Jesus e as flores

Jesus e as flores

Quem fez todas as criaturas, tem

preferência por alguma?

EMBORA as narrações das bodas de Caná não contemplem esses belos ornamentos vegetais, certamente no tempo de Cristo os israelitas faziam uso de flores por ocasião de aniversários, de casamentos — que, aliás, era a principal festa civil, com duração de uma semana.

Maria, que foi a protagonista do primeiro milagre de seu Filho ao transformar água em vinho, não teria deixado de levar aos noivos um belo arranjo floral, por Ela mesma preparado. Carinhosamente.

Jesus, o Filho — por fazer parte da Santíssima Trindade, Deus Uno e Trino —, é também criador de todas as coisas. Portanto, inclusive as flores devem a Ele sua existência.

 Lírios do campo — Atento observador até das coisas miúdas que O rodeavam, deve ter comentado com os discípulos — além das parreiras, do trigo, da galinha com os pintainhos, da semente de mostarda —, muitas outras coisas que não foram registradas pela pena dos evangelistas. Segundo São João (21, 25), não haveria espaço na Terra para guardar tudo que Ele disse.

Mas o que foi conservado faz parte da Revelação de Deus à humanidade, que é suficiente para a salvação eterna de quem não queira se condenar.

Exemplo disso é esta flor de pensamento brotada dos mesmos lábios divinos que arrebataram os ouvintes com o Sermão da Montanha:

 “Por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão, no auge de sua glória, não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito melhor a vós, homens de pouca fé?” (Mateus 6, 28-30).

Quão belas observações o Mestre terá feito, por exemplo, a respeito da tulipa, do jasmim, da rosa! Mas pode ser que o Espírito Santo não tenha inspirado a inclusão na Bíblia desses supostos comentários, para que cada pessoa pudesse, mais livremente, optar por esta ou aquela flor. O mesmo se pode dizer de tantas outras criaturas, sobre as quais não consta que Cristo tenha emitido uma apreciação. Na semana da criação, Deus considerou igualmente bom cada conjunto criado (Gênesis 1-2).

O profeta Isaías nos fornece uma lição: Toda a humanidade é como a relva, e toda a sua glória é como a flor da relva. Esta murcha e cai a sua flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre (cf 40, 8). #

 

Maio mariano

Relembrando o mês de Maria

Há nove séculos, na Europa, começava o costume de se dedicar cada dia de um mês inteiro para honrar a Virgem Mãe de Deus, e era chamado de tricesimum (trigésimo). Costume esse que a Bíblia e as estações do ano não estão alheias.

Escolhido para ser o povo de Deus (cf Jer 32-38), mas convivendo por longos séculos com a vizinhança de nações pagãs, chegou até a adorar demônios… Enfrentou terríveis invernos — exílios, escravidão, guerras — até chegar a primavera da Redenção, prometida por Deus aos patriarcas e profetas. E esta só foi possível por causa de Maria, ao aceitar ser Mãe do Homem-Deus, Jesus Cristo, que, morrendo na Cruz, nos facultou a eterna vida.

Maio, o eleito Como na Europa a primavera é em maio, este foi eleito o mês de Maria. Daí as variadas comemorações — ditadas pelo fervor do povo — como recitações do rosário, procissões, coroações de imagens da Virgem, tudo com bonitos cânticos e grande alegria.

Tratava-se geralmente de eventos paroquiais, em que as diversas associações se ofereciam para organizar — cada uma em um dia — as cerimônias pertinentes. E não é de se estranhar a existência de sadias emulações entre esses conjuntos de devotos.

Diariamente, por volta das 19 horas, havia ladainhas de Nossa Senhora, Ave Marias, cânticos ao Santíssimo Sacramento participados por uma igreja talvez lotada de fiéis, dependendo do empenho dos encarregados daquela noite.

Bênção com a Hóstia O momento culminante da cerimônia acontecia quando o sacerdote se voltava para o povo, tendo nas mãos o ostensório sob a forma de sol com raios de ouro, dentro do qual estava o Santíssimo Sacramento, e, diante de todo o povo ajoelhado, dava a bênção, voltando-se com a Hóstia Sagrada para todos os lados. A igreja ficava tomada pelo perfume do incenso, largamente utilizado durante a bênção. O povo ia saindo, as luzes iam sendo apagadas pelo sacristão, mas uma atmosfera abençoada acompanhava os devotos, convidando-os a voltar no dia seguinte. #

 

Grande lição de uma pequena

Procedimento esquecido, mesmo na pandemia

APESAR de garota ainda, Estelita é muito esperta. Ouvindo falar sobre os poucos dias de vida que restam ao avô, procura se informar, por su cuenta, sobre os procedimentos nestes casos. E nota que sua família, que é católica, já previu tudo, ou melhor, quase tudo: os documentos, a funerária.

Entra na conversa e pergunta se já contataram o padre José para dar ao vô a unção dos enfermos. Notando desinteresse pelo assunto, ela não desanima: assume ares de catequista e explica que esse sacramento da Igreja Católica — também conhecido como extrema unção — tem por objetivo salvar a alma da pessoa que esteja em risco de vida.

A juvenil Estelita se expressa com muita convicção, e ninguém ousa levantar a voz contra essa prática tradicional católica, tão incompreendida hoje em dia.

Nestes tempos de covid19, quanta falta fazem as Estelitas nas famílias, nos hospitais!

Com efeito, todo mundo quer felicidade terrena, e o desejo de que a alma de um parente vá para a felicidade eterna, está cada vez mais distante das cogitações.

São José, falecido entre Jesus e Maria, é poderoso protetor dos moribundos.

Entretanto, São Tiago, exprimindo o pensamento de Cristo, afirma: Alguém dentre vós está doente? Mande chamar um padre da Igreja Católica para que ore sobre ele, ungindo-o com o óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o porá de pé; se tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados (cf Tg 5, 14-15).

E conclui: “Pela sagrada unção dos enfermos e pela oração dos presbíteros, a Igreja toda entrega os doentes aos cuidados do Senhor sofredor e glorificado, para que os alivie e salve (cf. 16).

É o que confirma o Catecismo, nº 1527: “O sacramento da unção dos enfermos tem por finalidade conferir uma graça especial ao cristão que está passando pelas dificuldades inerentes ao estado de enfermidade grave ou de velhice”.

Esse sacramento traz salvação e alívio na fraqueza física e espiritual; une o doente à paixão de Cristo, para seu bem e de toda a Igreja; e confere o perdão dos pecados, se o doente não puder confessar.

Sem medo nem constrangimento, os católicos devem pedir para si e para seus familiares, o conforto desse sacramento, em tempo oportuno, para que possam participar conscientemente da sua celebração. Deve-se evitar quanto possível chamar o padre quando o doente já entrou em coma.

As dioceses e paróquias católicas geralmente têm normas específicas a respeito desse importante mas tão esquecido sacramento. #