu?

 Mas esta indagação – quantos astros tem no céu? – continua sem resposta, desde o desafio do Criador a Abraão: “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz!” (Gênesis 15, 5). Celestino não se julga mais capaz que o Patriarca, tanto mais que nem os astrônomos com seus potentes telescópios conseguem dar a volta no assunto.

  Agora, os Anjos – Ciente de que a Sabedoria “é mais bela que o sol e ultrapassa o conjunto dos astros” (Sb 7, 29), o estudante Celestino dirige suas investigações ao mundo dos Anjos. Para isso, bate à porta da exegese e da teologia, sendo bem recebido por ambas.

 Dois evangelistas e um teólogo fornecem pistas bem interessantes. São Tomás de Aquino, Doutor da Igreja, aplica a parábola evangélica (cf. Mateus 18, 12 e Lucas 15, 4-7) da ovelha que se perde enquanto as outras 99 permanecem no campo, à proporção existente entre Anjos e homens: cada ser humano corresponderia a 99 Anjos bons.

 Logo, sabendo-se quantos homens e mulheres nasceram desde o primeiro casal até hoje, é só multiplicar por 99. E esta informação Celestino já conseguiu, fornecida por uma entidade de estudos demográficos, que estima em 106.000.000.000 (cento e seis bilhões) o número de pessoas que já viveram na Terra. Ele já fez a conta: o total dos espíritos celestes seria então de 10.494.000.000.000 (dez trilhões e quatrocentos e noventa e quatro bilhões)!

 Tudo isso? Só isso?

 Tem mais. Se alguém achasse que a cifra acima é exagerada, estaria querendo impor limites ao Deus Onipotente, criador de um Universo tão vasto que os especialistas não conseguem abarcar. Mas fazem estimativas como estas: um trilhão de galáxias, com cem trilhões de bilhões de estrelas!

 Tudo isso disposto em perfeita ordem, em espaços tão grandes que nossos raquíticos quilômetros não abarcam, e foi preciso inventar uma medida baseada na velocidade da luz. Um ano luz equivale a mais de nove trilhões de quilômetros. A galáxia vizinha de nossa Via Láctea fica a 2,54 milhões de anos luz. Ainda bem que o Sol dista da Terra apenas 150 milhões de quilômetros (8 minutos-luz).Terra

  Miríades de miríades – Mas os estudos de Celestino não param aí. Se o Universo material tem tal magnitude, o que dizer do espiritual? Ele tenta, então, através de aproximações e comparações, estabelecer patamares compatíveis com a grandeza de Deus.

 Nesse sentido, os dados citados acima podem ajudar muito. Se, novamente segundo São Tomás (cf Suma Teológica. I, q. 61, a. 4), os astros são governados por Anjos, o número desses espíritos celestes seria pelo menos a soma dos Anjos da Guarda pessoais (10 trilhões) mais os governadores dos corpos celestes. Sem falar nos guardiães de países, regiões, cidades, bairros, instituições, famílias etc.

 São dados que colocam nosso estudante na rota da Angeologia. Pois está impressionado com o número de Anjos que Deus criou. Ele, que já desistiu de contar os corpos celestes, sabe agora que aqueles são muitíssimo mais numerosos do que estes. São incontáveis, portanto.

Anjos
Junto com os bem-aventurados, os Anjos louvam a Deus e executam Suas ordens

 “Na minha visão ouvi (…) a voz de muitos Anjos, em número de miríades de miríades e de milhares de milhares (…)”, é o que consegue observar São João Evangelista no Apocalipse (cf 5, 11-12).

  Angeologia – Com efeito, os Anjos são constituídos hierarquicamente por ordens ou coros com a missão de glorificar a Santíssima Trindade. Servidores e mensageiros, executam as ordens divinas, entre as quais governar o Universo e proteger os seres humanos com vistas à salvação eterna.

 Para cada um de nós, ao nascer, Deus designa um Anjo da Guarda. Poderosíssimo amigo, zeloso e sábio, pode nos ajudar em cada instante do dia e da noite, desde que peçamos. Mas, ele é tão discreto, que quase nos esquecemos de sua presença contínua ao nosso lado.

 Celestino passa, então, de contador de estrelas a admirador, propagador e devoto dos Anjos. E acostuma-se a considerar, na rotina de sua vida, a presença constante do Anjo custódio, com a certeza de que nunca está só, e que ele vai ajudá-lo a transpor os umbrais do Paraíso. Aí poderá, inclusive, fazer maravilhosas excursões pelo universo sideral, na companhia de Anjos e Santos (Obra consultada: A Criação e os Anjos. Conheça a sua Fé. São Paulo: 2014, págs. 3, 14-17, 73-77 e 84).

Dom Bosco, os Anjos e o ‘Grigio’

Atuação discreta e contínua dos 

Anjos da Guarda pessoais

  COMO todos sabem, São João Bosco passou a vida fazendo o bem. Por esse motivo, lhe rondava a morte, por obra de gente que lhe desejava o mal. Ladrões? Malfeitores? O certo é que não perdiam ocasião para lhe armar emboscadas.

 Com efeito, em suas lides apostólicas em prol dos meninos pobres de Turim, às vezes tinha de caminhar, sozinho, alguns quarteirões, à noite. Sem armas, como se defendia dos ataques? Quem lhe tirava dos apuros?

Grigio
Grigio, segurança de Dom Bosco

 Isso quase ninguém sabe, mas ele tinha um segurança especial, que se apresentava sob a forma de um cão tão feroz quanto misterioso. Era o “Grigio” (cinzento, em italiano), que chegava a colocar para correr toda uma quadrilha de assaltantes!

 Misterioso, porque surgia do nada, nas horas de perigo para D. Bosco, cumpria sua missão e desaparecia. Quando entrava nas casas, acompanhando o Santo, não aceitava nada para comer. Estando numa sala fechada, onde várias pessoas conversavam, sumiu sem ser notado.

 Certa noite, deitou-se na saída da casa e, rosnando, impediu D. Bosco de sair. Soube-se depois que havia um bando de malfeitores à sua espera (Cf. Angelis Ferreira. Grigio, o protetor de Dom Bosco).

 Verdade de Fé – Esse caso ilustra bem a discreta atuação dos Anjos, que embora sendo puros espíritos, têm domínio sobre a matéria. Podem, portanto, atuar sob forma humana, animal ou usando outros recursos, em benefício de seus protegidos.

 Quantas vezes, sem perceber, você pode ter ficado a salvo de algum perigo, físico ou moral, pela ação de seu Anjo da Guarda. Pois seu agir é normalmente discreto, mas constante.

Anjo protetor
Anjo protetor

 Entretanto, a algumas pessoas foi concedida a graça da comunicação com seu Protetor, de variadas maneiras. Por exemplo: para Santa Francisca Romana ele era sempre visível, sob a aparência de um luminoso menino de 9 anos.

 Com efeito, citados frequentemente nas Sagradas Escrituras, a existência dos Anjos é uma verdade de fé. Segundo o Catecismo da Igreja Católica (livro tão importante quanto esquecido), os Anjos têm natureza espiritual e o encargo de servidores e mensageiros de Deus. A ação misteriosa e poderosa deles pervade a vida da Igreja e dos fiéis, que têm cada um seu Anjo protetor (cf nº 328 a 336).

  Reze a seu Anjo – A fim de assegurar para si essa proteção, se ainda não o faz, adquira o costume de recorrer ao seu Anjo da Guarda, pelo menos uma vez ao dia, rezando a tão popular jaculatória (oração breve), composta pelo Papa Pio VI, em 1796:

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador,

já que a ti me confiou a piedade divina,

sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém.

 Esta é mais uma convicção que devo cultivar no meu dia-a-dia, se desejo a ajuda de um poderoso protetor, que, aliás, está sempre a meu lado, esperando eu pedir. *

Conversão de São Paulo

25 de janeiro

De perseguidor dos cristãos a

Apóstolo de Cristo

  ZELOSO pela religião segundo a cartilha do Sinédrio, judeu, fariseu, cidadão romano, inteligente, arrogante. Com pouca idade, Saulo já tinha muito ódio dos adeptos de Cristo, a Quem certamente nem conheceu.

 Embora nascido em Tarso, na atual Turquia, estudou em Jerusalém, onde não faltavam mestres em deicídio. Pelo jeito foi bom aluno, pois ainda menor de idade já o vemos apoiando o martírio de Santo Estêvão (cf Atos 7, 58).

 Ensinaram-lhe que os seguidores de Cristo formavam uma seita de fanáticos, que deveria ser extinta. Estava convicto de que, perseguindo-a, agradava a Javeh.

 Ano 36 da era cristã. Saulo está indo a Damasco com alguns soldados. No bolso leva cartas dos chefes religiosos autorizando a caça e prisão de seguidores do que aprendeu a qualificar de seita. Pois só respira ameaças e morte contra os discípulos do Senhor.

 Subitamente, em pleno meio dia, uma luz mais forte que o sol envolve a todos. Saulo cai por terra, apavorado, e percebe que está cego. Uma voz ouvida só por ele, diz:

Conversão de S. Paulo
Luz forte e voz poderosa convertem Saulo

  – Saulo, Saulo, por que me persegues?

 – Quem és, Senhor?

  – Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro te é recalcitrar contra o aguilhão.

 – Senhor, que queres que eu faça?

  – Levanta-te, entra na cidade. Ali te será dito o que deves fazer.

 Após esta cena, Jesus diz para ele se apresentar a Ananias, em Damasco. Aí, recupera a vista, é batizado e instruído na doutrina cristã.

 O perseguidor Saulo, em poucos instantes é transformado em Paulo, o maior apóstolo de Jesus Cristo em todos os tempos.

 Sua história prodigiosa e seus escritos cheios de Fé estão na Bíblia, ou seja, nos Atos dos Apóstolos e nas suas 13 epístolas.

 A Igreja Católica comemora sua conversão no dia 25 de janeiro, e sua morte no dia 29 de junho, junto com São Pedro. #